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Testes da COVID-19: necessário testes rápidos e próximos aos pacientes, tanto para infecções atuais quanto para passadas

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“Teste, teste, teste” é a chave para controlar a disseminação do SARS-CoV-2 e sua manifestação clínica, a COVID-19, de acordo com a Organização Mundial da Saúde1. No entanto, três meses após a notificação da nova infecção2 por coronavírus na China, há acesso inadequado a testes de diagnóstico3 apropriados globalmente e confusão entre os profissionais de saúde1 e o público sobre a priorização dos testes e a interpretação dos resultados.

O vírus4 é transmitido pela via respiratória, principalmente por gotículas e contato com superfícies e fômites contaminados, e pela formação de aerossóis durante procedimentos respiratórios invasivos. O vírus4 também é encontrado na urina5, fezes e saliva. A transmissão assintomática parece ser comum, especialmente em crianças, e pode espalhar a infecção2.

O período de incubação6 desde a infecção2 até o primeiro sintoma7 é tipicamente de 5 a 7 dias, com um intervalo de 4-14 dias. O diagnóstico3 da infecção2 atual depende de testes para detectar o vírus4 em vários fluidos corporais. Os testes de anticorpos8 no sangue9 são usados ​​para confirmar a infecção2 passada e a imunidade10 presumida para infecção2 repetida, embora a duração e a eficácia dessa proteção ainda não sejam conhecidas.

Saiba mais sobre "Mapeando o coronavírus SARS-CoV-2" e "Coronavírus e COVID-19".

Testes PCR11

O pico da transmissão respiratória do vírus4 é no final da primeira semana após a infecção2, imediatamente antes e à medida que os sintomas12 se desenvolvem. Isso pode ser intermitente13, portanto, um único resultado de PCR11 negativo pode ser enganoso e os testes podem precisar ser repetidos. As coletas com cotonetes devem ser feitas corretamente e transportadas em meio de transporte viral.

Os materiais de coleta nasofaríngea são mais sensíveis que os de coleta orofaríngea14 e são melhores quando coletados no momento em que os sintomas12 emergem. Coletas de ambos os locais são frequentemente combinadas para aumentar a sensibilidade. Secreções respiratórias mais profundas, como escarro e líquido broncoalveolar, contêm mais vírus4 e aumentam ao longo de 2-3 semanas em casos mais graves. A transmissão de vírus4 pelas fezes pode persistir após a resolução da diarreia15.

O teste padrão ouro para diagnóstico3 é a detecção de RNA viral por métodos moleculares, geralmente uma reação em cadeia da polimerase com transcrição reversa (RT-PCR11). Os protocolos de teste requerem equipamentos, reagentes e conhecimentos substanciais e são frequentemente realizados em laboratórios centrais ou regionais, especialmente em ambientes com poucos recursos. Atrasos no transporte de amostras para o laboratório e retorno dos resultados ao remetente significam que o tempo de execução geral do teste geralmente excede 48 horas. A descentralização de laboratórios ajuda a reduzir esses atrasos, mas testes rápidos validados e próximos aos pacientes são urgentemente necessários para fornecer informações mais oportunas para diagnóstico3 e intervenções de saúde1 pública.

Novos sistemas estão sendo avaliados para uma detecção mais rápida das principais sequências virais e uma variedade de dispositivos de detecção de antígenos16 no ponto de atendimento foi desenvolvida, mas seu desempenho varia amplamente. Alguns dispositivos de detecção de antígenos16 têm pouca sensibilidade, o que significa que as infecções17 não são detectadas e os indivíduos infecciosos não são gerenciados adequadamente.

Testes de anticorpos8

Os testes de anticorpos8 são usados ​​principalmente para determinar se uma pessoa já teve COVID-19. Anticorpos8 IgM e IgG específicos devem começar a ser detectáveis ​​após 4-5 dias, com anticorpos8 IgM positivos em 70% dos pacientes sintomáticos nos dias 8 a 14 e 90% do total de testes positivos de anticorpos8 nos dias 11 a 24. Pensa-se que a reatividade da IgG atinja 98% após várias semanas, mas a duração dessa resposta de anticorpos8 ainda não é conhecida.

Os anticorpos8 podem ser detectados por testes ELISA convencionais ou com dispositivos de fluxo lateral próximos aos pacientes, semelhantes aos usados ​​para testes de gravidez18. Estes podem produzir resultados em menos de 20 minutos a partir de algumas gotas de sangue9 obtidas pela picada no dedo. Eles geralmente combinam testes para IgM e IgG e podem não se tornar positivos até a segunda semana de infecção2, e a sensibilidade pode ser menor após a infecção2 assintomática. Os testes de detecção de anticorpos8 também podem ser limitados por baixa especificidade; portanto, as pessoas são erroneamente identificadas como infectadas e têm uma falsa sensação de segurança.

