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Retorno aos esportes de crianças que tiveram infecção por COVID-19: orientações da American Academy of Pediatrics e do American College of Cardiology

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Destaques

♦ Retornar à participação em esportes após uma infecção1 por COVID será uma pergunta significativa a ser feita aos pediatras nos próximos meses.

♦ A abordagem para liberação de participação em esportes em pacientes pediátricos deve ser diferente da abordagem em pacientes adultos.

♦ A maioria dos pacientes pediátricos poderá ser facilmente liberada para participação sem testes cardíacos extensos, mas os pediatras devem garantir que os pacientes tenham se recuperado totalmente e não tenham evidências de lesão2 miocárdica.

Normalmente, durante os meses de verão, os pediatras e médicos de família são inundados com pedidos de exames de liberação esportiva. Este ano, com a reabertura de escolas e esportes, uma nova questão precisará ser respondida nessas consultas: é seguro para meu filho retomar atividades físicas e esportes após uma infecção1 por COVID-19?

A questão de retornar aos esportes é significativa devido à propensão da COVID-19 de causar danos cardíacos e miocardite3. Embora a incidência4 de miocardite3 seja menor na população pediátrica em comparação com a população adulta, sabe-se que a miocardite3 é uma causa de morte súbita durante o exercício nas populações de atletas jovens. Semelhante a outras formas de miocardite3, os profissionais que cuidam de pacientes que tiveram uma infecção1 por COVID devem estar confiantes de que não há lesão2 miocárdica antes de liberar os atletas para participarem.

Ao considerar a questão do retorno ao esporte, o American College of Cardiology (ACC) acredita que há três variáveis a considerar: (1) Quão recente foi a infecção1 por COVID-19? (2) Quão grave foi a infecção1? (3) Qual é a atividade física ou esporte que está sendo considerado?

Leia sobre "Infecção1 por SARS-CoV-2 em crianças e adolescentes", "Lesão2 cardíaca na COVID-19" e "Miocardite3".

A orientação provisória da American Academy of Pediatrics (AAP) estabelece o seguinte quanto ao que fazer se um participante teve COVID-19 ou tiver a doença durante a temporada de esportes:

“Até o momento, dados limitados estão disponíveis sobre a COVID-19 e seus efeitos em crianças e adolescentes. Sabemos que aqueles com apresentações graves (hipotensão5, arritmias6, requerendo intubação ou suporte de oxigenação por membrana extracorpórea [ECMO], insuficiência renal7 ou cardíaca) ou com síndrome8 inflamatória multissistêmica em crianças (MIS-C) devem ser tratados como se tivessem miocardite3 e ser restringidos de exercício e participação por um período de 3 a 6 meses. Esses atletas devem ser liberados para retomar à participação por seu médico de atenção primária e especialista médico pediátrico apropriado, de preferência em consulta com um cardiologista9 pediátrico. O teste cardíaco (ECG, ecocardiograma10, monitor Holter11 de 24 horas, teste ergométrico e, se garantido, ressonância cardíaca) deve ter voltado ao normal antes do retorno à atividade.

Aqueles com sintomas12 moderados devem permanecer assintomáticos por pelo menos 14 dias e obter autorização de seu médico de atenção primária antes de retornar aos exercícios e à competição. Qualquer indivíduo que tenha sintomas12 cardíacos atuais ou positivos, que tenha achados preocupantes em seu exame, ou que tenha sintomas12 moderados de COVID-19, incluindo febre13 prolongada, deve ter um ECG realizado e, potencialmente, ser encaminhado a um cardiologista9 pediátrico para mais avaliação e clareza.

A principal questão ainda permanece sobre o que fazer com outras pessoas infectadas com SARS-CoV-2 ou que tiveram contato próximo com um indivíduo com COVID-19. Devido à crescente literatura sobre a relação entre COVID-19 e miocardite3, todas as crianças e adolescentes com exposição ao SARS-CoV-2, independentemente dos sintomas12, requerem um período mínimo de 14 dias de teste e devem ser assintomáticos por >14 dias antes de retornar para fazer exercícios e/ou competir. Devido às informações limitadas sobre COVID-19 e exercícios, a AAP encoraja fortemente que todos os pacientes com COVID-19 sejam liberados para participação por seu médico de atenção primária. O foco de sua triagem para retorno à participação em esportes deve ser para sintomas12 cardíacos, incluindo, mas não se limitando a, dor no peito14, falta de ar, fadiga15, palpitações16 ou síncope17.

Todos os indivíduos com história de um resultado de teste positivo para SARS-CoV-2 devem ter um retorno gradual à atividade física. Se os médicos de atenção primária tiverem alguma dúvida sobre a prontidão de seus pacientes para retornar à competição, eles não devem hesitar em consultar e encaminhar os indivíduos para o especialista médico pediátrico apropriado.”

