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História anterior de infecção por SARS-CoV-2 foi associada a um risco 84% menor de uma nova infecção

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O aumento da compreensão sobre se os indivíduos que se recuperaram da COVID-19 estão protegidos de futura infecção1 por SARS-CoV-2 é uma necessidade urgente. O objetivo deste estudo, publicado pelo The Lancet, foi investigar se os anticorpos2 contra SARS-CoV-2 estavam associados a uma diminuição do risco de reinfecção sintomática3 e assintomática, avaliando as taxas de infecção1 por SARS-CoV-2 de profissionais de saúde4 positivos para anticorpos2 em comparação com negativos para anticorpos2.

Um grande estudo de coorte5 prospectivo6 e multicêntrico foi realizado, com participantes recrutados em hospitais com financiamento público em todas as regiões da Inglaterra. Todos os profissionais de saúde4, pessoal de apoio e pessoal administrativo trabalhando em hospitais que pudessem permanecer envolvidos no acompanhamento por 12 meses eram elegíveis para participar do estudo de Avaliação de Imunidade7 e Reinfecção do SARS-CoV-2.

Os participantes foram excluídos se não tivessem testes de PCR8 após a inscrição, se fossem inscritos após 31 de dezembro de 2020, ou tivessem dados de PCR8 e anticorpos2 insuficientes para atribuição de coorte9.

Leia sobre "Maioria das pessoas que tiveram COVID-19 está protegida de contraí-la" e "Testes da COVID-19".

Os participantes compareceram a testes regulares de PCR8 e anticorpos2 para SARS-CoV-2 (a cada 2-4 ​​semanas) e preencheram questionários a cada 2 semanas sobre sintomas10 e exposições. No momento da inscrição, os participantes foram atribuídos à coorte9 positiva (positivos para anticorpos2 ou teste PCR8 ou de anticorpos2 positivo anterior) ou à coorte9 negativa (negativos para anticorpos2, sem teste PCR8 ou de anticorpos2 positivo anterior).

O desfecho primário foi uma reinfecção na coorte9 positiva ou uma infecção1 primária na coorte9 negativa, determinada por testes de PCR8. As reinfecções potenciais foram revisadas clinicamente e classificadas de acordo com as definições de caso (confirmado, provável ou possível) e o status do sintoma11, dependendo da hierarquia de evidências. As infecções12 primárias na coorte9 negativa foram definidas como um primeiro teste de PCR8 positivo e as soroconversões foram excluídas quando não associadas a um teste de PCR8 positivo.

Um modelo de fragilidade de risco proporcional usando uma distribuição de Poisson foi usado para estimar as razões de taxa de incidência13 (IRR) para comparar as taxas de infecção1 nas duas coortes.

De 18 de junho de 2020 a 31 de dezembro de 2020, 30.625 participantes foram inscritos no estudo. 51 participantes retiraram-se do estudo, 4.913 foram excluídos e 25.661 participantes (com dados vinculados sobre testes de anticorpos2 e PCR8) foram incluídos na análise. Os dados foram extraídos de todas as fontes em 5 de fevereiro de 2021 e incluem dados até e incluindo 11 de janeiro de 2021.

155 infecções12 foram detectadas na coorte9 positiva na linha de base de 8.278 participantes, contribuindo coletivamente com 2.047.113 pessoas-dia de acompanhamento. Isso se compara com 1.704 novas infecções12 positivas por PCR8 na coorte9 negativa de 17.383 participantes, contribuindo com 2.971.436 pessoas-dia de acompanhamento.

A densidade de incidência13 foi de 7,6 reinfecções por 100.000 pessoas-dia na coorte9 positiva, em comparação com 57,3 infecções12 primárias por 100.000 pessoas-dia na coorte9 negativa, entre junho de 2020 e janeiro de 2021.

As IRR ajustadas foram de 0,19 para todas as reinfecções (IC 95% 0,13-0,19) em comparação com infecções12 primárias confirmadas por PCR8. O intervalo médio entre a infecção1 primária e a reinfecção foi de mais de 200 dias.

Os resultados indicam que uma história anterior de infecção1 por SARS-CoV-2 foi associada a um risco 84% menor de infecção1, com efeito protetor mediano observado 7 meses após a infecção1 primária. Este período de tempo é o efeito mínimo provável porque as soroconversões não foram incluídas.

Este estudo mostra que a infecção1 anterior com SARS-CoV-2 induz imunidade7 eficaz a infecções12 futuras na maioria dos indivíduos.

Veja também sobre "Precisão diagnóstica dos testes sorológicos para covid-19", "Novas cepas14 (variantes) do coronavírus" e "Eficácia das vacinas contra a COVID-19".

 

Fonte: The Lancet, publicação em 09 de abril de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. História anterior de infecção por SARS-CoV-2 foi associada a um risco 84% menor de uma nova infecção. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1393135/historia-anterior-de-infeccao-por-sars-cov-2-foi-associada-a-um-risco-84-menor-de-uma-nova-infeccao.htm>. Acesso em: 16 jun. 2021.

Complementos

1 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
2 Anticorpos: Proteínas produzidas pelo organismo para se proteger de substâncias estranhas como bactérias ou vírus. As pessoas que têm diabetes tipo 1 produzem anticorpos que destroem as células beta produtoras de insulina do próprio organismo.
3 Sintomática: 1. Relativo a ou que constitui sintoma. 2. Que é efeito de alguma doença. 3. Por extensão de sentido, é o que indica um particular estado de coisas, de espírito; revelador, significativo.
4 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
5 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
6 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
7 Imunidade: Capacidade que um indivíduo tem de defender-se perante uma agressão bacteriana, viral ou perante qualquer tecido anormal (tumores, enxertos, etc.).
8 PCR: Reação em cadeia da polimerase (em inglês Polymerase Chain Reaction - PCR) é um método de amplificação de DNA (ácido desoxirribonucleico).
9 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
10 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
11 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
12 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
13 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
14 Cepas: Cepa ou estirpe é um termo da biologia e da genética que se refere a um grupo de descendentes com um ancestral comum que compartilham semelhanças morfológicas e/ou fisiológicas.
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