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Sulfato de magnésio intravenoso ou em nebulização pode não ajudar muito no tratamento da asma aguda grave: estudo randomizado, publicado pelo The Lancet Respiratory Medicine

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Estudos anteriores sugeriram que o uso de sulfato de magnésio por via intravenosa ou em nebulização1 (MgSO4) pode melhorar a função respiratória em pacientes com asma2 aguda. O objetivo do estudo, publicado pelo periódico The Lancet Respiratory Medicine, foi determinar se o MgSO4 por via intravenosa ou em nebulização1 pode mesmo melhorar os sintomas3 de falta de ar e reduzir a necessidade de internação hospitalar em adultos com asma2 aguda grave.

Participaram do estudo duplo-cego4, controlado por placebo5, adultos (≥ 16 anos) com asma2 aguda grave admitidos em departamentos de emergência6 de 34 hospitais no Reino Unido. Foram excluídos os pacientes com características de risco de vida ou com contraindicação para estudar o medicamento. Foi usado um sistema de randomização central para alocar os participantes que usaram MgSO4 endovenoso (2 g em 20 minutos) ou MgSO4 em nebulização1 (três doses de 500 mg em uma hora) juntamente com a terapia padrão, incluindo o salbutamol7, ou controle de placebo5 mais a terapia padrão sozinha. Foram avaliadas duas medidas de resultado primário em todos os participantes elegíveis que iniciaram o tratamento, de acordo com o grupo de tratamento atribuído: a proporção de pacientes internados no hospital no prazo de sete dias e a falta de ar medida em uma escala analógica visual de 100 mm nas duas horas após o início do tratamento.

Entre 30 de julho de 2008 e 30 de junho de 2012, foram recrutados 1.109 (92%) de 1200 pacientes, 261 (79%) de 332 pacientes alocados para nebulização1 com MgSO4 foram admitidos no hospital antes de 7 dias, assim como os 285 (72%) de 394 pacientes alocados para MgSO4 intravenosa e 281 (78%) de 358 controles. A dispneia8 foi avaliada em 296 (89%) pacientes que fizeram nebulização1 com MgSO4, 357 (91%) pacientes que receberam MgSO4 intravenoso e 323 (90%) dos controles. As taxas de internação hospitalar não diferiram entre os doentes tratados com qualquer forma de MgSO4, comparados aos controles. O MgSO4 intravenoso ou em nebulização1 não diminuiu significativamente as taxas de internação hospitalar e a falta de ar em comparação com o placebo5.

Os resultados sugerem que o MgSO4 em nebulização1 não tem nenhum papel na gestão da asma2 aguda grave em adultos e, na melhor das hipóteses, sugerem um papel limitado para o uso de MgSO4 intravenoso nos pacientes avaliados na pesquisa.

Fonte: The Lancet Respiratory Medicine, publicação online, de 17 de maio de 2013

NEWS.MED.BR, 2013. Sulfato de magnésio intravenoso ou em nebulização pode não ajudar muito no tratamento da asma aguda grave: estudo randomizado, publicado pelo The Lancet Respiratory Medicine. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/pharma-news/354029/sulfato-de-magnesio-intravenoso-ou-em-nebulizacao-pode-nao-ajudar-muito-no-tratamento-da-asma-aguda-grave-estudo-randomizado-publicado-pelo-the-lancet-respiratory-medicine.htm>. Acesso em: 16 out. 2019.

Complementos

1 Nebulização: Método utilizado para administração de fármacos ou fluidificação de secreções respiratórias. Utiliza um mecanismo vaporizador através do qual se favorece a penetração de água ou medicamentos na atmosfera bronquial.
2 Asma: Doença das vias aéreas inferiores (brônquios), caracterizada por uma diminuição aguda do calibre bronquial em resposta a um estímulo ambiental. Isto produz obstrução e dificuldade respiratória que pode ser revertida de forma espontânea ou com tratamento médico.
3 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
4 Estudo duplo-cego: Denominamos um estudo clínico “duplo cego” quando tanto voluntários quanto pesquisadores desconhecem a qual grupo de tratamento do estudo os voluntários foram designados. Denominamos um estudo clínico de “simples cego” quando apenas os voluntários desconhecem o grupo ao qual pertencem no estudo.
5 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
6 Emergência: 1. Ato ou efeito de emergir. 2. Situação grave, perigosa, momento crítico ou fortuito. 3. Setor de uma instituição hospitalar onde são atendidos pacientes que requerem tratamento imediato; pronto-socorro. 4. Eclosão. 5. Qualquer excrescência especializada ou parcial em um ramo ou outro órgão, formada por tecido epidérmico (ou da camada cortical) e um ou mais estratos de tecido subepidérmico, e que pode originar nectários, acúleos, etc. ou não se desenvolver em um órgão definido.
7 Salbutamol: Fármaco padrão para o tratamento da asma. Broncodilatador. Inibidor do trabalho de parto prematuro.
8 Dispnéia: Falta de ar ou dificuldade para respirar caracterizada por respiração rápida e curta, geralmente está associada a alguma doença cardíaca ou pulmonar.
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