Gostou do artigo? Compartilhe!

Alterações dinâmicas no ECG são um novo marcador de risco para morte súbita cardíaca

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie esta notícia

Um estudo de duas coortes comunitárias, publicado no European Heart Journal, mostrou que indivíduos que sofreram morte súbita cardíaca (MSC) apresentaram remodelação elétrica dinâmica e progressiva em seu ECG ao longo do tempo, bem antes do evento de MSC, o que não estava presente no grupo controle pareado sem MSC.

A remodelação dinâmica do ECG foi medida como a progressão de uma pontuação cumulativa de risco elétrico de ECG de 6 variáveis previamente validada. A remodelação dinâmica do ECG melhorou a previsão do risco de MSC para além dos fatores clínicos combinados com o ECG estático, com validação bem-sucedida em uma população geograficamente distinta.

Os achados apontam que é hora de mudar o foco para a análise dinâmica de ECG ao longo do tempo, para uma abordagem aprimorada na prevenção da MSC.

Leia sobre "Prevenção em saúde1: sete sinais2 e sintomas3 que não devem ser ignorados".

No artigo, os pesquisadores relatam que anormalidades no eletrocardiograma4 (ECG) foram avaliadas como marcadores de risco estáticos para morte súbita cardíaca (MSC), mas a importância potencial da remodelação dinâmica do ECG não foi investigada.

Neste estudo, a natureza e a prevalência5 da remodelação dinâmica do ECG foram estudadas entre indivíduos que eventualmente sofreram MSC.

A população do estudo foi extraída de dois estudos prospectivos de MSC baseados na comunidade em Oregon (2002, coorte6 de descoberta) e Califórnia (2015, coorte6 de validação), EUA. Para este presente subestudo, 231 casos de descoberta (2015-17) e 203 casos de validação (2015-21) com ≥2 ECGs pré-MSC arquivados foram verificados e então comparados com 234 controles de descoberta e 203 controles de validação com base em idade, sexo e duração entre os ECGs.

A remodelação dinâmica do ECG foi medida como a progressão de uma pontuação cumulativa de risco elétrico de ECG de seis variáveis previamente validada.

Os casos de MSC da coorte6 de Oregon apresentaram maior aumento na pontuação de risco elétrico ao longo do tempo em comparação aos controles (+1,06 [intervalo de confiança de 95% +0,89 a +1,24] vs. -0,05 [-0,21 to +0,11]; P <0,001).

Essas descobertas foram replicadas com sucesso na coorte6 da Califórnia (+0,87 [+0,7 a +1,04] vs. -0,11 [-0,27 a 0,05]; P <0,001).

Em modelos multivariáveis, a remodelação dinâmica anormal do ECG melhorou a previsão de MSC em relação ao ECG basal, dados demográficos e fatores de risco clínicos de MSC em ambas as coortes de Oregon (área sob a curva característica de operação do receptor 0,770 [intervalo de confiança de 95% 0,727-0,812] aumentada para área sob a curva característica de operação do receptor 0,869 [intervalo de confiança de 95% 0,837-0,902]) e da Califórnia.

Estas descobertas introduzem um novo conceito de risco dinâmico de MSC e justificam uma investigação mais detalhada.

Saiba mais sobre "O que é morte súbita", "Como é feito o eletrocardiograma4" e "Doenças cardiovasculares7".

 

Fonte: European Heart Journal, publicação em 13 de novembro de 2023.

 

NEWS.MED.BR, 2023. Alterações dinâmicas no ECG são um novo marcador de risco para morte súbita cardíaca. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1462277/alteracoes-dinamicas-no-ecg-sao-um-novo-marcador-de-risco-para-morte-subita-cardiaca.htm>. Acesso em: 28 fev. 2024.

Complementos

1 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
2 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
3 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
4 Eletrocardiograma: Registro da atividade elétrica produzida pelo coração através da captação e amplificação dos pequenos potenciais gerados por este durante o ciclo cardíaco.
5 Prevalência: Número de pessoas em determinado grupo ou população que são portadores de uma doença. Número de casos novos e antigos desta doença.
6 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
7 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
Gostou do artigo? Compartilhe!