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FDA aprova primeiro tratamento para pacientes com cicatrizes hepáticas devido à doença hepática gordurosa

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A Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos concedeu aprovação acelerada ao resmetirom (Rezdiffra) como o primeiro tratamento para adultos com esteato-hepatite1 não alcoólica (EHNA, ou NASH na sigla em inglês) não cirrótica, também conhecida como esteato-hepatite1 associada à disfunção metabólica (EHADM, ou MASH na sigla em inglês).

Um agente oral de uso uma vez ao dia, o resmetirom é um agonista2 seletivo do receptor beta do hormônio3 tireoidiano (THR-β) direcionado ao fígado4, projetado para atingir as principais causas subjacentes da EHNA. O medicamento é indicado especificamente para pacientes5 com EHNA com fibrose6 hepática7 moderada a avançada, consistente com fibrose6 nos estágios F2 a F3, e deve ser usado junto com dieta e exercícios, de acordo com a agência.

“Anteriormente, os pacientes com EHNA que também apresentavam cicatrizes8 hepáticas9 notáveis não tinham um medicamento que pudesse tratar diretamente os danos hepáticos”, disse Nikolay Nikolov, MD, do Centro de Avaliação e Pesquisa de Medicamentos da FDA, em um comunicado. “A aprovação de hoje do Rezdiffra irá, pela primeira vez, proporcionar uma opção de tratamento para estes pacientes, em adição à dieta e exercício”.

A EHNA é o resultado da progressão da doença hepática7 gordurosa não alcoólica, em que a inflamação10 do fígado4, ao longo do tempo, pode causar cicatrizes8 e disfunção hepática7. A EHNA está frequentemente associada a outros problemas de saúde11, como hipertensão12 e diabetes tipo 213.

Segundo pelo menos uma estimativa, aproximadamente 6 a 8 milhões de pessoas nos EUA têm EHNA com cicatrizes8 hepáticas9 moderadas a avançadas, e espera-se que esse número aumente. Rezdiffra é um ativador parcial de um receptor do hormônio3 tireoidiano; a ativação deste receptor por Rezdiffra no fígado4 reduz o acúmulo de gordura14 no fígado4.

Saiba mais sobre "Esteatose hepática15", "Esteatose16 metabólica" e "Esteatose16 alcoólica".

A segurança e eficácia de Rezdiffra foram avaliadas com base na análise de um desfecho substituto no mês 12 do ensaio clínico MAESTRO-NASH, randomizado17, duplo-cego, controlado por placebo18, de 54 meses. O desfecho substituto mediu a extensão da inflamação10 e das cicatrizes8 do fígado4.

Para se inscreverem no estudo, os pacientes precisavam fazer uma biópsia19 hepática7 mostrando inflamação10 devido à EHNA com cicatrizes8 hepáticas9 moderadas ou avançadas, embora as informações de prescrição do medicamento não incluam a exigência de biópsia19 para diagnóstico20, observou a farmacêutica Madrigal Pharmaceuticals.

No ensaio, 888 indivíduos foram distribuídos aleatoriamente para receber um dos seguintes: placebo18 (294 indivíduos); 80 miligramas de Rezdiffra (298 indivíduos); ou 100 miligramas de Rezdiffra (296 indivíduos); uma vez ao dia, além do tratamento padrão para EHNA, que inclui aconselhamento sobre dieta saudável e exercícios.

Aos 12 meses, as biópsias21 hepáticas9 mostraram que uma proporção maior de indivíduos que foram tratados com Rezdiffra alcançou a resolução da EHNA ou uma melhoria nas cicatrizes8 hepáticas9, em comparação com aqueles que receberam o placebo18.

Um total de 26% a 27% dos indivíduos que receberam 80 miligramas de Rezdiffra e 24% a 36% dos indivíduos que receberam 100 miligramas de Rezdiffra apresentaram resolução da EHNA e nenhum agravamento das cicatrizes8 hepáticas9, em comparação com 9% a 13% daqueles que receberam placebo18 e aconselhamento sobre dieta e exercícios. A faixa das respostas reflete as diferentes leituras dos patologistas.

Além disso, um total de 23% dos indivíduos que receberam 80 miligramas de Rezdiffra e 24% a 28% dos indivíduos que receberam 100 miligramas de Rezdiffra experimentaram uma melhoria nas cicatrizes8 hepáticas9 e nenhum agravamento da EHNA, em comparação com 13% a 15% daqueles que receberam placebo18, dependendo da leitura de cada patologista22.

A demonstração destas alterações numa proporção de pacientes após apenas um ano de tratamento é notável, uma vez que a doença normalmente progride lentamente, com a maioria dos pacientes demorando anos ou mesmo décadas para mostrar progressão.

“A aprovação do primeiro medicamento para EHNA representa uma verdadeira mudança de paradigma para os prestadores de cuidados de saúde11, para a comunidade de pesquisa e, mais importante, para os pacientes que vivem com esta grave doença hepática”, disse o pesquisador do MAESTRO Stephen Harrison, MD. “Com base nos dados robustos de eficácia e segurança gerados em dois grandes estudos MAESTRO de fase III, acredito que Rezdiffra se tornará a terapia de base para pacientes5 com EHNA com fibrose6 hepática7 moderada a avançada”.

Os efeitos colaterais23 mais comuns do Rezdiffra incluíram diarreia24 e náusea25. Rezdiffra vem com certas advertências e precauções, como toxicidade26 hepática7 induzida por medicamentos e efeitos colaterais23 relacionados à vesícula biliar27.

O uso de Rezdiffra deve ser evitado em pacientes com cirrose28 descompensada. Os pacientes devem parar de usar Rezdiffra se desenvolverem sinais29 ou sintomas30 de piora da função hepática7 durante o tratamento com Rezdiffra.

