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Ferramenta de risco poligênico pode detectar cânceres de próstata clinicamente significativos

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Entre homens no grupo de risco1 mais alto para câncer2 de próstata3, conforme determinado por um escore de risco poligênico, a porcentagem que se descobriu ter doença clinicamente significativa foi maior do que a porcentagem que teria sido identificada com rastreamento por antígeno4 prostático específico (PSA) ou por ressonância magnética5, mostrou o estudo BARCODE1 cujos resultados foram publicados no The New England Journal of Medicine.

Entre 187 participantes com câncer2 de próstata3 detectado, 55,1% tinham câncer2 classificado como de risco intermediário ou superior (escore de Gleason ≥7) de acordo com os critérios da National Comprehensive Cancer2 Network (NCCN) de 2024, indicando a necessidade de tratamento, com 21,4% tendo câncer2 classificado como de risco intermediário desfavorável, ou de risco alto ou muito alto, relataram Rosalind A. Eeles, PhD, do Instituto de Pesquisa do Câncer2 de Londres, e colegas.

É importante ressaltar que o câncer2 não teria sido detectado em 71,8% dos participantes de acordo com a via de diagnóstico6 de câncer2 de próstata3 atualmente utilizada no Reino Unido: um nível alto de PSA e resultados positivos de ressonância magnética5.

Além disso, dos homens com câncer2 classificado como de risco intermediário desfavorável, alto ou muito alto, 42,5% não teriam sido diagnosticados com o uso do critério padrão, enquanto o diagnóstico6 de câncer2 de próstata3 teria sido evitado em 97,6% daqueles com câncer2 classificado como de risco baixo ou muito baixo.

As estimativas de sobrediagnóstico7 com o escore de risco poligênico variaram de 15,6% a 20,8%, semelhante às estimativas em dois estudos anteriores de rastreamento por PSA, disseram os autores.

Leia sobre "Câncer2 de Próstata3 - o que é", "Antígeno4 Prostático Específico ou PSA" e "Como é a biópsia8 da próstata3".

Em um editorial que acompanhou a publicação do estudo, David J. Hunter, da Universidade de Oxford e da Harvard T.H. Chan School of Public Health, afirmou que o estudo “sugere que, se disponível, um escore de risco poligênico para câncer2 de próstata3 seria um componente útil de um programa de rastreamento multimodal que avalia idade, histórico familiar de câncer2 de próstata3, PSA e resultados de ressonância magnética5 como ferramentas de triagem antes da recomendação da biópsia8.”

“Para tornar este programa integrado uma realidade, no entanto, seriam necessárias mudanças na infraestrutura para tornar a execução e a análise de um microarranjo genômico regulamentado tão fácil quanto solicitar um nível de PSA ou uma ressonância magnética”, acrescentou. “Claramente, estamos longe desse futuro.”

Hunter sugeriu que menos infraestrutura poderia ser necessária em um programa que envolvesse solicitar um escore de risco poligênico apenas para homens com resultado positivo de PSA, usando então o escore para determinar quem deveria se submeter a uma ressonância magnética5 e, finalmente, usar todas as informações para decidir se a biópsia8 deveria ser realizada.

“O estudo atual é o primeiro passo em um longo caminho para avaliar novos componentes de qualquer fluxo de rastreamento de doenças”, concluiu.

Os autores reconheceram várias limitações do estudo, principalmente o fato de a participação ter sido limitada a pessoas de ascendência europeia devido às limitações do escore de risco poligênico no momento do início do estudo.

No entanto, essa avaliação “fornece uma estrutura para a construção de pesquisas futuras sobre o papel do risco genético no rastreamento do câncer2 em pessoas de ascendência não europeia”, escreveram. “Essas pessoas incluem aquelas com maior risco de câncer2 de próstata3, como pessoas de ascendência negra africana e caribenha.”

Veja a seguir o resumo do artigo publicado.

