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Estudo sugere caminho conectando doença periodontal com artrite reumatoide

terça-feira, 14 de março de 2023
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Estudo sugere caminho conectando doença periodontal com artrite reumatoide

Bactérias orais podem entrar no sangue e desencadear marcas de atividade imunológica envolvidas na artrite reumatoide, de acordo com um novo estudo, publicado na revista Science Translational Medicine, reforçando a ideia de que a doença gengival pode contribuir para a condição dolorosa das articulações.

Quando o número de bactérias bucais em cinco pessoas com artrite reumatoide atingiu o pico, também houve marcas de atividade de um tipo de célula imune chamada monócitos, que são conhecidos por estarem envolvidos na resposta imune contra as articulações na artrite.

Os pesquisadores relatam que os anticorpos antiproteínas citrulinadas (AAPCs) observados em muitos pacientes com artrite reumatoide (AR) – que servem como um marcador de diagnóstico e também podem desempenhar um papel etiológico – podem ter sua origem na doença periodontal.

Amostras seriadas de sangue de pacientes com AR com doença periodontal mostraram a presença de RNA bacteriano oral coincidindo com elevações nos marcadores de inflamação sistêmica e, além disso, os pacientes carregavam AAPCs que reconheciam antígenos bacterianos orais, bem como proteínas humanas, de acordo com William H. Robinson, MD, PhD, da Universidade de Stanford, na Califórnia, e colegas.

“Nossas descobertas indicam que o dano da barreira da mucosa oral mediado por doença periodontal resulta em translocação repetida e espontânea de bactérias orais citrulinadas para o sangue, que desencadeiam respostas imunes inatas e adaptativas na AR associadas a surtos de doença sistêmica”, escreveu o grupo.

Leia sobre "Artrite reumatoide", "Periodontite: como evitar" e "Reumatismos inflamatórios sistêmicos".

Em termos mais simples, a ideia é que as comunidades bacterianas alojadas abaixo da linha da gengiva podem romper a barreira normal entre a cavidade oral e a circulação, expondo componentes bacterianos ao sistema imunológico e provocando respostas de anticorpos. Esses anticorpos podem então reagir de forma cruzada com proteínas próprias para gerar ou exacerbar condições autoimunes.

No entanto, este está longe de ser o primeiro estudo a vincular a AR à doença periodontal. Por exemplo, um estudo de 2008 (que também não foi o primeiro) descobriu que pacientes com AR tinham um risco oito vezes maior de ter periodontite em comparação com indivíduos sem AR. Da mesma forma, em 2019, uma análise coreana mostrou que, embora a AR não estivesse relacionada à periodontite nos dados da pesquisa, era mais provável em pessoas que sofreram perda dentária precoce.

Mas o novo estudo pode ser o primeiro a sugerir um caminho causal claro entre infecções dentárias e AR.

No artigo, os pesquisadores relatam que a doença periodontal é mais comum em indivíduos com artrite reumatoide (AR) que apresentam anticorpos antiproteínas citrulinadas (AAPCs) detectáveis, implicando inflamação da mucosa oral na patogênese da AR. Neste estudo, então, realizou-se análise pareada de transcriptômica humana e bacteriana em amostras de sangue longitudinais de pacientes com AR.

Descobriu-se que pacientes com AR e doença periodontal apresentaram bacteremias orais repetidas associadas a assinaturas transcricionais de monócitos ISG15+HLADRhi e CD48highS100A2pos, recentemente identificados na sinóvia inflamada da AR e no sangue daqueles com surtos de AR.

As bactérias orais observadas transitoriamente no sangue eram amplamente citrulinadas na boca, e seus epítopos citrulinados in situ foram alvo de AAPCs extensamente hipermutados somaticamente codificados por plasmablastos sanguíneos de AR.

Juntos, esses resultados sugerem que (1) a doença periodontal resulta em violações repetidas da mucosa oral que liberam bactérias orais citrulinadas na circulação, que (2) ativam subconjuntos de monócitos inflamatórios que são observados na sinóvia inflamada da artrite reumatoide e no sangue de pacientes com surtos de artrite reumatoide e (3) ativam células B de AAPC, promovendo assim a maturação de afinidade e espalhamento de epítopos para antígenos humanos citrulinados.

Veja também sobre "Gengivite", "Artrite" e "Doenças autoimunes".

 

Fontes:
Science Translational Medicine, Vol. 15, Nº 684, em 22 de fevereiro de 2023.
MedPage Today, notícia publicada em 22 de fevereiro de 2023.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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