Quem deve ser testado? Em países como Cingapura e Coréia do Sul, programas agressivos de teste, rastreamento de contatos e isolamento contribuíram para o controle precoce da infecção2. À medida que a epidemia avança, o foco está nos pacientes sintomáticos, nos principais trabalhadores e em suas famílias. Testar pacientes sintomáticos quanto à infecção2 atual quando comparecerem aos serviços de saúde1 pode informar o rastreamento de contatos e a prevenção e controle de infecções17, particularmente na triagem de pacientes para enfermarias apropriadas no hospital. Os trabalhadores-chave, especialmente os da área da saúde1, podem se autoisolar por longos períodos se um membro da família apresentar sintomas12. A exclusão de infecção2 no domicílio permite que os funcionários retornem ao trabalho, assim como a prova da imunidade10 dos funcionários.

Virando o jogo

A ampla disponibilidade de testes para anticorpos8 seria uma virada no jogo. É provável que muitas equipes de saúde1 já tenham sido infectadas na comunidade ou no trabalho. A identificação de infecção2 passada resolvida pode permitir que essas pessoas voltem ao trabalho, supondo que a infecção2 passada confira algum nível de imunidade10. Contatos de pessoas que estão infectadas no momento podem fazer testes de anticorpos8 para descobrir se ainda estão em risco.

À medida que o teste de anticorpos8 se torna mais amplamente disponível em toda a comunidade, deve surgir uma imagem mais clara da proporção de infecções17 assintomáticas e da verdadeira morbidade19 da COVID-19.

Em resumo, a interpretação dos testes depende do local biológico e do momento das amostras, e do reconhecimento tanto da transmissão viral intermitente13 quanto da variação na sensibilidade e especificidade dos diferentes sistemas de teste. Novos testes devem ser devidamente validados antes do uso em qualquer configuração, pois "um teste não confiável é pior que nenhum teste". No entanto, os testes não podem ser interpretados se não estiverem disponíveis - e esse é o grande desafio atualmente enfrentado por muitos países.

Leia sobre "Anticorpos8 em bebês20 nascidos de mães com pneumonia21 por COVID-19" e "Tratamento da COVID-19 com plasma22 convalescente".

 

Fonte: The BMJ, publicação em 08 de abril de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Testes da COVID-19: necessário testes rápidos e próximos aos pacientes, tanto para infecções atuais quanto para passadas. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/1364978/testes-da-covid-19-necessario-testes-rapidos-e-proximos-aos-pacientes-tanto-para-infeccoes-atuais-quanto-para-passadas.htm>. Acesso em: 20 out. 2020.

Complementos

1 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
2 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
3 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
4 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
5 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
6 Incubação: 1. Ato ou processo de chocar ovos, natural ou artificialmente. 2. Processo de laboratório, por meio do qual se cultivam microrganismos com o fim de estudar ou facilitar o seu desenvolvimento. 3. Em infectologia, é o período que vai da penetração do agente infeccioso no organismo até o aparecimento dos primeiros sinais da doença.
7 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
8 Anticorpos: Proteínas produzidas pelo organismo para se proteger de substâncias estranhas como bactérias ou vírus. As pessoas que têm diabetes tipo 1 produzem anticorpos que destroem as células beta produtoras de insulina do próprio organismo.
9 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
10 Imunidade: Capacidade que um indivíduo tem de defender-se perante uma agressão bacteriana, viral ou perante qualquer tecido anormal (tumores, enxertos, etc.).
11 PCR: Reação em cadeia da polimerase (em inglês Polymerase Chain Reaction - PCR) é um método de amplificação de DNA (ácido desoxirribonucleico).
12 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
13 Intermitente: Nos quais ou em que ocorrem interrupções; que cessa e recomeça por intervalos; intervalado, descontínuo. Em medicina, diz-se de episódios de febre alta que se alternam com intervalos de temperatura normal ou cujas pulsações têm intervalos desiguais entre si.
14 Orofaríngea: Relativo à orofaringe.
15 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
16 Antígenos: 1. Partículas ou moléculas capazes de deflagrar a produção de anticorpo específico. 2. Substâncias que, introduzidas no organismo, provocam a formação de anticorpo.
17 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
18 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
19 Morbidade: Morbidade ou morbilidade é a taxa de portadores de determinada doença em relação à população total estudada, em determinado local e em determinado momento.
20 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
21 Pneumonia: Inflamação do parênquima pulmonar. Sua causa mais freqüente é a infecção bacteriana, apesar de que pode ser produzida por outros microorganismos. Manifesta-se por febre, tosse, expectoração e dor torácica. Em pacientes idosos ou imunodeprimidos pode ser uma doença fatal.
22 Plasma: Parte que resta do SANGUE, depois que as CÉLULAS SANGÜÍNEAS são removidas por CENTRIFUGAÇÃO (sem COAGULAÇÃO SANGÜÍNEA prévia).
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