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Chupar o dedo e roer as unhas protege contra alergias, segundo estudo publicado pelo Pediatrics

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A Hipótese da Higiene1 sugere que a exposição no início da vida a microrganismos reduz o risco de desenvolver alergias. Chupar o dedo e roer as unhas2 são hábitos comuns da infância e que podem aumentar a exposição a estes estímulos microbianos. Pesquisadores da Nova Zelândia testaram a hipótese de que as crianças que sugam seus polegares ou roem as unhas2 têm um menor risco para o desenvolvimento de atopias, asma3 e febre do feno4, em uma coorte5 de nascimentos de base populacional seguidos até a vida adulta.

Os pais relataram os hábitos de crianças em relação a chupar o dedo e roer as unhas2 quando seus filhos tinham idades entre 5, 7, 9 e 11 anos. A sensibilização atópica foi definida com um teste cutâneo6 positivo para um ou mais alérgenos7 comuns aos 13 e aos 32 anos. As associações entre chupar o dedo e roer as unhas2 na infância e a sensibilização atópica, asma3 e febre do feno4 nestas idades foram avaliadas por meio de regressão logística com ajustes para o sexo e outros fatores de confusão em potencial: atopia nos pais, amamentação8, ter animais de estimação em casa, aglomeração domiciliar, status socioeconômico e tabagismo dos pais.

31% das crianças eram sugadores frequentes do polegar ou roíam as unhas2 em mais de uma das idades avaliadas. Estas crianças tiveram um menor risco de sensibilização atópica nas idades de 13 anos e de 32 anos. Estas associações persistiram quando vários fatores de confusão foram ajustados. As crianças que tinham ambos os hábitos tiveram um menor risco de sensibilização atópica do que aqueles que tinham apenas um dos hábitos. Não foram encontradas associações entre roer as unhas2, chupar o dedo e o desenvolvimento de asma3 ou febre do feno4 em qualquer idade.

Concluiu-se que as crianças que sugam seus polegares ou roem as unhas2 são menos propensas a ter sensibilização atópica na infância e na idade adulta.

Consulte textos sobre temas relacionados: "Asma3 brônquica", "Alergia9 respiratória", "Alergias" e "Rinite10".

 

Fonte: Pediatrics, publicação online, de 11 de julho de 2016

 

NEWS.MED.BR, 2016. Chupar o dedo e roer as unhas protege contra alergias, segundo estudo publicado pelo Pediatrics. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1269073/chupar-o-dedo-e-roer-as-unhas-protege-contra-alergias-segundo-estudo-publicado-pelo-pediatrics.htm>. Acesso em: 17 set. 2019.

Complementos

1 Hipótese da Higiene: Teoria atualmente aceita que preconiza que a melhoria nas condições de higiene, o uso indiscriminado de antibióticos e a vacinação em massa estariam vinculados ao aumento dos casos de alergia. Os mecanismos imunológicos propostos para explicar este fenômeno baseiam-se no fato de que, na ausência de estímulos microbianos, ocorreria um desequilíbrio nas respostas do tipo T helper ou um desequilíbrio no desenvolvimento de mecanismos reguladores.
2 Unhas: São anexos cutâneos formados por células corneificadas (queratina) que formam lâminas de consistência endurecida. Esta consistência dura, confere proteção à extremidade dos dedos das mãos e dos pés. As unhas têm também função estética. Apresentam crescimento contínuo e recebem estímulos hormonais e nutricionais diversos.
3 Asma: Doença das vias aéreas inferiores (brônquios), caracterizada por uma diminuição aguda do calibre bronquial em resposta a um estímulo ambiental. Isto produz obstrução e dificuldade respiratória que pode ser revertida de forma espontânea ou com tratamento médico.
4 Febre do Feno: Doença polínica, polinose, rinite alérgica estacional ou febre do feno. Deve-se à sensibilização aos componentes de polens, sendo que os alérgenos de pólen provocam sintomas clínicos quando em contato com a mucosa do aparelho respiratório e a conjuntiva de indivíduos previamente sensibilizados.
5 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
6 Cutâneo: Que diz respeito à pele, à cútis.
7 Alérgenos: Substância capaz de provocar reação alérgica em certos indivíduos.
8 Amamentação: Ato da nutriz dar o peito e o lactente mamá-lo diretamente. É um fenômeno psico-sócio-cultural. Dar de mamar a; criar ao peito; aleitar; lactar... A amamentação é uma forma de aleitamento, mas há outras formas.
9 Alergia: Reação inflamatória anormal, perante substâncias (alérgenos) que habitualmente não deveriam produzi-la. Entre estas substâncias encontram-se poeiras ambientais, medicamentos, alimentos etc.
10 Rinite: Inflamação da mucosa nasal, produzida por uma infecção viral ou reação alérgica. Manifesta-se por secreção aquosa e obstrução das fossas nasais.
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