O uso de Rezdiffra ao mesmo tempo que outros medicamentos, em particular estatinas para redução do colesterol31, pode resultar em interações medicamentosas potencialmente significativas. Os prestadores de cuidados de saúde11 devem consultar as informações completas de prescrição para obter informações adicionais sobre essas interações medicamentosas potencialmente significativas com Rezdiffra, dosagem recomendada e modificações na administração.

Como condição para a aprovação acelerada, a Madrigal Pharmaceuticals será obrigada a realizar um estudo pós-comercialização para verificar e descrever o benefício clínico do medicamento na população de pacientes.

Essa pesquisa irá “determinar se os resultados positivos observados nos estudos MAESTRO levarão à redução do risco de progressão para cirrose28, insuficiência hepática32, necessidade de transplante de fígado4 e mortalidade33 prematura”, disse Harrison.

Leia sobre "Biópsia19 de fígado4", "Insuficiência hepática32" e "Cirrose28 hepática7".

 

Fontes:
Food and Drug Administration, comunicado publicado em 14 de março de 2024.
MedPage Today, notícia publicada em 14 de março de 2024.

 

NEWS.MED.BR, 2024. FDA aprova primeiro tratamento para pacientes com cicatrizes hepáticas devido à doença hepática gordurosa. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/novos-medicamentos/1467137/fda-aprova-primeiro-tratamento-para-pacientes-com-cicatrizes-hepaticas-devido-a-doenca-hepatica-gordurosa.htm>. Acesso em: 28 mai. 2024.

Complementos

1 Hepatite: Inflamação do fígado, caracterizada por coloração amarela da pele e mucosas (icterícia), dor na região superior direita do abdome, cansaço generalizado, aumento do tamanho do fígado, etc. Pode ser produzida por múltiplas causas como infecções virais, toxicidade por drogas, doenças imunológicas, etc.
2 Agonista: 1. Em farmacologia, agonista refere-se às ações ou aos estímulos provocados por uma resposta, referente ao aumento (ativação) ou diminuição (inibição) da atividade celular. Sendo uma droga receptiva. 2. Lutador. Na Grécia antiga, pessoa que se dedicava à ginástica para fortalecer o físico ou como preparação para o serviço militar.
3 Hormônio: Substância química produzida por uma parte do corpo e liberada no sangue para desencadear ou regular funções particulares do organismo. Por exemplo, a insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que diz a outras células quando usar a glicose para energia. Hormônios sintéticos, usados como medicamentos, podem ser semelhantes ou diferentes daqueles produzidos pelo organismo.
4 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
5 Para pacientes: Você pode utilizar este texto livremente com seus pacientes, inclusive alterando-o, de acordo com a sua prática e experiência. Conheça todos os materiais Para Pacientes disponíveis para auxiliar, educar e esclarecer seus pacientes, colaborando para a melhoria da relação médico-paciente, reunidos no canal Para Pacientes . As informações contidas neste texto são baseadas em uma compilação feita pela equipe médica da Centralx. Você deve checar e confirmar as informações e divulgá-las para seus pacientes de acordo com seus conhecimentos médicos.
6 Fibrose: 1. Aumento das fibras de um tecido. 2. Formação ou desenvolvimento de tecido conjuntivo em determinado órgão ou tecido como parte de um processo de cicatrização ou de degenerescência fibroide.
7 Hepática: Relativa a ou que forma, constitui ou faz parte do fígado.
8 Cicatrizes: Formação de um novo tecido durante o processo de cicatrização de um ferimento.
9 Hepáticas: Relativas a ou que forma, constitui ou faz parte do fígado.
10 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
11 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
12 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
13 Diabetes tipo 2: Condição caracterizada por altos níveis de glicose causada tanto por graus variáveis de resistência à insulina quanto por deficiência relativa na secreção de insulina. O tipo 2 se desenvolve predominantemente em pessoas na fase adulta, mas pode aparecer em jovens.
14 Gordura: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Os alimentos que fornecem gordura são: manteiga, margarina, óleos, nozes, carnes vermelhas, peixes, frango e alguns derivados do leite. O excesso de calorias é estocado no organismo na forma de gordura, fornecendo uma reserva de energia ao organismo.
15 Esteatose hepática: Esteatose hepática ou “fígado gorduroso“ é o acúmulo de gorduras nas células do fígado.
16 Esteatose: Degenerescência gordurosa de um tecido.
17 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
18 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
19 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
20 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
21 Biópsias: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
22 Patologista: Estudioso ou especialista em patologia, que é a especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo.
23 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
24 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
25 Náusea: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc.
26 Toxicidade: Capacidade de uma substância produzir efeitos prejudiciais ao organismo vivo.
27 Vesícula Biliar: Reservatório para armazenar secreção da BILE. Através do DUCTO CÍSTICO, a vesícula libera para o DUODENO ácidos biliares em alta concentração (e de maneira controlada), que degradam os lipídeos da dieta.
28 Cirrose: Substituição do tecido normal de um órgão (freqüentemente do fígado) por um tecido cicatricial fibroso. Deve-se a uma agressão persistente, infecciosa, tóxica ou metabólica, que produz perda progressiva das células funcionalmente ativas. Leva progressivamente à perda funcional do órgão.
29 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
30 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
31 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
32 Insuficiência hepática: Deterioração grave da função hepática. Pode ser decorrente de hepatite viral, cirrose e hepatopatia alcoólica (lesão hepática devido ao consumo de álcool) ou medicamentosa (causada por medicamentos como, por exemplo, o acetaminofeno). Para que uma insuficiência hepática ocorra, deve haver uma lesão de grande porção do fígado.
33 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
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