Combinação de drogas pode melhorar eficácia do tratamento para câncer de cérebro e de pele

A quimioterapia usada no tratamento de pacientes com glioma – o tipo mais comum de câncer cerebral – e melanoma – o mais agressivo dos tumores de pele – encontra resistência das células tumorais aos medicamentos disponíveis para tratá-los. Esta resistência, embora seja associada aos mecanismos de reparo dessas células dos danos ao seu DNA causados pelos quimioterápicos, envolve muitos outros fatores moleculares.
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Durante o presente estudo, realizado com o apoio da FAPESP, pesquisadores da USP e UFRJ acharam que um desses fatores é o estresse oxidativo – o acúmulo de formas reativas de oxigênio nas células tumorais, como as de glioma e de melanoma. E que uma combinação de duas drogas pode ampliar a eficácia do tratamento para combater esses dois tipos de câncer.
Buscando resposta para entender por que algumas células tumorais são mais resistentes ao tratamento quimioterápico do que outras, os pesquisadores analisaram quatro linhagens diferentes de células de glioma sensíveis e resistentes à temozolomida (TMZ) – quimioterápico que é a principal opção de fármaco disponível hoje para o tratamento de glioma, também usado para combater melanoma ao induzir danos no DNA e aumentar os níveis de estresse oxidativo das células tumorais.
Após o tratamento com TMZ, há uma indução do fator nuclear eritroide 2 relacionado ao fator 2 (NRF-2), que é o principal regulador do fator de transcrição antioxidante nas células humanas. Isto é acompanhado por um aumento da concentração de glutationa (GSH) nas células tumorais. A eficácia desta via foi comprovada pelo silenciamento da expressão do gene NRF-2 (sigla de nuclear fator erythroid 2-related fator 2), que aumentou significativamente a morte celular após o tratamento com TMZ tanto in vitro como in vivo.
Além disso, observou-se maior dano no DNA e morte celular induzida ao combinar butationa sulfoximina (BSO) - um inibidor de síntese da glutationa (GSH) - com TMZ. Efeitos semelhantes também foram observados usando modelos in vitro e in vivo de melanoma, possivelmente indicando que o GSH tem um papel decisivo na resistência à TMZ em uma gama mais ampla de tumores. Assim, um regime combinado de BSO e TMZ configura uma alternativa terapêutica interessante para combater o glioma e o melanoma.
A BSO está em fase de teste clínico em combinação com outros quimioterápicos para o tratamento de outros tipos de câncer. O fármaco já foi aprovado na fase 2 de testes clínicos, que tem o objetivo de obter mais dados de segurança e começar a avaliar a eficácia de um novo medicamento ou procedimento.
Leia o estudo completo: "Estudo possibilita melhorar eficácia de tratamento de câncer de cérebro e de pele".
Fontes:
Oncotarget, em 17 de junho de 2016
Agência FAPESP, em 11 de dezembro de 2017
