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Novo estudo descobriu um mecanismo que pode ser a chave para retardar o crescimento do câncer de pâncreas

quarta-feira, 20 de julho de 2022
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Novo estudo descobriu um mecanismo que pode ser a chave para retardar o crescimento do câncer de pâncreas

O câncer de pâncreas é um dos tipos mais graves de câncer, apresentando uma baixa taxa de sobrevida em cinco anos. Muitas vezes, é difícil tratar se a cirurgia não for uma opção. Pesquisadores estão trabalhando para entender como o câncer de pâncreas funciona para desenvolver métodos de tratamento mais eficazes.

Em um novo estudo, publicado na revista Nature, foi descoberto que desligar o gene específico GREM1 resulta em uma maior disseminação do câncer de pâncreas. Mas ativar o gene novamente pode levar a uma redução na disseminação do câncer. A descoberta pode levar ao desenvolvimento de tratamentos para o câncer de pâncreas.

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Os pesquisadores usaram camundongos e organoides para examinar a influência de um gene específico na disseminação do câncer de pâncreas. Os organoides são órgãos cultivados sinteticamente e simplificados.

Eles analisaram o tipo mais comum de câncer de pâncreas: adenocarcinoma ductal pancreático (ACDP). À medida que esse câncer se espalha, ele passa de um certo tipo chamado epitelial para outro tipo chamado mesenquimal. Essa mudança afeta a agressividade do câncer de pâncreas e a eficácia dos medicamentos.

Os pesquisadores descobriram que um gene específico, GREM1, era essencial para manter o câncer de pâncreas no estado epitelial mais estável versus o estado mesenquimal mais perigoso. Eles notaram que, entre os camundongos com câncer de pâncreas, quando eles removeram o GREM1, o câncer mudou do estado epitelial para o estado mesenquimal em poucos dias.

O câncer de pâncreas metastatizou para o fígado em 90% dos camundongos com GREM1 removido. Em comparação, a metástase hepática foi observada apenas em 15% dos camundongos com GREM1 padrão (“tipo selvagem”).

Em contraste, quando os camundongos superexpressaram o gene GREM1, o câncer reverteu ao estado epitelial. As descobertas sugerem que este gene desempenha um papel fundamental em regular se o câncer de pâncreas se espalha ou não para o resto do corpo e se torna mais perigoso.

O autor do estudo, professor Axel Brehens, observou os destaques dos resultados da pesquisa:

“A principal mensagem do nosso estudo é, a meu ver, que é possível converter um câncer pancreático agressivo em uma forma mais tratável. Fizemos isso ligando e desligando um gene específico, GREM1. Pesquisas futuras devem identificar medicamentos que sejam capazes de imitar o que essa proteína faz e converter o tumor em uma forma menos agressiva, que então poderia ser melhor tratada.”

No artigo publicado, os pesquisadores descrevem como o gene GREM1 é necessário para manter a heterogeneidade celular no câncer de pâncreas.

Eles contextualizam que o adenocarcinoma ductal pancreático (ACDP) mostra populações de células cancerosas epiteliais e mesenquimais pronunciadas. A heterogeneidade celular no ACDP é uma característica importante na especificação do subtipo da doença, mas como as subpopulações distintas do ACDP interagem e os mecanismos moleculares subjacentes às decisões de destino das células do ACDP não são completamente compreendidos.

Neste estudo, identificou-se o inibidor de proteínas morfogenéticas ósseas (PMO) GREM1 como um regulador chave da heterogeneidade celular no câncer de pâncreas em humanos e camundongos.

A inativação do gene Grem1 no ACDP estabelecido em camundongos resultou em uma conversão direta de células epiteliais do ACDP em células mesenquimais em poucos dias, sugerindo que a atividade persistente do GREM1 é necessária para manter as subpopulações epiteliais do ACDP.

Por outro lado, a superexpressão de Grem1 causou uma “epitelização” quase completa do ACDP altamente mesenquimal, indicando que a alta atividade de GREM1 é suficiente para reverter o destino mesenquimal das células do ACDP.

Mecanicamente, o Grem1 foi altamente expresso em células mesenquimais do ACDP e inibiu a expressão dos fatores de transcrição da transição epitelial-mesenquimal Snai1 (também conhecido como Snail) e Snai2 (também conhecido como Slug) no compartimento das células epiteliais, restringindo a plasticidade epitelial-mesenquimal.

Assim, a supressão constante da atividade de proteínas morfogenéticas ósseas é essencial para manter as células epiteliais do adenocarcinoma ductal pancreático, indicando que a manutenção da heterogeneidade celular do câncer de pâncreas requer sinalização parácrina contínua eliciada por um único fator solúvel.

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Fontes:
Nature, publicação em 29 de junho de 2022.
Medical News Today, notícia publicada em 05 de julho de 2022.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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