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Estudo aponta associação entre hipertensão recente e não tratada e o desenvolvimento de miomas na meia-idade

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Entre mulheres de meia idade, a hipertensão1 não tratada e a hipertensão1 recente foram associadas a um risco aumentado de desenvolver miomas, enquanto a hipertensão1 tratada foi associada a um risco menor, mostrou um estudo prospectivo2 publicado no periódico Fertility and Sterility.

Numa análise de mais de 2.500 mulheres de meia-idade sem histórico de miomas, aquelas com hipertensão1 não tratada tiveram um risco 25% maior de diagnóstico3 de miomas em comparação com aquelas sem hipertensão1, e as mulheres com hipertensão1 de início recente tiveram um risco 54% maior, relatou Susanna Mitro, PhD, cientista pesquisadora do Kaiser Permanente Northern California, durante uma apresentação na reunião anual da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM).

Por outro lado, as mulheres que já faziam uso de medicação anti-hipertensiva tinham um risco 38% menor, e se estivessem em uso de um inibidor da enzima4 conversora de angiotensina (ECA), o risco era 48% menor.

“Esses resultados sugerem que o controle da pressão arterial5 pode sugerir uma oportunidade para prevenir o desenvolvimento clinicamente aparente de miomas na meia-idade, que é um período de alto risco para os miomas se tornarem clinicamente aparentes”, disse Mitro.

Ela observou que aos 50 anos, 70% a 80% das pessoas que ainda têm útero6 terão miomas.

“Mas, apesar desta morbidade7 ginecológica muito comum, a etiologia8 dos miomas não é completamente compreendida”, acrescentou ela. “Portanto, se pudermos controlar a pressão arterial5 e, como resultado, prevenir o desenvolvimento de miomas, isso seria uma vitória para o tratamento de miomas e, em segundo lugar, ofereceria algumas informações sobre a etiologia8 dos miomas”.

Saiba mais sobre "Miomas uterinos" e "Sintomas9 da hipertensão arterial10".

Pesquisas anteriores indicaram que o sistema renina-angiotensina (SRA) pode impactar o desenvolvimento de miomas porque os hormônios trabalham juntos para aumentar a pressão arterial5, explicou Mitro. Os inibidores da ECA interferem na via do SRA, portanto, trabalhar sobre os achados do inibidor da ECA vistos aqui, que podem oferecer informações sobre a etiologia8 dos miomas, é um dos próximos passos de Mitro.

Em um comunicado de imprensa da ASRM, Steven L. Young, MD, PhD, presidente da Sociedade de Endocrinologia Reprodutiva e Infertilidade11, disse que esta pesquisa “ajuda a nós e às nossas pacientes a compreender melhor o impacto total dos miomas uterinos. Está muito além do sistema reprodutivo.”

No artigo os pesquisadores relatam que os miomas uterinos são neoplasias12 benignas comuns associadas à morbidade7 ginecológica grave entre mulheres em idade reprodutiva. Embora estudos transversais indiquem associações positivas de hipertensão1 com risco de miomas, os estudos prospectivos são inconsistentes.

Então, examinou-se prospectivamente as associações de hipertensão1, tratamento anti-hipertensivo e fatores de risco cardiovascular (antropometria e biomarcadores sanguíneos) com incidência13 de diagnóstico3 de mioma na meia-idade.

As participantes da coorte14 multilocal do Study of Women's Health Across the Nation (SWAN) (idade 42-52 anos, n = 3.302) relataram seu histórico de diagnóstico3 de mioma no momento da inscrição (1996-1997) e em 13 consultas semestrais de acompanhamento (1998-2013). Mediu-se pressão arterial5, antropometria e biomarcadores (colesterol15, triglicerídeos, proteína C reativa) nas consultas iniciais e de acompanhamento.

A duração da hipertensão1 foi definida usando o status de hipertensão1 de consultas atuais e anteriores (hipertensão1 de início recente, hipertensão1 pré-existente ou nunca hipertensa [referência]); o controle da hipertensão1 foi definido usando a pressão arterial5 da consulta atual e o tratamento anti-hipertensivo (hipertensão1 não tratada, tratada e controlada, tratada e mal controlada ou sem hipertensão1 [referência]). Além disso, estimou-se o efeito do tratamento anti-hipertensivo (versus nenhum tratamento) entre as participantes com hipertensão1.

Utilizou-se modelos de sobrevida16 de tempo distinto para estimar taxas de risco (HR) e intervalos de confiança (IC) de 95% para associações de hipertensão1 variável no tempo, tratamento anti-hipertensivo, antropometria, biomarcadores e diagnósticos de miomas incidentes17, ajustados para variáveis demográficas e de utilização de cuidados de saúde18.

