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Neutrófilos desempenham um papel fundamental na determinação do sucesso da imunoterapia contra o câncer

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Destaques

  • Células1 imunes chamadas neutrófilos2 podem afetar o sucesso da imunoterapia no tratamento do câncer3.
  • O tipo de neutrófilo é crítico para a resposta ao tratamento porque alguns neutrófilos2 promovem o crescimento do tumor4 enquanto outros combatem as células1 cancerígenas.
  • Os tumores que respondem bem à imunoterapia contêm mais neutrófilos2 que combatem o câncer3.
  • As descobertas, baseadas no trabalho em camundongos e na análise dos resultados em pacientes com câncer3, sugerem que os pesquisadores podem manipular os neutrófilos2 para tornar as terapias contra o câncer3 mais eficazes.

As imunoterapias contra o câncer3 que recrutam o próprio sistema imunológico5 do paciente para destruir os tumores transformaram o tratamento de muitos tipos de câncer3. No entanto, essas terapias não provocam respostas de tratamento universalmente boas. Por que eles funcionam em alguns pacientes, mas não em outros, permanece um mistério e um desafio clínico contínuo.

Um novo estudo, publicado na revista Cell e liderado por pesquisadores da Harvard Medical School, da Universidade de Genebra e do Ludwig Cancer3 Research, lança luz sobre essa mesma questão, explorando como o sistema imunológico5 difere com base na resposta à imunoterapia.

O trabalho, baseado em pesquisas em camundongos, incluiu uma análise dos resultados em pacientes com câncer3 e mostra que as células1 imunes chamadas neutrófilos2 desempenham um papel fundamental no sucesso da imunoterapia.

Os cientistas descobriram que os neutrófilos2 têm identidades moleculares diferentes: alguns promovem o crescimento do tumor4, enquanto outros combatem as células1 cancerígenas, e são esses neutrófilos2 que combatem o câncer3 que eram mais abundantes nos tumores que responderam bem à imunoterapia.

O estudo ilumina um aspecto fundamental de como o sistema imunológico5 responde ao câncer3.

Leia sobre "Conhecendo o sistema imunológico5" e "Imunoterapia".

Se confirmados em estudos posteriores, os resultados podem formar a base de novos tratamentos que visam os neutrófilos2 para aumentar a resposta imune contra tumores e tornar a imunoterapia mais eficaz.

“Queríamos entender o que há de especial em um sistema imunológico5 que ataca com sucesso um tumor4, em comparação com um que não o faz – o que é extremamente importante, porque pode levar a novas estratégias para desencadear uma terapia bem-sucedida”, disse Allon Klein, professor associado de biologia de sistemas no Instituto Blavatnik da HMS e co-autor sênior6 do artigo.

Elucidar as diferenças do sistema imunológico5, disse a equipe de pesquisa, é fundamental para otimizar o tratamento do câncer3.

“As razões para as falhas da imunoterapia permanecem amplamente desconhecidas”, disse o co-autor sênior6 Mikaël Pittet, professor de medicina da UNIGE e pesquisador do Ludwig Institute for Cancer3 Research. “Decifrar os componentes imunológicos envolvidos é fundamental para desenvolver tratamentos mais avançados e fazer das imunoterapias uma verdadeira revolução terapêutica7.”

No artigo os pesquisadores relatam como uma resposta de neutrófilos2 está ligada ao controle do tumor4 na imunoterapia.

Eles contextualizam que os neutrófilos2 se acumulam em tumores sólidos e sua abundância se correlaciona com mau prognóstico8. Os neutrófilos2 não são homogêneos, no entanto, e podem desempenhar papéis diferentes na terapia do câncer3.

Neste estudo, investigou-se o papel dos neutrófilos2 na imunoterapia, levando ao controle do tumor4. Mostrou-se que terapias bem-sucedidas expandiram agudamente o número de neutrófilos2 tumorais. Essa expansão pode ser atribuída a um estado Sellhi e não a outros neutrófilos2 que aceleram a progressão do tumor4.

Os neutrófilos2 induzidos pela terapia adquiriram uma assinatura do gene do interferon, também observada em pacientes humanos, e pareceram essenciais para o sucesso da terapia, pois a perda do fator de transcrição IRF-1 responsivo ao interferon em neutrófilos2 levou à falha da imunoterapia.

A resposta dos neutrófilos2 dependia de componentes-chave da imunidade9 antitumoral, incluindo células dendríticas10 dependentes de BATF3, IL-12 e IFNγ.

Além disso, descobriu-se que uma resposta sistêmica de neutrófilos2 induzida por terapia se correlacionou positivamente com o resultado da doença em pacientes com câncer3 de pulmão11.

Assim, estabeleceu-se um papel crucial de um estado dos neutrófilos2 na mediação da terapia eficaz contra o câncer3.

Veja também sobre "Composição e funções do sangue12".

 

Fontes:
Cell, Vol. 186, Nº 7, em 30 de março de 2023.
Harvard Medical School, notícia publicada em 30 de março de 2023.

 

NEWS.MED.BR, 2023. Neutrófilos desempenham um papel fundamental na determinação do sucesso da imunoterapia contra o câncer. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1436390/neutrofilos-desempenham-um-papel-fundamental-na-determinacao-do-sucesso-da-imunoterapia-contra-o-cancer.htm>. Acesso em: 13 jul. 2024.

Complementos

1 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
2 Neutrófilos: Leucócitos granulares que apresentam um núcleo composto de três a cinco lóbulos conectados por filamenos delgados de cromatina. O citoplasma contém grânulos finos e inconspícuos que coram-se com corantes neutros.
3 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
4 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
5 Sistema imunológico: Sistema de defesa do organismo contra infecções e outros ataques de micro-organismos que enfraquecem o nosso corpo.
6 Sênior: 1. Que é o mais velho. 2. Diz-se de desportistas que já ganharam primeiros prêmios: um piloto sênior. 3. Diz-se de profissionais experientes que já exercem, há algum tempo, determinada atividade.
7 Terapêutica: Terapia, tratamento de doentes.
8 Prognóstico: 1. Juízo médico, baseado no diagnóstico e nas possibilidades terapêuticas, em relação à duração, à evolução e ao termo de uma doença. Em medicina, predição do curso ou do resultado provável de uma doença; prognose. 2. Predição, presságio, profecia relativos a qualquer assunto. 3. Relativo a prognose. 4. Que traça o provável desenvolvimento futuro ou o resultado de um processo. 5. Que pode indicar acontecimentos futuros (diz-se de sinal, sintoma, indício, etc.). 6. No uso pejorativo, pernóstico, doutoral, professoral; prognóstico.
9 Imunidade: Capacidade que um indivíduo tem de defender-se perante uma agressão bacteriana, viral ou perante qualquer tecido anormal (tumores, enxertos, etc.).
10 Células Dendríticas: Células especializadas do sistema hematopoético que possuem extensões semelhantes a ramos. São encontradas em todo o sistema linfático, e tecidos não linfóides, como PELE e o epitélio nos tratos intestinal, respiratório e reprodutivo. Elas prendem e processam ANTÍGENOS e os apresentam às CÉLULAS T, estimulando assim a IMUNIDADE MEDIADA POR CÉLULAS. São diferentes das CÉLULAS DENDRÍTICAS FOLICULARES não hematopoéticas, que têm morfologia e função do sistema imune semelhantes, exceto em relação à imunidade humoral (PRODUÇÃO DE ANTICORPOS).
11 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
12 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
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