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Dormir 5 horas ou menos aumenta o risco de múltiplas doenças crônicas

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Pessoas com 50 anos ou mais que relataram dormir 5 horas ou menos por noite tinham um risco maior de várias doenças crônicas no futuro, mostrou um estudo longitudinal publicado na revista PLoS Medicine.

  • Aos 50 anos, o risco aumenta em 30%.
  • Aos 60, o percentual passa para 32%.
  • Aos 70, o risco é 40% maior.

O maior risco de multimorbidade futura ao longo de 25 anos foi observado em pessoas saudáveis que dormiam 5 ou menos horas por noite, em comparação com aquelas que dormiam 7 horas, de acordo com Séverine Sabia, PhD, da Université de Paris e da University College London, e co-autores.

“A importância do sono foi demonstrada para doenças específicas, como doenças cardiovasculares1 ou diabetes”, disse Sabia. “No entanto, na vida real, as doenças crônicas geralmente ocorrem em idade avançada. Não se sabe se a duração do sono está associada à multimorbidade e se esse vínculo é semelhante, dependendo da idade quando da medição do sono”.

“O sono desempenha um papel importante na regulação das funções do nosso corpo, incluindo a regulação dos sistemas endócrino2, metabólico e inflamatório”, disse Sabia. “Quando desreguladas, essas funções estão associadas ao aumento do risco de doenças crônicas”.

Leia sobre "Doenças crônicas", "Sono - como ele é" e "Efeitos da privação de sono".

No artigo, os pesquisadores contextualizam que a duração do sono tem se mostrado associada a doenças crônicas individuais, mas sua associação com multimorbidade, comum em idosos, permanece pouco compreendida. Eles então examinaram se a duração do sono aos 50, 60 e 70 anos de idade está associada à incidência3 de uma primeira doença crônica, multimorbidade subsequente e mortalidade4, usando dados que abrangem 25 anos.

Os dados foram extraídos do estudo de coorte5 prospectivo6 Whitehall II, estabelecido em 1985 em 10.308 pessoas empregadas nos escritórios de Londres do serviço civil britânico. A duração do sono autorrelatada foi medida 6 vezes entre 1985 e 2016, e os dados sobre a duração do sono foram extraídos aos 50 anos (idade média [desvio padrão] = 50,6 [2,6]), 60 anos (60,3 [2,2]) e 70 anos (69,2 [1,9]).

A incidência3 de multimorbidade foi definida como tendo 2 ou mais de uma gama de 13 doenças crônicas, com acompanhamento até março de 2019. A regressão de Cox, com análises separadas em cada idade, foi usada para examinar associações da duração do sono aos 50, 60 e 70 anos com multimorbidade incidente7.

Modelos multiestado foram usados para examinar a associação da duração do sono aos 50 anos com o início de uma primeira doença crônica, progressão para multimorbidade incidente7 e morte. As análises foram ajustadas para fatores sociodemográficos, comportamentais e relacionados à saúde8.

Um total de 7.864 (32,5% mulheres) participantes livres de multimorbidade tinham dados sobre a duração do sono aos 50 anos; 544 (6,9%) relataram dormir ≤5 horas, 2.562 (32,6%) 6 horas, 3.589 (45,6%) 7 horas, 1.092 (13,9%) 8 horas e 77 (1,0%) ≥9 horas.

Comparado ao sono de 7 horas, a duração do sono ≤5 horas foi associada a maior risco de multimorbidade (razão de risco: 1,30, intervalo de confiança de 95% = 1,12 a 1,50; p <0,001). Este também foi o caso para curta duração do sono aos 60 anos (1,32, 1,13 a 1,55; p <0,001) e aos 70 anos (1,40, 1,16 a 1,68; p <0,001).

A duração do sono ≥9 horas aos 60 anos (1,54, 1,15 a 2,06; p = 0,003) e aos 70 anos (1,51, 1,10 a 2,08; p = 0,01), mas não aos 50 anos (1,39, 0,98 a 1,96; p = 0,07) foi associada à multimorbidade incidente7.

Entre 7.217 participantes livres de doença crônica aos 50 anos (média de acompanhamento = 25,2 anos), 4.446 desenvolveram uma primeira doença crônica, 2.297 evoluíram para multimorbidade e 787 morreram posteriormente.

Comparado ao sono de 7 horas, dormir ≤5 horas aos 50 anos foi associado a um risco aumentado de uma primeira doença crônica (1,20, 1,06 a 1,35; p = 0,003) e, entre aqueles que desenvolveram a primeira doença, foi associado à multimorbidade subsequente (1,21, 1,03 a 1,42; p = 0,02).

A duração do sono ≥9 horas não foi associada a essas transições. Não foi encontrada associação entre duração do sono e mortalidade4 entre aqueles com doenças crônicas existentes.

As limitações do estudo incluem o pequeno número de casos na categoria de sono longo, não permitindo tirar conclusões para essa categoria; a natureza autorrelatada dos dados do sono; o potencial de causalidade reversa que pode surgir de condições não diagnosticadas nas medidas de sono; e a pequena proporção de participantes não brancos, limitando a generalização dos achados.

Neste estudo, observou-se portanto que a curta duração do sono está associada ao risco de doença crônica e multimorbidade subsequente, mas não à progressão para óbito9. Não houve evidência robusta de um risco aumentado de doença crônica entre aqueles com longa duração do sono aos 50 anos. Esses achados sugerem uma associação entre curta duração do sono e multimorbidade.

Veja também sobre "Distúrbios do sono em idosos", "Insônia - como dormir melhor" e "Alimentos que ajudam e os que dificultam o sono".

 

Fontes:
PLoS Medicine, publicação em 18 de outubro de 2022.
MedPage Today, notícia publicada em 19 de outubro de 2022.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Dormir 5 horas ou menos aumenta o risco de múltiplas doenças crônicas. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1427710/dormir-5-horas-ou-menos-aumenta-o-risco-de-multiplas-doencas-cronicas.htm>. Acesso em: 2 dez. 2022.

Complementos

1 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
2 Endócrino: Relativo a ou próprio de glândula, especialmente de secreção interna; endocrínico.
3 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
4 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
5 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
6 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
7 Incidente: 1. Que incide, que sobrevém ou que tem caráter secundário; incidental. 2. Acontecimento imprevisível que modifica o desenrolar normal de uma ação. 3. Dificuldade passageira que não modifica o desenrolar de uma operação, de uma linha de conduta.
8 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
9 Óbito: Morte de pessoa; passamento, falecimento.
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