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Tratamento com grazoprevir (MK-5172) e elbasvir (MK-8742) com ou sem ribavirina para a infecção pelo vírus da hepatite C: estudo C-WORTHY publicado pelo The Lancet

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Existe uma elevada necessidade de uma terapia eficaz para o vírus1 da hepatite2 C (VHC) em diversas populações de pacientes, incluindo pacientes com cirrose3 ou resposta nula anterior ao interferon peguilado (peginterferon) mais ribavirina (PR-null responders). O objetivo da presente pesquisa foi avaliar a eficácia, a segurança e a duração eficaz do tratamento com grazoprevir (um inibidor da protease4 HCV NS3/4A), combinado ao elbasvir (um inibidor HCV NS5A), com ou sem ribavirina, em doentes com infecção5 pelo VHC genótipo6 1 com características basais de má resposta.

O estudo C-WORTHY é um estudo aberto, de fase 2, randomizado7. Os pesquisadores relataram os resultados de duas coortes de doentes com cirrose3 não tratados previamente (coorte8 1) e aqueles com resposta nula anterior ao interferon peguilado (peginterferon) mais ribavirina com ou sem cirrose3 (coorte8 2) matriculadas neste estudo. Os pacientes elegíveis eram adultos, com 18 anos ou mais, com infecção5 crônica pelo VHC genótipo6 1 e concentrações de RNA viral para o VHC de 10.000 UI/mL ou superior no sangue9 periférico. Os pacientes foram aleatoriamente designados a receber grazoprevir (100 mg diários) e elbasvir (50 mg por dia), com ou sem ribavirina, por 12 ou 18 semanas. A randomização foi feita de forma centralizada, por um sistema de resposta de voz interativo. Os pacientes e investigadores do estudo foram mascarados para a duração do tratamento até a 12ª semana, mas não para a alocação do tratamento. O desfecho primário foi a proporção de doentes que atingiram concentrações de RNA viral do vírus1 da hepatite2 C (VHC) menor que 25 UI/mL em 12 semanas após o final do tratamento (SVR12), avaliados pelo COBAS TaqMan versão 2.0.

São descritos os achados de 253 pacientes inscritos na coorte8 1 (n=123) ou na coorte8 2 (n=130). Na coorte8 1, foram distribuídos aleatoriamente 60 pacientes para o regime de 12 semanas (31 com ribavirina e 29 sem ribavirina) e 63 para o regime de 18 semanas (32 com ribavirina e 31 sem ribavirina); na coorte8 2, foram atribuídos aleatoriamente 65 pacientes para o regime de 12 semanas (32 com a ribavirina e 33 sem ribavirina) e 65 para o regime de 18 semanas (33 com a ribavirina e 32 sem ribavirina). Elevadas taxas de SVR12 foram alcançadas independentemente da utilização de ribavirina ou do prolongamento da duração de tratamento de 12 a 18 semanas; as taxas de SVR12 variaram de 90% (IC 95% 74-98; 28/31; coorte8 1, 12 semanas, contendo ribavirina) a 100% (IC 95% 89-100; 33/33; coorte8 2, 18 semanas, contendo ribavirina). Entre os pacientes tratados por 12 semanas com grazoprevir mais elbasvir, sem ribavirina, 97% (IC 95% 82-100, 28/29) dos pacientes na coorte8 1 e 91% (IC 95% 76-98, 30/33) dos pacientes na coorte8 2 obtiveram SVR12. Os eventos adversos relatados em mais de 10% dos pacientes foram fadiga10 (66 pacientes, 26% [IC 95% 21-32]), dor de cabeça11 (58 pacientes, 23% [IC 95% 18-29]) e astenia12 (35 pacientes, 14% [IC 95% 10-19]).

O tratamento com grazoprevir mais elbasvir, com e sem ribavirina e para a duração do tratamento de 12 ou 18 semanas, apresentaram altas taxas de eficácia em pacientes com cirrose3 não tratados previamente e em pacientes com resposta nula anterior ao interferon peguilado (peginterferon) mais ribavirina (PR-null responders) com e sem cirrose3. Estes resultados suportam o desenvolvimento da fase 3 de pesquisa com grazoprevir mais elbasvir.

Fonte: The Lancet, publicação online, de 11 de novembro de 2014

NEWS.MED.BR, 2014. Tratamento com grazoprevir (MK-5172) e elbasvir (MK-8742) com ou sem ribavirina para a infecção pelo vírus da hepatite C: estudo C-WORTHY publicado pelo The Lancet. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/pharma-news/584427/tratamento-com-grazoprevir-mk-5172-e-elbasvir-mk-8742-com-ou-sem-ribavirina-para-a-infeccao-pelo-virus-da-hepatite-c-estudo-c-worthy-publicado-pelo-the-lancet.htm>. Acesso em: 15 nov. 2019.

Complementos

1 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
2 Hepatite: Inflamação do fígado, caracterizada por coloração amarela da pele e mucosas (icterícia), dor na região superior direita do abdome, cansaço generalizado, aumento do tamanho do fígado, etc. Pode ser produzida por múltiplas causas como infecções virais, toxicidade por drogas, doenças imunológicas, etc.
3 Cirrose: Substituição do tecido normal de um órgão (freqüentemente do fígado) por um tecido cicatricial fibroso. Deve-se a uma agressão persistente, infecciosa, tóxica ou metabólica, que produz perda progressiva das células funcionalmente ativas. Leva progressivamente à perda funcional do órgão.
4 Inibidor da protease: Alguns vírus como o HIV e o vírus da hepatite C dependem de proteases (enzimas que quebram ligações peptídicas entre os aminoácidos das proteínas) no seu ciclo reprodutivo, pois algumas proteínas virais são codificadas em uma longa cadeia peptídica, sendo libertadas por proteases para assumir sua conformação ideal e sua função. Os inibidores da protease são desenvolvidos como meios antivirais, pois impedem a correta estruturação do RNA viral.
5 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
6 Genótipo: Composição genética de um indivíduo, ou seja, os genes que ele tem.
7 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
8 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
9 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
10 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
11 Cabeça:
12 Astenia: Sensação de fraqueza, sem perda real da capacidade muscular.
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