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Uso de metformina pode prolongar a gestação na pré-eclâmpsia pré-termo

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Estudo publicado pelo The British Medical Journal buscou avaliar se a metformina1 de liberação prolongada pode ser usada para prolongar a gestação em mulheres com pré-eclâmpsia2 pré-termo sob observação vigilante.

Foi realizado um ensaio randomizado3, duplo-cego, controlado por placebo4, em um hospital de referência na Cidade do Cabo, África do Sul.

As participantes foram 180 mulheres com pré-eclâmpsia2 pré-termo entre 26 + 0 a 31 + 6 semanas de gestação em observação vigilante: 90 foram randomizadas para metformina1 de liberação prolongada e 90 para placebo4.

A intervenção foi de 3 g de metformina1 de liberação prolongada oral ou placebo4 diariamente, em doses divididas, até o parto.

O desfecho primário foi o prolongamento da gestação.

Saiba mais sobre "Diferenças entre pré-eclâmpsia2 e eclâmpsia5", "Hipertensão6 da gravidez7" e "Gravidez7 de risco".

De 180 participantes, uma mulher deu à luz antes de tomar qualquer medicamento em estudo. O tempo médio desde a randomização até o parto foi de 17,7 dias (intervalo interquartil 5,4-29,4 dias; n = 89) no braço da metformina1 e 10,1 (3,7-24,1; n = 90) dias no braço do placebo4, uma diferença média de 7,6 dias (razão média geométrica 1,39, intervalo de confiança de 95% 0,99 a 1,95; P = 0,057).

Entre aquelas que continuaram a tomar o medicamento do estudo em qualquer dose, o prolongamento médio da gestação no braço da metformina1 foi de 17,5 (intervalo interquartil 5,4-28,7; n = 76) dias em comparação com 7,9 (3,0-22,2; n = 74) dias no braço do placebo4, uma diferença mediana de 9,6 dias (razão média geométrica 1,67, intervalo de confiança de 95% 1,16 a 2,42).

Entre aquelas que tomaram a dosagem completa, o prolongamento médio da gestação no braço da metformina1 foi de 16,3 (intervalo interquartil 4,8-28,8; n = 40) dias em comparação com 4,8 (2,5-15,4; n = 61) dias no braço do placebo4, uma diferença mediana de 11,5 dias (razão média geométrica 1,85, intervalo de confiança de 95% 1,14 a 2,88).

Os resultados maternos, fetais e neonatais compostos e as concentrações circulantes de tirosina8 quinase-1 solúvel semelhante a fms, fator de crescimento da placenta e endoglina solúvel não diferiram.

No braço da metformina1, o peso ao nascer aumentou de forma não significativa e o tempo de internação diminuiu no berçário neonatal.

Não foram observados eventos adversos graves relacionados aos medicamentos em estudo, embora a diarreia9 tenha sido mais comum no braço da metformina1.

Este estudo sugere que a metformina1 de liberação prolongada pode prolongar a gestação em mulheres com pré-eclâmpsia2 pré-termo, embora sejam necessários mais estudos. Ele fornece uma prova de conceito10 de que o tratamento da pré-eclâmpsia2 pré-termo é possível.

Leia sobre "Gestação semana a semana" e "Quais medicamentos podem ou não podem ser tomados durante a gravidez7".

 

Fonte: The British Medical Journal, publicação em 23 de setembro de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Uso de metformina pode prolongar a gestação na pré-eclâmpsia pré-termo. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1402590/uso-de-metformina-pode-prolongar-a-gestacao-na-pre-eclampsia-pre-termo.htm>. Acesso em: 18 out. 2021.

Complementos

1 Metformina: Medicamento para uso oral no tratamento do diabetes tipo 2. Reduz a glicemia por reduzir a quantidade de glicose produzida pelo fígado e ajudando o corpo a responder melhor à insulina produzida pelo pâncreas. Pertence à classe das biguanidas.
2 Pré-eclâmpsia: É caracterizada por hipertensão, edema (retenção de líquidos) e proteinúria (presença de proteína na urina). Manifesta-se na segunda metade da gravidez (após a 20a semana de gestação) e pode evoluir para convulsão e coma, mas essas condições melhoram com a saída do feto e da placenta. No meio médico, o termo usado é Moléstia Hipertensiva Específica da Gravidez. É a principal causa de morte materna no Brasil atualmente.
3 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
4 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
5 Eclâmpsia: Ocorre quando a mulher com pré-eclâmpsia grave apresenta covulsão ou entra em coma. As convulsões ocorrem porque a pressão sobe muito e, em decorrência disso, diminui o fluxo de sangue que vai para o cérebro.
6 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
7 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
8 Tirosina: É um dos aminoácidos polares, sem carga elétrica, que compõem as proteínas, caracterizado pela cadeia lateral curta na qual está presente um anel aromático e um grupamento hidroxila.
9 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
10 Prova de conceito: Prova de conceito (PoC ou Proof of Concept) é um termo utilizado para denominar um modelo prático que possa provar o conceito (teórico) estabelecido por uma pesquisa ou artigo técnico. Ela pode ser considerada uma implementação, em geral resumida ou incompleta, de um método ou de uma ideia, realizada com o propósito de verificar se o conceito ou a teoria em questão é susceptível de ser explorado de maneira útil.
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