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Psilocibina reduz os sintomas na depressão resistente ao tratamento

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A psilocibina está sendo estudada para uso na depressão resistente ao tratamento.

Em um novo estudo, publicado no The New England Journal of Medicine, uma dose única de 25 mg de psilocibina, o ingrediente ativo dos cogumelos mágicos, teve um efeito significativo na redução dos sintomas1 de depressão em pessoas que até agora não se beneficiaram do tratamento, mostraram os resultados.

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Neste estudo duplo-cego2 de fase 2, designou-se aleatoriamente adultos com depressão resistente ao tratamento para receber uma dose única de uma formulação sintética proprietária de psilocibina na dose de 25 mg, 10 mg ou 1 mg (controle), juntamente com apoio psicológico. Investigou-se os efeitos dessas doses durante 12 semanas em 233 pacientes.

Eles receberam o tratamento em salas especializadas projetadas para proporcionar uma atmosfera calma e não clínica, onde um terapeuta especialmente treinado estava disponível para fornecer apoio psicológico. Os efeitos psicodélicos da psilocibina duram até oito horas e, uma vez passados, os participantes puderam voltar para casa.

O desfecho primário foi a mudança da linha de base para a semana 3 na pontuação total na Escala de Avaliação de Depressão de Montgomery–Åsberg (MADRS; intervalo de 0 a 60, com pontuações mais altas indicando depressão mais grave). Os desfechos secundários incluíram resposta na semana 3 (diminuição ≥50% da linha de base no escore total da MADRS), remissão na semana 3 (escore total da MADRS ≤10) e resposta sustentada em 12 semanas (atendendo aos critérios de resposta na semana 3 e em todas as consultas subsequentes).

Um total de 79 participantes estavam no grupo de 25 mg, 75 no grupo de 10 mg e 79 no grupo de 1 mg. A pontuação total média da MADRS no início do estudo foi de 32 ou 33 em cada grupo.

As alterações médias de mínimos quadrados desde o início até a semana 3 no escore foram -12,0 para 25 mg, -7,9 para 10 mg e -5,4 para 1 mg; a diferença entre o grupo de 25 mg e o grupo de 1 mg foi de -6,6 (intervalo de confiança [IC] de 95%, -10,2 a -2,9; P <0,001) e entre o grupo de 10 mg e o grupo de 1 mg foi de -2,5 (IC 95%, -6,2 a 1,2; P = 0,18).

No grupo de 25 mg, as incidências de resposta e remissão em 3 semanas, mas não resposta sustentada em 12 semanas, foram geralmente favoráveis aos resultados primários. Os eventos adversos ocorreram em 179 dos 233 participantes (77%) e incluíram dor de cabeça3, náusea4 e tontura5. Ideação ou comportamento suicida ou automutilação ocorreram em todos os grupos de dose.

Neste estudo de fase 2 envolvendo participantes com depressão resistente ao tratamento, a psilocibina em uma dose única de 25 mg, mas não de 10 mg, reduziu os escores de depressão significativamente mais do que uma dose de 1 mg durante um período de 3 semanas, mas foi associada a efeitos adversos.

Ensaios maiores e mais longos, incluindo comparação com tratamentos existentes, são necessários para determinar a eficácia e segurança da psilocibina para esse distúrbio.

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Fontes:
The New England Journal of Medicine, publicação em 03 de novembro de 2022.
The BMJ, notícia publicada em 02 de novembro de 2022.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Psilocibina reduz os sintomas na depressão resistente ao tratamento. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1429205/psilocibina-reduz-os-sintomas-na-depressao-resistente-ao-tratamento.htm>. Acesso em: 1 dez. 2022.

Complementos

1 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
2 Estudo duplo-cego: Denominamos um estudo clínico “duplo cego” quando tanto voluntários quanto pesquisadores desconhecem a qual grupo de tratamento do estudo os voluntários foram designados. Denominamos um estudo clínico de “simples cego” quando apenas os voluntários desconhecem o grupo ao qual pertencem no estudo.
3 Cabeça:
4 Náusea: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc.
5 Tontura: O indivíduo tem a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, de que vai cair.
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