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Nifedipina pode ajudar a reduzir a hipertensão grave em mulheres com pré-eclâmpsia

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Um estudo randomizado1, publicado no jornal científico Hypertension, sugere que o uso de nifedipina de liberação prolongada intraparto pode ajudar a prevenir hipertensão2 grave entre gestantes com pré-eclâmpsia3.

Os resultados do estudo, que randomizou 110 indivíduos, sugerem que o uso de nifedipina foi associado à redução da terapia hipertensiva aguda intraparto em indivíduos com pré-eclâmpsia3 com características graves, com análises posteriores apontando para uma menor taxa de cesariana em comparação com a terapia com placebo4.

Leia sobre "Diferenças entre pré-eclâmpsia3 e eclâmpsia5" e "Hipertensão2 da gravidez6"

“Sabemos que reduzir a pressão arterial7 muito alta para uma faixa mais segura ajudará a prevenir complicações maternas e fetais. No entanto, salvo pelo uso de medicamentos intravenosos de ação rápida para hipertensão2 grave durante a gravidez6, o manejo ideal para hipertensão2 durante o trabalho de parto e o processo de parto não foi estudado”, disse a investigadora principal Erin M. Cleary, MD, professora assistente de obstetrícia clínica e ginecologia na Escola de Medicina da Universidade de Indiana, em um comunicado.

Um bloqueador dos canais de cálcio diidropiridínico, a nifedipina recebeu aprovação inicial em 1981. Desde então, várias formulações, incluindo uma versão de liberação prolongada, receberam aprovação e foram examinadas para uma série de distúrbios hipertensivos. Cleary, que era bolsista de medicina fetal materna na Universidade Estadual de Ohio quando o estudo foi realizado, e uma equipe de colegas projetaram o estudo atual para avaliar se o uso de nifedipina de liberação prolongada pode ajudar a prevenir o desenvolvimento de níveis graves de pressão arterial7 e o uso de medicamentos intravenosos.

No artigo, os pesquisadores contextualizam que a pré-eclâmpsia3 está associada à morbidade8 materna e perinatal. Além da terapia aguda para hipertensão2 grave, faltam melhores práticas para o manejo da hipertensão2 intraparto. O objetivo, portanto, foi testar a hipótese de que o início intraparto de nifedipina de liberação prolongada em indivíduos com pré-eclâmpsia3 com características graves previne hipertensão2 grave.

Foi realizado um ensaio randomizado9, triplo-cego, controlado por placebo4 de indivíduos com pré-eclâmpsia3 com características graves submetidos à indução do parto entre 22 (0/7) e 41 (6/7) semanas de gestação. As participantes foram randomizadas para 30 mg de nifedipina oral de liberação prolongada ou placebo4 idêntico a cada 24 horas.

O desfecho primário foi definido como o recebimento de ≥1 dose de terapia de hipertensão2 aguda para pressão arterial7 grave (≥160/110 mmHg) sustentada ≥10 minutos. Os desfechos secundários incluíram via de parto, admissão na unidade de terapia intensiva10 neonatal e um composto de desfechos neonatais adversos.

De 365 indivíduos selecionados, 55 foram randomizados para nifedipina e 55 para placebo4. O desfecho primário foi observado em 34,0% dos indivíduos no grupo nifedipina versus 55,1% no grupo placebo4 (risco relativo [RR] 0,62 [IC 95%, 0,39-0,97]); o número necessário para tratar para evitar o recebimento de tratamento agudo11 foi de 4,7 (IC 95%, 2,5-44,3).

Menos indivíduos no grupo nifedipina necessitaram de cesariana em comparação com o grupo placebo4 (20,8% versus 34,7%, RR, 0,60 [IC 95%, 0,31-1,15]). A taxa de admissão na unidade de terapia intensiva10 neonatal foi menor no grupo nifedipina em comparação com placebo4 (29,1% versus 47,1%; RR 0,62 [IC 95%, 0,37-1,02]). O composto neonatal foi semelhante entre os grupos (35,8% versus 41,2%, RR, 0,83 [IC 95%, 0,51-1,37]).

O estudo concluiu que o início da nifedipina de liberação prolongada é eficaz na redução da terapia hipertensiva aguda intraparto em indivíduos com pré-eclâmpsia3 com características graves.

Veja também sobre "Gravidez6 de risco: quando pode ocorrer" e "Hipertensão Arterial12".

 

Fontes:
Hypertension, publicação em 03 de outubro de 2022.
Practical Cardiology, notícia publicada em 11 de outubro de 2022.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Nifedipina pode ajudar a reduzir a hipertensão grave em mulheres com pré-eclâmpsia. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1428185/nifedipina-pode-ajudar-a-reduzir-a-hipertensao-grave-em-mulheres-com-pre-eclampsia.htm>. Acesso em: 5 dez. 2022.

Complementos

1 Estudo randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle - o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
2 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
3 Pré-eclâmpsia: É caracterizada por hipertensão, edema (retenção de líquidos) e proteinúria (presença de proteína na urina). Manifesta-se na segunda metade da gravidez (após a 20a semana de gestação) e pode evoluir para convulsão e coma, mas essas condições melhoram com a saída do feto e da placenta. No meio médico, o termo usado é Moléstia Hipertensiva Específica da Gravidez. É a principal causa de morte materna no Brasil atualmente.
4 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
5 Eclâmpsia: Ocorre quando a mulher com pré-eclâmpsia grave apresenta covulsão ou entra em coma. As convulsões ocorrem porque a pressão sobe muito e, em decorrência disso, diminui o fluxo de sangue que vai para o cérebro.
6 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
7 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
8 Morbidade: Morbidade ou morbilidade é a taxa de portadores de determinada doença em relação à população total estudada, em determinado local e em determinado momento.
9 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
10 Terapia intensiva: Tratamento para diabetes no qual os níveis de glicose são mantidos o mais próximo do normal possível através de injeções freqüentes ou uso de bomba de insulina, planejamento das refeições, ajuste em medicamentos hipoglicemiantes e exercícios baseados nos resultados de testes de glicose além de contatos freqüentes entre o diabético e o profissional de saúde.
11 Agudo: Descreve algo que acontece repentinamente e por curto período de tempo. O oposto de crônico.
12 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
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