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Combinação de ficar muito tempo sentado e falta de atividade física entre sobreviventes de câncer está associada a maior mortalidade

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Comportamentos sedentários, particularmente ficar sentado por períodos prolongados e falta de atividade física, podem influenciar a sobrevida1 após o câncer2.

O objetivo deste estudo, publicado no JAMA Oncology, foi examinar as associações independentes e conjuntas do tempo diário sentado e atividade física no lazer com os resultados de mortalidade3 entre sobreviventes de câncer2.

O estudo incluiu uma coorte4 prospectiva de uma amostra nacionalmente representativa de sobreviventes de câncer2, com 40 anos ou mais (n = 1.535; população ponderada, 14.002.666), da Pesquisa Nacional de Exame de Saúde5 e Nutrição6 dos EUA de 2007 a 2014. Os participantes foram vinculados a dados de mortalidade3 desde a data da entrevista e do exame físico até 31 de dezembro de 2015.

Leia sobre "Câncer2 - informações importantes" e "Sedentarismo7: o que é e quais as consequências?"

O tempo diário sentado e a atividade física no lazer (AFL) foram autorrelatados usando o Questionário de Atividade Física Global. As análises de dados foram realizadas de 1º de janeiro a 1º de maio de 2021.

Os principais desfechos e medidas foram mortalidade3 por todas as causas, específica por câncer2 e não por câncer2.

Entre 1.535 sobreviventes de câncer2 (idade média [EP], 65,1 [0,4] anos; 828 [60,1%] mulheres; 945 [83,1%] indivíduos brancos não hispânicos), 950 (56,8%) relataram AFL de 0 minutos por semana (min/sem) durante a semana anterior (inativo); 226 (15,6%) relataram AFL inferior a 150 min/sem (insuficientemente ativo); 359 (27,6%) relataram AFL de 150 min/sem ou mais (ativo); 553 (35,4%) relataram sentar de 6 a 8 horas por dia (h/d); e 328 (24,9%) relataram sentar por mais de 8 h/d.

É importante notar que 574 (35,8%) sobreviventes de câncer2 relataram nenhuma AFL concomitante com ficar sentado por mais de 6 h/d.

Durante o período de acompanhamento de até 9 anos (mediana, 4,5 anos; 6.980 pessoas-ano), houve 293 óbitos (câncer2, 114; doenças cardíacas, 41; outras causas, 138).

Modelos multivariáveis ​​mostraram que ser fisicamente ativo estava associado a menores riscos de mortalidade3 por todas as causas (taxa de risco [HR], 0,34; IC 95%, 0,20-0,60) e específica por câncer2 (HR, 0,32; IC 95%, 0,15-0,70), em comparação com a inatividade.

Ficar sentado mais de 8 h/d foi associado a maiores riscos de mortalidade3 por todas as causas (HR, 1,81; IC 95%, 1,05-3,14) e específica por câncer2 (HR, 2,27; IC 95%, 1,08-4,79), em comparação com aqueles sentados menos de 4 h/d.

Nas análises conjuntas, ficar sentado por muito tempo foi associado a um risco aumentado de morte entre os sobreviventes de câncer2 que não eram suficientemente ativos. Especificamente, os sobreviventes inativos e insuficientemente ativos que relataram ficar sentados mais de 8 h/d tiveram os maiores riscos de mortalidade3 geral (HR, 5,38; IC 95%, 2,99-9,67) e específica por câncer2 (HR, 4,71; IC 95%, 1,60-13,9).

Neste estudo de coorte8 de uma amostra nacionalmente representativa de sobreviventes de câncer2 nos EUA, a combinação de ficar sentado por muito tempo com a falta de atividade física foi altamente prevalente e foi associada aos maiores riscos de morte por todas as causas e por câncer2.

Veja também sobre "Atividade física - um hábito adquirido com prazer" e "Musculação para idosos".

 

Fonte: JAMA Oncology, publicação em 06 de janeiro de 2022. (doi:10.1001/jamaoncol.2021.6590)

 

NEWS.MED.BR, 2022. Combinação de ficar muito tempo sentado e falta de atividade física entre sobreviventes de câncer está associada a maior mortalidade. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1408490/combinacao-de-ficar-muito-tempo-sentado-e-falta-de-atividade-fisica-entre-sobreviventes-de-cancer-esta-associada-a-maior-mortalidade.htm>. Acesso em: 27 set. 2022.

Complementos

1 Sobrevida: Prolongamento da vida além de certo limite; prolongamento da existência além da morte, vida futura.
2 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
3 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
4 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
5 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
6 Nutrição: Incorporação de vitaminas, minerais, proteínas, lipídios, carboidratos, oligoelementos, etc. indispensáveis para o desenvolvimento e manutenção de um indivíduo normal.
7 Sedentarismo: Qualidade de quem ou do que é sedentário, ou de quem tem vida e/ou hábitos sedentários. Sedentário é aquele que se exercita pouco, que não se movimenta muito.
8 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
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