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Medicamento antisséptico se mostrou tão bom quanto antibióticos para prevenir infecções do trato urinário recorrentes

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O medicamento antisséptico1 hipurato de metenamina é tão bom quanto os antibióticos para prevenir infecções2 recorrentes do trato urinário3 em mulheres, segundo um estudo publicado pelo The British Medical Journal.

Seu uso como alternativa aos antibióticos também pode ajudar a enfrentar o fardo global da resistência aos antibióticos, dizem os pesquisadores.

Mais da metade das mulheres tem, pelo menos, uma infecção4 do trato urinário3 (ITU) na vida e a recorrência5 (definida como pelo menos três infecções2 repetidas por ano ou duas infecções2 nos seis meses anteriores) ocorre em cerca de um quarto das mulheres que têm um episódio.

As diretrizes atuais recomendam antibióticos em baixas doses diárias como tratamento preventivo6 (profilático) padrão para ITU recorrente. Mas esse uso de antibióticos a longo prazo tem sido associado à resistência a antibióticos, portanto, a pesquisa de alternativas não antibióticas é urgentemente necessária.

Saiba mais sobre "Infecção4 urinária" e "Usos e abusos dos antibióticos".

Hipurato de metenamina é um medicamento que esteriliza a urina7, impedindo o crescimento de certas bactérias. Estudos anteriores mostraram que ele pode ser eficaz na prevenção de ITUs, mas as evidências são inconclusivas e são necessários mais estudos randomizados.

O objetivo deste novo estudo foi testar e comparar a eficácia do hipurato de metenamina na prevenção de infecções2 recorrentes do trato urinário3 com a profilaxia padrão atual de antibióticos de baixa dose diária.

Foi realizado um ensaio multicêntrico, aberto, randomizado8, de não inferioridade em oito centros no Reino Unido, recrutando de junho de 2016 a junho de 2018. Foram incluídas mulheres com idade ≥18 anos com infecções2 recorrentes do trato urinário3, necessitando de tratamento profilático.

As participantes foram atribuídas aleatoriamente (1:1, usando blocos permutados de comprimento variável por meio de um sistema baseado na web) para receber profilaxia antibiótica ou hipurato de metenamina por 12 meses. A alocação do tratamento não foi mascarada e o cruzamento entre os braços foi permitido.

A principal medida de desfecho foi a diferença absoluta na incidência9 de infecções2 do trato urinário3 sintomáticas tratadas com antibióticos durante o tratamento. Um grupo de engajamento de pacientes e público predefiniu a margem de não inferioridade como um episódio de infecção4 do trato urinário3 por pessoa/ano. As análises realizadas em uma população de intenção de tratar modificada incluíram todas as participantes observadas por pelo menos seis meses.

As participantes foram aleatoriamente designadas para profilaxia antibiótica (n = 120) ou hipurato de metenamina (n = 120). A análise de intenção de tratar modificada compreendeu 205 (85%) participantes (antibióticos, n=102 [85%]; hipurato de metenamina, n=103 [86%]).

A incidência9 de infecções2 do trato urinário3 tratadas com antibióticos durante o período de tratamento de 12 meses foi de 0,89 episódios por pessoa/ano (intervalo de confiança de 95% 0,65 a 1,12) no grupo de antibióticos e 1,38 (1,05 a 1,72) no grupo de hipurato de metenamina, com uma diferença absoluta de 0,49 (intervalo de confiança de 90% 0,15 a 0,84) confirmando não inferioridade.

Reações adversas foram relatadas por 34/142 (24%) participantes no grupo de antibiótico e 35/127 (28%) no grupo de metenamina, e a maioria das reações foram leves.

O estudo concluiu que o tratamento profilático não antibiótico com hipurato de metenamina pode ser apropriado para mulheres com histórico de episódios recorrentes de infecções2 do trato urinário3, informado pelas preferências da paciente e iniciativas de administração de antibióticos, dada a demonstração de não inferioridade à profilaxia antibiótica diária observada neste estudo.

Leia sobre "A resistência aos antibióticos e as superbactérias" e "Cistite10 - como ela ocorre".

 

Fontes:
The British Medical Journal, publicação em 09 de março de 2022.
Newcastle University, notícia publicada em 11 de março de 2022.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Medicamento antisséptico se mostrou tão bom quanto antibióticos para prevenir infecções do trato urinário recorrentes. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1413565/medicamento-antisseptico-se-mostrou-tao-bom-quanto-antibioticos-para-prevenir-infeccoes-do-trato-urinario-recorrentes.htm>. Acesso em: 15 ago. 2022.

Complementos

1 Antisséptico: Que ou o que impede a contaminação e combate a infecção.
2 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
3 Trato Urinário:
4 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
5 Recorrência: 1. Retorno, repetição. 2. Em medicina, é o reaparecimento dos sintomas característicos de uma doença, após a sua completa remissão. 3. Em informática, é a repetição continuada da mesma operação ou grupo de operações. 4. Em psicologia, é a volta à memória.
6 Preventivo: 1. Aquilo que previne ou que é executado por medida de segurança; profilático. 2. Na medicina, é qualquer exame ou grupo de exames que têm por objetivo descobrir precocemente lesão suscetível de evolução ameaçadora da vida, como as lesões malignas. 3. Em ginecologia, é o exame ou conjunto de exames que visa surpreender a presença de lesão potencialmente maligna, ou maligna em estágio inicial, especialmente do colo do útero.
7 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
8 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
9 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
10 Cistite: Inflamação ou infecção da bexiga. É uma das infecções mais freqüentes em mulheres, e manifesta-se por ardor ao urinar, urina escura ou com traços de sangue, aumento na freqüência miccional, etc.
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