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Precisão diagnóstica dos testes sorológicos para covid-19

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Uma revisão sistemática e meta-análise, publicada pelo The British Medical Journal, teve como objetivo determinar a precisão diagnóstica dos testes sorológicos para a doença do coronavírus 2019 (covid-19).

Foram pesquisadas as bases de dados Medline, bioRxiv e medRxiv de 1º de janeiro a 30 de abril de 2020, usando títulos ou subtítulos do assunto combinados com palavras do texto para os conceitos de covid-19 e testes sorológicos para covid-19.

Os estudos elegíveis mediram a sensibilidade ou especificidade, ou ambos, de um teste sorológico para covid-19 em comparação com um padrão de referência de cultura viral ou reação em cadeia da polimerase com transcriptase reversa. Foram excluídos estudos com menos de cinco participantes ou amostras. O risco de viés foi avaliado usando a avaliação da qualidade dos estudos de precisão diagnóstica 2 (QUADAS-2). A sensibilidade e especificidade combinadas foram estimadas usando meta-análises bivariadas de efeitos aleatórios.

Saiba mais sobre "Testes da COVID-19" e "COVID-19 - uso de máscaras pelo público".

O desfecho primário foi sensibilidade e especificidade geral, estratificadas pelo método de testes sorológicos (ensaios imunossorventes ligados a enzimas (ELISAs), imunoensaios de fluxo lateral (LFIAs) ou imunoensaios quimioluminescentes (CLIAs)) e classe de imunoglobulina1 (IgG, IgM ou ambos). Os desfechos secundários foram sensibilidade e especificidade específicas do estrato dentro dos subgrupos definidos pelas características do estudo ou participante, incluindo o tempo desde o início dos sintomas2.

5.016 referências foram identificadas e 40 estudos incluídos. Foram realizadas 49 avaliações de risco de viés (uma para cada população e método avaliados). Alto risco de viés de seleção dos pacientes foi encontrado em 98% (48/49) das avaliações e risco alto ou pouco claro de viés devido ao desempenho ou interpretação do teste sorológico em 73% (36/49).

Apenas 10% (4/40) dos estudos incluíram pacientes ambulatoriais. Apenas dois estudos avaliaram testes no ponto de atendimento. Para cada método de teste, a sensibilidade e especificidade combinadas não foram associadas à classe de imunoglobulina1 medida.

A sensibilidade combinada de ELISAs medindo IgG ou IgM foi de 84,3% (intervalo de confiança de 95% de 75,6% a 90,9%), de LFIAs foi de 66,0% (49,3% a 79,3%) e de CLIAs foi de 97,8% (46,2% a 100%).

Em todas as análises, a sensibilidade combinada foi menor para LFIAs, o potencial método de ponto de atendimento. As especificidades combinadas variaram de 96,6% a 99,7%. Das amostras utilizadas para estimar a especificidade, 83% (10.465 / 12.547) eram de populações testadas antes da epidemia ou que não eram suspeitas de ter covid-19. Entre LFIAs, a sensibilidade combinada dos kits comerciais (65,0%, 49,0% a 78,2%) foi menor do que a dos testes não comerciais (88,2%, 83,6% a 91,3%).

Heterogeneidade foi observada em todas as análises. A sensibilidade foi maior pelo menos três semanas após o início dos sintomas2 (variando de 69,9% a 98,9%) em comparação com a primeira semana (de 13,4% a 50,3%).

Concluiu-se que estudos clínicos de alta qualidade que avaliam a precisão diagnóstica dos testes sorológicos para a covid-19 são urgentemente necessários. Atualmente, as evidências disponíveis não suportam o uso contínuo dos testes sorológicos existentes no local de atendimento.

Leia sobre "Anticorpos3 em bebês4 nascidos de mães com pneumonia5 por COVID-19" e "Presença de células6 T reativas ao SARS-CoV-2 em pacientes com COVID-19".

 

Fonte: The BMJ, publicação em 01 de julho de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Precisão diagnóstica dos testes sorológicos para covid-19. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1372908/precisao-diagnostica-dos-testes-sorologicos-para-covid-19.htm>. Acesso em: 20 out. 2020.

Complementos

1 Imunoglobulina: Proteína do soro sanguíneo, sintetizada pelos plasmócitos provenientes dos linfócitos B como reação à entrada de uma substância estranha (antígeno) no organismo; anticorpo.
2 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
3 Anticorpos: Proteínas produzidas pelo organismo para se proteger de substâncias estranhas como bactérias ou vírus. As pessoas que têm diabetes tipo 1 produzem anticorpos que destroem as células beta produtoras de insulina do próprio organismo.
4 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
5 Pneumonia: Inflamação do parênquima pulmonar. Sua causa mais freqüente é a infecção bacteriana, apesar de que pode ser produzida por outros microorganismos. Manifesta-se por febre, tosse, expectoração e dor torácica. Em pacientes idosos ou imunodeprimidos pode ser uma doença fatal.
6 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
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