Gostou do artigo? Compartilhe!

Incidência de hipercalciúria e hipercalcemia durante a suplementação de cálcio e de vitamina D em mulheres na pós-menopausa

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie esta notícia

Este estudo teve como objetivo avaliar prospectivamente a incidência1 de hipercalciúria2 e hipercalcemia com diferentes doses de vitamina3 D e com uma ingestão de cálcio de aproximadamente 1.200 mg/dia.

O estudo randomizado4, controlado com placebo5, foi publicado pelo periódico Menopause, e constou de um ano de uso de vitamina3 D (400-4.800 UI/dia) em 163 mulheres brancas, com idades entre 57 e 90 anos. Comprimidos de citrato de cálcio (200 mg) foram adicionados à dieta para alcançar um consumo total de cálcio de cerca de 1.200 mg/dia em todos os grupos. Todas as mulheres tinham insuficiência6 de vitamina3 D no início da pesquisa, com níveis séricos de 25-hidroxivitamina D inferiores a 20 ng/mL (50 nmol/L). O cálcio no soro7 e na urina8 de 24 horas foi coletado a cada três meses nas mulheres em suplementação9, qualquer resultado do teste acima da faixa de referência superior representou um episódio de hipercalcemia ou hipercalciúria2. Modelos de efeitos mistos e de regressão logística multivariada foram utilizados na análise.

Os resultados mostraram que a hipercalcemia (>10,2 mg/dL10 [2,55 mmol/L11]) ocorreu em 8,8% das mulheres brancas. A hipercalciúria2 (>300 mg/d [7,5 mmol]) ocorreu em 30,6% das mulheres brancas. Episódios de hipercalciúria2 foram transitórios na metade do grupo e recorrentes na outra metade. Nenhuma relação entre a hipercalcemia ou hipercalciúria2 e doses de vitamina3 D foi encontrada e a hipercalciúria2 foi igualmente comum no grupo placebo5.

Concluiu-se que a hipercalciúria2 e hipercalcemia geralmente ocorrem com o uso de suplementação9 de vitamina3 D e cálcio. Se a hipercalciúria2 e a hipercalcemia são causadas pelo cálcio, pela vitamina3 D ou por ambos, isso ainda é incerto. Estes resultados podem ter relevância para o aumento relatado de pedras nos rins12 no ensaio clínico Women's Health Initiative. Como 1.200 mg de cálcio e 800 UI/dia vitamina3 D são amplamente recomendados a mulheres na pós-menopausa13, uma avaliação sistemática da segurança do uso desses suplementos está garantida no manejo clínico e em estudos futuros.

Fonte: Menopause - The Journal of the North American Menopause Society, volume 21, número 6, de 16 de junho de 2014 

NEWS.MED.BR, 2014. Incidência de hipercalciúria e hipercalcemia durante a suplementação de cálcio e de vitamina D em mulheres na pós-menopausa. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/549292/incidencia-de-hipercalciuria-e-hipercalcemia-durante-a-suplementacao-de-calcio-e-de-vitamina-d-em-mulheres-na-pos-menopausa.htm>. Acesso em: 30 mai. 2020.

Complementos

1 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
2 Hipercalciúria: Eliminação de quantidade anormalmente grande de cálcio na urina.
3 Vitamina: Compostos presentes em pequenas quantidades nos diversos alimentos e nutrientes e que são indispensáveis para o desenvolvimento dos processos biológicos normais.
4 Estudo randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle - o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
5 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
6 Insuficiência: Incapacidade de um órgão ou sistema para realizar adequadamente suas funções.Manifesta-se de diferentes formas segundo o órgão comprometido. Exemplos: insuficiência renal, hepática, cardíaca, respiratória.
7 Soro: Chama-se assim qualquer líquido de características cristalinas e incolor.
8 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
9 Suplementação: Que serve de suplemento para suprir o que falta, que completa ou amplia.
10 Mg/dL: Miligramas por decilitro, unidade de medida que mostra a concentração de uma substância em uma quantidade específica de fluido.
11 Mmol/L: Milimols por litro, unidade de medida que mostra a concentração de uma substância em uma quantidade específica de fluido.
12 Rins: Órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
13 Menopausa: Estado fisiológico caracterizado pela interrupção dos ciclos menstruais normais, acompanhada de alterações hormonais em mulheres após os 45 anos.
Gostou do artigo? Compartilhe!