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Diversidade de proteínas na dieta diminui o risco de hipertensão arterial

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As pessoas que comiam uma variedade maior de proteínas1 na dieta tendiam a ser melhores no combate à pressão arterial2 (PA) alta, de acordo com um grande estudo observacional publicado no periódico Hypertension.

A associação entre o consumo de uma determinada fonte de proteína e hipertensão3 de início recente em 6 anos sugeriu diferentes padrões alimentares para minimizar o risco de hipertensão3:

  • Coma4 uma quantidade modesta, pois o excesso pode aumentar o risco de PA elevada (curva em forma de U): proteína total, proteína derivada de carne vermelha não processada ou processada, proteína derivada de grãos integrais, proteína derivada de aves.
  • Coma4 um pouco mais, mas não muito (em forma de J invertido): proteína derivada de peixe.
  • Coma4 o suficiente para atingir um limite, mais não faz mal (em forma de L): proteína derivada de ovos ou derivada de leguminosas.
  • Coma4 uma quantidade limitada, mais é arriscado (em forma de L invertido): proteína derivada de grãos refinados.

Além disso, o risco de hipertensão3 de início recente foi significativamente menor em pessoas que relataram comer uma variedade maior de fontes de proteína, relataram Xianhui Qin, MD, do Nanfang Hospital, Southern Medical University na China, e colegas.

Leia sobre "O papel dos alimentos ricos em proteínas1", "O que é uma alimentação saudável" e "O que vem a ser pressão arterial2".

Eles observaram que é possível que o consumo de uma maior variedade de proteínas1 em quantidades “adequadas” garanta a ingestão de diferentes aminoácidos essenciais e ajude a melhorar o estado nutricional e a riqueza da microbiota5.

No entanto, mais estudos serão necessários para estabelecer os mecanismos subjacentes à relação inversa entre variedade de proteínas1 na dieta e hipertensão3, disseram eles.

No artigo publicado, os pesquisadores contextualizam que as relações da variedade e quantidade de diferentes fontes de proteínas1 na dieta com a hipertensão3 permanecem incertas. O objetivo, portanto, foi investigar as associações entre a variedade e a quantidade de ingestão de proteínas1 de 8 principais fontes alimentares e hipertensão3 de início recente entre 12.177 participantes da Pesquisa de Saúde6 e Nutrição7 da China.

A ingestão alimentar foi medida por 3 recordatórios alimentares de 24 horas consecutivos combinados com um inventário alimentar domiciliar. O escore de variedade de fontes proteicas foi definido como o número de fontes proteicas consumidas no nível adequado, contabilizando os tipos e a quantidade de proteínas1.

Hipertensão3 de início recente foi definida como pressão arterial sistólica8 ≥ 140 mmHg e pressão arterial diastólica9 ≥ 90 mmHg, ou hipertensão3 diagnosticada pelo médico ou recebendo tratamento anti-hipertensivo, durante o seguimento.

Durante um acompanhamento médio de 6,1 anos, houve associações em forma de U de porcentagens de energia de proteínas1 totais, não processadas ou processadas derivadas de carne vermelha, grãos integrais e derivados de aves com hipertensão3 de início recente; uma associação em forma de J invertido de proteína derivada de peixe com hipertensão3 de início recente; associações em forma de L de proteínas1 derivadas de ovos e leguminosas com hipertensão3 de início recente; e uma associação em forma de L invertido de proteína derivada de grãos refinados com hipertensão3 de início recente (todos os valores de P para não linearidade <0,001).

Ou seja, para cada proteína, há uma janela de consumo (nível adequado) onde o risco de hipertensão3 é menor. Além disso, um risco significativamente menor de hipertensão3 de início recente foi encontrado naqueles com maior pontuação de variedade de fontes de proteína (por incremento de pontuação, taxa de risco, 0,74 [IC 95%, 0,72-0,76]).

Em resumo, houve uma associação inversa entre a variedade de proteínas1 com quantidade adequada de diferentes fontes alimentares e hipertensão3 de início recente.

Veja também sobre "Macronutrientes10 - quais são eles", "Dicas para melhorar a sua alimentação" e "Dieta para hipertensos".

 

Fontes:
Hypertension, publicação em 10 de março de 2022.
MedPage Today, notícia publicada em 10 de março de 2022.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Diversidade de proteínas na dieta diminui o risco de hipertensão arterial. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1412835/diversidade-de-proteinas-na-dieta-diminui-o-risco-de-hipertensao-arterial.htm>. Acesso em: 2 jul. 2022.

Complementos

1 Proteínas: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Alimentos que fornecem proteína incluem carne vermelha, frango, peixe, queijos, leite, derivados do leite, ovos.
2 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
3 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
4 Coma: 1. Alteração do estado normal de consciência caracterizado pela falta de abertura ocular e diminuição ou ausência de resposta a estímulos externos. Pode ser reversível ou evoluir para a morte. 2. Presente do subjuntivo ou imperativo do verbo “comer.“
5 Microbiota: Em ecologia, chama-se microbiota ao conjunto dos microrganismos que habitam um ecossistema, principalmente bactérias, protozoários e outros microrganismos que têm funções importantes na decomposição da matéria orgânica e, portanto, na reciclagem dos nutrientes. Fazem parte da microbiota humana uma quantidade enorme de bactérias que vivem em harmonia no organismo e auxiliam a ação do sistema imunológico e a nutrição, por exemplo.
6 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
7 Nutrição: Incorporação de vitaminas, minerais, proteínas, lipídios, carboidratos, oligoelementos, etc. indispensáveis para o desenvolvimento e manutenção de um indivíduo normal.
8 Pressão arterial sistólica: É a pressão mais elevada (pico) verificada nas artérias durante a fase de sístole do ciclo cardíaco, é também chamada de pressão máxima.
9 Pressão arterial diastólica: É a pressão mais baixa detectada no sistema arterial sistêmico, observada durante a fase de diástole do ciclo cardíaco. É também denominada de pressão mínima.
10 Macronutrientes: Os macronutrientes fornecem as calorias aos alimentos. São eles: carboidratos, proteínas e lipídeos.
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