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COVID-19 em diabéticos: entendendo as razões para piores resultados

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Desde o surto inicial de COVID-19 na China, muita atenção se concentrou nas pessoas com diabetes1 devido ao mau prognóstico2 naquelas com a infecção3. Os relatórios iniciais foram principalmente sobre pessoas com diabetes tipo 24, embora pesquisas recentes tenham mostrado que indivíduos com diabetes tipo 15 também estão em risco de COVID-19 grave.

Nesta revisão publicada pelo The Lancet Diabetes1 & Endocrinology, discute-se que a razão para um pior prognóstico2 em pessoas com diabetes1 provavelmente é multifatorial, refletindo a natureza sindrômica do diabetes1. Idade, sexo, etnia, comorbidades6 como hipertensão7 e doenças cardiovasculares8, obesidade9 e um estado pró-inflamatório e pró-coagulativo provavelmente contribuem para o risco de piores resultados.

Agentes redutores de glicose10 e tratamentos antivirais podem modular o risco, mas as limitações ao seu uso e possíveis interações com os tratamentos para COVID-19 devem ser cuidadosamente avaliadas.

A infecção3 por coronavírus 2 da síndrome11 respiratória aguda grave (SARS-CoV-2) também pode representar um fator de agravamento para as pessoas com diabetes1, pois pode precipitar complicações metabólicas agudas por meio de efeitos negativos diretos na função das células12 β. Esses efeitos na função das células12 β também podem causar cetoacidose diabética13 em indivíduos com diabetes1, hiperglicemia14 na admissão hospitalar em indivíduos com história desconhecida de diabetes1 e potencialmente diabetes1 de início recente.

Saiba mais sobre "Características e prognóstico2 de pessoas com COVID-19 e diabetes1" e "Aumento dos casos de diabetes tipo 15".

Considerando que pessoas com diabetes1 com COVID-19 correm maior risco de pior prognóstico2 e mortalidade15, e dada a alta prevalência16 mundial de diabetes1, esses indivíduos representam um grande segmento da população vulnerável para COVID-19. O pior prognóstico2 das pessoas com diabetes1 é a provável consequência da natureza sindrômica da doença: hiperglicemia14, idade avançada, comorbidades6 e, em particular, hipertensão7, obesidade9 e doenças cardiovasculares8 contribuem para aumentar o risco nesses indivíduos.

A imagem, no entanto, é mais complicada, pois exige a consideração de fatores sociais, como privação e etnia, além de fatores que se tornam relevantes no momento em que um paciente com COVID-19 grave precisa ser tratado. Aqui, o médico deve levar em conta não apenas o estado de saúde17 da pessoa com diabetes1, mas também equilibrar cuidadosamente os tratamentos para baixar a glicose10 com tratamentos específicos para a infecção3 viral.

Mais uma vez, o gerenciamento de diabetes1 em pacientes com COVID-19 representa um grande desafio clínico, que exige uma abordagem de equipe muito integrada, pois é uma estratégia indispensável para reduzir ao máximo o risco de complicações médicas e morte. A avaliação cuidadosa dos muitos componentes que contribuem para o mau prognóstico2 da COVID-19 em pacientes com diabetes1 pode representar a melhor, senão a única maneira de superar a situação atual e permitir que os sistemas de saúde17 estejam prontos para enfrentar rapidamente os desafios futuros de maneira eficaz.

Finalmente, a inter-relação entre diabetes1 e COVID-19 deve desencadear mais pesquisas para entender até que ponto mecanismos específicos do vírus18 (por exemplo, seu tropismo19 para a célula20 β pancreática) podem contribuir para a piora do controle glicêmico e, em alguns casos, para o impressionante desenvolvimento de cetoacidose diabética13 ou síndrome11 hiperosmolar21 hiperglicêmica e possivelmente ao desenvolvimento de diabetes1 de início recente.

Leia sobre "Características glicêmicas e resultados clínicos de pacientes com COVID-19 " e "Mecanismos pelos quais a obesidade9 é fator de risco22 COVID-19 grave".

 

Fonte: The Lancet Diabetes1 & Endocrinology, publicação em 17 de julho de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. COVID-19 em diabéticos: entendendo as razões para piores resultados. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1374798/covid-19-em-diabeticos-entendendo-as-razoes-para-piores-resultados.htm>. Acesso em: 23 nov. 2020.

Complementos

1 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
2 Prognóstico: 1. Juízo médico, baseado no diagnóstico e nas possibilidades terapêuticas, em relação à duração, à evolução e ao termo de uma doença. Em medicina, predição do curso ou do resultado provável de uma doença; prognose. 2. Predição, presságio, profecia relativos a qualquer assunto. 3. Relativo a prognose. 4. Que traça o provável desenvolvimento futuro ou o resultado de um processo. 5. Que pode indicar acontecimentos futuros (diz-se de sinal, sintoma, indício, etc.). 6. No uso pejorativo, pernóstico, doutoral, professoral; prognóstico.
3 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
4 Diabetes tipo 2: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada tanto por graus variáveis de resistência à insulina quanto por deficiência relativa na secreção de insulina. O tipo 2 se desenvolve predominantemente em pessoas na fase adulta, mas pode aparecer em jovens.
5 Diabetes tipo 1: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada por deficiência na produção de insulina. Ocorre quando o próprio sistema imune do organismo produz anticorpos contra as células-beta produtoras de insulina, destruindo-as. O diabetes tipo 1 se desenvolve principalmente em crianças e jovens, mas pode ocorrer em adultos. Há tendência em apresentar cetoacidose diabética.
6 Comorbidades: Coexistência de transtornos ou doenças.
7 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
8 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
9 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
10 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
11 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
12 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
13 Cetoacidose diabética: Complicação aguda comum do diabetes melito, é caracterizada pela tríade de hiperglicemia, cetose e acidose. Laboratorialmente se caracteriza por pH arterial 250 mg/dl, com moderado grau de cetonemia e cetonúria. Esta condição pode ser precipitada principalmente por infecções, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico, trauma e tratamento inadequado do diabetes. Os sinais clínicos da cetoacidose são náuseas, vômitos, dor epigástrica (no estômago), hálito cetônico e respiração rápida. O não-tratamento desta condição pode levar ao coma e à morte.
14 Hiperglicemia: Excesso de glicose no sangue. Hiperglicemia de jejum é o nível de glicose acima dos níveis considerados normais após jejum de 8 horas. Hiperglicemia pós-prandial acima de níveis considerados normais após 1 ou 2 horas após alimentação.
15 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
16 Prevalência: Número de pessoas em determinado grupo ou população que são portadores de uma doença. Número de casos novos e antigos desta doença.
17 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
18 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
19 Tropismo: Reação de organismos fixos ou de suas partes, que consiste na mudança de orientação determinada por estímulos externos, dita positiva quando em direção ao estímulo e negativa quando se afasta do mesmo.
20 Célula: Unidade funcional básica de todo tecido, capaz de se duplicar (porém algumas células muito especializadas, como os neurônios, não conseguem se duplicar), trocar substâncias com o meio externo à célula, etc. Possui subestruturas (organelas) distintas como núcleo, parede celular, membrana celular, mitocôndrias, etc. que são as responsáveis pela sobrevivência da mesma.
21 Hiperosmolar: A osmolaridade do plasma do sangue reflete a concentração de certas substâncias como a glicose, as proteínas, etc. Por exemplo, quando os valores da hiperglicemia são muito elevados, há um aumento da concentração de glicose no sangue, ou seja, há uma hiperosmolaridade.
22 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
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