Gostou do artigo? Compartilhe!

Imunoterapia para alergia melhora a asma a longo prazo

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie esta notícia

Um estudo do mundo real com base na Europa descobriu que a imunoterapia com alérgenos1 para rinite2 alérgica não só tem eficácia a um maior longo prazo do que os ensaios clínicos3 demonstraram, mas também pode permitir que as pessoas com asma4 usem menos medicamentos para asma4 e, em geral, reduzam suas chances de desenvolver pneumonia5 por até 9 anos em tratamento.

Em estudo publicado no The Lancet Regional Health – Europe, os autores afirmam que este é o maior e mais abrangente estudo de eficácia do mundo real da imunoterapia com alérgenos1 para rinite2 alérgica (RA) e asma4, e que adiciona novas informações sobre como a imunoterapia com alérgenos1 funciona no longo prazo.

“Isso confirma o que os alergistas já sabem”, disse Jonathan A. Bernstein, MD, alergista da Universidade de Cincinnati. “Evidências do mundo real são muito importantes para validar estudos que confirmam ensaios cruciais”.

Saiba mais sobre "Alergia6 respiratória", "Rinite2 - o que fazer com ela" e "Asma4 - o que é".

O REACT — Real-world Effectiveness in Allergy Imuntherapy — é um estudo de coorte7 retrospectivo8 de 92.048 pacientes com RA com e sem asma4 divididos em dois grupos: aqueles tratados com imunoterapia com alérgenos1 (ITA) e um grupo controle não tratado. Os resultados foram analisados ​​como diferenças dentro do grupo (pré vs pós ITA) e entre grupos (ITA vs controle) ao longo de 9 anos de acompanhamento.

Uma coorte9 de asma4 preexistente incluiu 29.228 pacientes; uma coorte9 sem asma4 incluiu 54.274 pacientes. Os dados dos pacientes foram extraídos de um banco de dados de um fundo de seguro de saúde10 alemão de 5,9 milhões de solicitações e cobriram um período de 10 anos que terminou em 2017.

O principal autor, Benedikt Fritzsching, MD, pneumologista pediátrico do Children's Doctor Service e da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, disse que a justificativa para o estudo era obter dados de longo prazo e do mundo real de imunoterapia com alérgenos1, que estavam faltando.

“A imunoterapia com alérgenos1 é considerada o único tratamento causal para a alergia6 e, em uma base imunológica mecanicista, acredita-se que a tolerância imunológica periférica seja o principal mecanismo da imunoterapia com alérgenos”, disse Fritzsching. “No entanto, faltavam dados demonstrando eficácia a longo prazo, que você deve esperar de um tratamento causal com potencial para curar a alergia6, especialmente no cenário do mundo real”.

Os resultados do estudo não apenas complementam as evidências de ensaios clínicos3 randomizados, disse ele, mas também apoiam a tomada de decisão clínica sobre como usar a imunoterapia com alérgenos1 para o tratamento e controle sustentado da rinite2 alérgica e da asma4.

No estudo, 46.024 indivíduos tratados com ITA foram pareados com indivíduos de controle e 14.614 foram incluídos na coorte9 de asma4 pré-existente. Os indivíduos tratados com ITA tinham 29,5 (16,3) anos e 53% eram do sexo masculino.

Em comparação ao ano pré-índice, a ITA foi consistentemente associada a maiores reduções, em comparação com os indivíduos controle, nas prescrições para RA e asma4, incluindo prescrições de controle e alívio da asma4.

Além disso, o grupo de ITA teve probabilidade significativamente maior de diminuir o tratamento da asma4 (P <0,0001). Além da redução do tratamento da asma4 no grupo de ITA, foi demonstrada maior redução nas exacerbações graves da asma4 (P <0,05). Reduções na pneumonia5 com prescrições de antibióticos, nas hospitalizações e na duração das internações foram todas a favor da ITA.

O estudo amplia a evidência existente de ensaios clínicos3 randomizados para a imunoterapia com alérgenos1, demonstrando a eficácia sustentada e de longo prazo da imunoterapia com alérgenos1 no mundo real. Além disso, em pacientes com asma4 concomitante, a imunoterapia foi associada à redução da probabilidade de exacerbações de asma4 e de pneumonia5.

Leia sobre "Imunoterapia", "Alergias: por que existem" e "Asma4 - Prevenção e Tratamento".

 

Fontes:
The Lancet Regional Health – Europe, publicação em 29 de novembro de 2021.
Medscape, notícia publicada em 20 de dezembro de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2022. Imunoterapia para alergia melhora a asma a longo prazo. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1408200/imunoterapia-para-alergia-melhora-a-asma-a-longo-prazo.htm>. Acesso em: 5 out. 2022.

Complementos

1 Alérgenos: Substância capaz de provocar reação alérgica em certos indivíduos.
2 Rinite: Inflamação da mucosa nasal, produzida por uma infecção viral ou reação alérgica. Manifesta-se por secreção aquosa e obstrução das fossas nasais.
3 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
4 Asma: Doença das vias aéreas inferiores (brônquios), caracterizada por uma diminuição aguda do calibre bronquial em resposta a um estímulo ambiental. Isto produz obstrução e dificuldade respiratória que pode ser revertida de forma espontânea ou com tratamento médico.
5 Pneumonia: Inflamação do parênquima pulmonar. Sua causa mais freqüente é a infecção bacteriana, apesar de que pode ser produzida por outros microorganismos. Manifesta-se por febre, tosse, expectoração e dor torácica. Em pacientes idosos ou imunodeprimidos pode ser uma doença fatal.
6 Alergia: Reação inflamatória anormal, perante substâncias (alérgenos) que habitualmente não deveriam produzi-la. Entre estas substâncias encontram-se poeiras ambientais, medicamentos, alimentos etc.
7 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
8 Retrospectivo: Relativo a fatos passados, que se volta para o passado.
9 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
10 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
Gostou do artigo? Compartilhe!