Avaliação de um escore de risco poligênico no rastreamento do câncer2 de próstata3

A incidência9 de câncer2 de próstata3 está aumentando. O rastreamento com um ensaio de antígeno4 prostático específico (PSA) apresenta uma alta taxa de resultados falso-positivos. Estudos de associação genômica identificaram variantes germinativas comuns em pessoas com câncer2 de próstata3, que podem ser usadas para calcular um escore de risco poligênico associado ao risco de câncer2 de próstata3.

Recrutou-se pessoas de 55 a 69 anos de idade em centros de atenção primária no Reino Unido. Utilizando DNA da linha germinativa extraído da saliva, derivou-se escores de risco poligênico a partir de 130 variantes sabidamente associadas a um risco aumentado de câncer2 de próstata3. Participantes com escore de risco poligênico no percentil 90 ou superior foram convidados a se submeter ao rastreamento do câncer2 de próstata3 com ressonância magnética5 (RM) multiparamétrica e biópsia8 transperineal, independentemente do nível de PSA.

Entre 40.292 pessoas convidadas a participar, 8.953 (22,2%) manifestaram interesse em participar e 6.393 tiveram seu escore de risco poligênico calculado; 745 (11,7%) apresentaram escore de risco poligênico igual ou superior ao percentil 90 e foram convidadas a realizar o rastreamento.

Desses 745 participantes, 468 (62,8%) foram submetidos a ressonância magnética5 e biópsia8 de próstata3; câncer2 de próstata3 foi detectado em 187 participantes (40,0%). A mediana de idade no diagnóstico6 foi de 64 anos (variação de 57 a 73).

Dos 187 participantes com câncer2, 103 (55,1%) apresentaram câncer2 de próstata3 classificado como de risco intermediário ou superior, de acordo com os critérios da National Comprehensive Cancer2 Network (NCCN) de 2024, portanto, o tratamento foi indicado; o câncer2 não teria sido detectado em 74 (71,8%) desses participantes de acordo com o fluxo de diagnóstico6 de câncer2 de próstata3 atualmente utilizado no Reino Unido (nível elevado de PSA e resultados positivos de ressonância magnética5).

Além disso, 40 dos participantes com câncer2 (21,4%) apresentaram doença classificada como de risco intermediário desfavorável ou de risco alto ou muito alto, de acordo com os critérios da NCCN.

O estudo concluiu que, em um programa de rastreamento do câncer2 de próstata3 envolvendo participantes no decil superior de risco, conforme determinado por uma pontuação de risco poligênico, a porcentagem que se descobriu ter doença clinicamente significativa foi maior do que a porcentagem que teria sido identificada com o uso de PSA ou ressonância magnética5.

Veja também sobre "Genética - conceitos básicos", "Exame genético" e "Câncer2 de próstata3 - quando agendar uma consulta".

 

Fontes:
The New England Journal of Medicine, Vol. 392, N° 14, em 09 de abril de 2025.
MedPage Today, notícia publicada em 09 de abril de 2025.

 

NEWS.MED.BR, 2025. Ferramenta de risco poligênico pode detectar cânceres de próstata clinicamente significativos. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1493620/ferramenta-de-risco-poligenico-pode-detectar-canceres-de-prostata-clinicamente-significativos.htm>. Acesso em: 29 ago. 2025.

Complementos

1 Grupo de risco: Em medicina, um grupo de risco corresponde a uma população sujeita a determinados fatores ou características, que a tornam mais susceptível a ter ou adquirir determinada doença.
2 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
3 Próstata: Glândula que (nos machos) circunda o colo da BEXIGA e da URETRA. Secreta uma substância que liquefaz o sêmem coagulado. Está situada na cavidade pélvica (atrás da parte inferior da SÍNFISE PÚBICA, acima da camada profunda do ligamento triangular) e está assentada sobre o RETO.
4 Antígeno: 1. Partícula ou molécula capaz de deflagrar a produção de anticorpo específico. 2. Substância que, introduzida no organismo, provoca a formação de anticorpo.
5 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
6 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
7 Sobrediagnóstico: Diagnóstico de uma doença que nunca provocará sintomas ou a morte de um(a) paciente.
8 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
9 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
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