Portanto, assumindo que não houve achados clínicos ou laboratoriais sugerindo envolvimento do miocárdio18 durante a infecção1 aguda, antes de considerar o retorno ao esporte, os pacientes devem permanecer assintomáticos por pelo menos duas semanas. Este período de duas semanas permitirá que todas as manifestações clínicas da COVID-19 se apresentem e, talvez o mais importante, diminuirá o risco de transmissão da infecção1 a companheiros de equipe ou adversários.

Em relação à gravidade da doença, o ACC acredita que as doenças assintomáticas ou leves na população pediátrica devam ser tratadas de forma semelhante a outras doenças virais na população pediátrica. Isso normalmente significa que as crianças se abstêm de atividades físicas e esportes enquanto estiverem ativamente doentes ou febris e gradualmente retornam às atividades quando se sentem capazes. Esses pacientes provavelmente não precisaram de teste cardíaco durante a infecção1 aguda, então não se acredita que o teste cardíaco seja necessário para liberá-los para participação.

Deve-se também lembrar que, mesmo com testes cardíacos extensos, nunca será possível descartar completamente todos os casos de danos aos miócitos ou prever com certeza absoluta quais pacientes com infecções19 agudas estão em risco de envolvimento cardíaco. Portanto, nunca será possível garantir que todas as crianças estão seguras. Por esse motivo, encoraja-se os esportes juvenis e os esportes do ensino médio a reavaliarem seus planos de ação de emergência20 para garantir ressuscitação cardiopulmonar (RCP), desfibrilação e atendimento médico de emergência20 adequados caso ocorra uma parada cardíaca súbita.

Saiba mais sobre "SARS-CoV-2 pediátrico" e "Relação da síndrome8 inflamatória multissistêmica em crianças com a Covid-19".

 

Fontes:
American College of Cardiology, análise de especialista publicada em 14 de julho de 2020.
American Academy of Pediatrics – “Orientação provisória da COVID-19: retorno aos esportes”.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Retorno aos esportes de crianças que tiveram infecção por COVID-19: orientações da American Academy of Pediatrics e do American College of Cardiology. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/1380963/retorno-aos-esportes-de-criancas-que-tiveram-infeccao-por-covid-19-orientacoes-da-american-academy-of-pediatrics-e-do-american-college-of-cardiology.htm>. Acesso em: 5 dez. 2020.

Complementos

1 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
2 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
3 Miocardite: 1. Inflamação das paredes musculares do coração. 2. Infecção do miocárdio causada por bactéria, vírus ou outros microrganismos.
4 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
5 Hipotensão: Pressão sanguínea baixa ou queda repentina na pressão sanguínea. A hipotensão pode ocorrer quando uma pessoa muda rapidamente de uma posição sentada ou deitada para a posição de pé, causando vertigem ou desmaio.
6 Arritmias: Arritmia cardíaca é o nome dado a diversas perturbações que alteram a frequência ou o ritmo dos batimentos cardíacos.
7 Insuficiência renal: Condição crônica na qual o corpo retém líquido e excretas pois os rins não são mais capazes de trabalhar apropriadamente. Uma pessoa com insuficiência renal necessita de diálise ou transplante renal.
8 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
9 Cardiologista: Médico especializado em tratar pessoas com problemas cardíacos.
10 Ecocardiograma: Método diagnóstico não invasivo que permite visualizar a morfologia e o funcionamento cardíaco, através da emissão e captação de ultra-sons.
11 Holter: Dispositivo portátil, projetado para registrar de forma contínua, diferentes variáveis fisiológicas ou atividade elétrica durante um período pré-estabelecido de tempo. Os mais utilizados são o Holter eletrocardiográfico e o Holter de pressão.
12 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
13 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
14 Peito: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original
15 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
16 Palpitações: Designa a sensação de consciência do batimento do coração, que habitualmente não se sente. As palpitações são detectadas usualmente após um exercício violento, em situações de tensão ou depois de um grande susto, quando o coração bate com mais força e/ou mais rapidez que o normal.
17 Síncope: Perda breve e repentina da consciência, geralmente com rápida recuperação. Comum em pessoas idosas. Suas causas são múltiplas: doença cerebrovascular, convulsões, arritmias, doença cardíaca, embolia pulmonar, hipertensão pulmonar, hipoglicemia, intoxicações, hipotensão postural, síncope situacional ou vasopressora, infecções, causas psicogênicas e desconhecidas.
18 Miocárdio: Tecido muscular do CORAÇÃO. Composto de células musculares estriadas e involuntárias (MIÓCITOS CARDÍACOS) conectadas, que formam a bomba contrátil geradora do fluxo sangüíneo. Sinônimos: Músculo Cardíaco; Músculo do Coração
19 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
20 Emergência: 1. Ato ou efeito de emergir. 2. Situação grave, perigosa, momento crítico ou fortuito. 3. Setor de uma instituição hospitalar onde são atendidos pacientes que requerem tratamento imediato; pronto-socorro. 4. Eclosão. 5. Qualquer excrescência especializada ou parcial em um ramo ou outro órgão, formada por tecido epidérmico (ou da camada cortical) e um ou mais estratos de tecido subepidérmico, e que pode originar nectários, acúleos, etc. ou não se desenvolver em um órgão definido.
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