Entre 2.570 participantes sem histórico de miomas diagnosticados no início do estudo, 526 (20%) relataram um novo diagnóstico3 de miomas durante o acompanhamento.

O risco variou de acordo com o controle da hipertensão1: em comparação com a ausência de hipertensão1, a hipertensão1 não tratada foi associada a um risco 25% maior de miomas recém-diagnosticados (HR = 1,25, IC 95%: 0,95, 1,64). Entre as mulheres hipertensas, o uso de medicamentos anti-hipertensivos (versus nenhum uso) foi associado a um risco 38% menor de miomas recém-diagnosticados (HR = 0,62, IC 95%: 0,38, 1,02).

O risco também variou de acordo com a duração da hipertensão1: em comparação com mulheres que nunca foram hipertensas, as mulheres com hipertensão1 recente tiveram um risco 54% maior de miomas recém-diagnosticados (HR = 1,54, IC 95%: 1,02, 2,31), mas as mulheres com hipertensão1 pré-existente mostraram pouco efeito (HR = 1,05, IC 95%: 0,83, 1,32).

Fatores antropométricos e biomarcadores sanguíneos não foram sensivelmente associados ao risco de miomas recém-diagnosticados.

O estudo concluiu que a hipertensão1 não tratada e a hipertensão1 de início recente foram associadas ao risco aumentado de miomas recém-diagnosticados, enquanto o tratamento anti-hipertensivo entre mulheres hipertensas foi associado a um risco menor. A investigação dos mecanismos é necessária.

Os resultados, portanto, indicam associações entre hipertensão1 e risco de miomas recém-diagnosticados, o que, se causal, poderia elucidar a etiologia8 dos miomas e sugerir novas estratégias não hormonais para prevenir miomas.

Leia sobre "O que vem a ser pressão arterial5" e "Mecanismos de ação dos anti-hipertensivos".

 

Fontes:
Fertility and Sterility, Vol. 120, Nº 4, em outubro de 2023.
MedPage Today, notícia publicada em 20 de outubro de 2023.

 

NEWS.MED.BR, 2023. Estudo aponta associação entre hipertensão recente e não tratada e o desenvolvimento de miomas na meia-idade. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1461254/estudo-aponta-associacao-entre-hipertensao-recente-e-nao-tratada-e-o-desenvolvimento-de-miomas-na-meia-idade.htm>. Acesso em: 27 mai. 2024.

Complementos

1 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
2 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
3 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
4 Enzima: Proteína produzida pelo organismo que gera uma reação química. Por exemplo, as enzimas produzidas pelo intestino que ajudam no processo digestivo.
5 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
6 Útero: Orgão muscular oco (de paredes espessas), na pelve feminina. Constituído pelo fundo (corpo), local de IMPLANTAÇÃO DO EMBRIÃO e DESENVOLVIMENTO FETAL. Além do istmo (na extremidade perineal do fundo), encontra-se o COLO DO ÚTERO (pescoço), que se abre para a VAGINA. Além dos istmos (na extremidade abdominal superior do fundo), encontram-se as TUBAS UTERINAS.
7 Morbidade: Morbidade ou morbilidade é a taxa de portadores de determinada doença em relação à população total estudada, em determinado local e em determinado momento.
8 Etiologia: 1. Ramo do conhecimento cujo objeto é a pesquisa e a determinação das causas e origens de um determinado fenômeno. 2. Estudo das causas das doenças.
9 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
10 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
11 Infertilidade: Capacidade diminuída ou ausente de gerar uma prole. O termo não implica a completa inabilidade para ter filhos e não deve ser confundido com esterilidade. Os clínicos introduziram elementos físicos e temporais na definição. Infertilidade é, portanto, freqüentemente diagnosticada quando, após um ano de relações sexuais não protegidas, não ocorre a concepção.
12 Neoplasias: Termo que denomina um conjunto de doenças caracterizadas pelo crescimento anormal e em certas situações pela invasão de órgãos à distância (metástases). As neoplasias mais frequentes são as de mama, cólon, pele e pulmões.
13 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
14 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
15 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
16 Sobrevida: Prolongamento da vida além de certo limite; prolongamento da existência além da morte, vida futura.
17 Incidentes: 1. Que incide, que sobrevém ou que tem caráter secundário; incidental. 2. Acontecimento imprevisível que modifica o desenrolar normal de uma ação. 3. Dificuldade passageira que não modifica o desenrolar de uma operação, de uma linha de conduta.
18 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
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