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Terapia de RNA mensageiro contra o câncer está em testes em humanos após reduzir tumores em camundongos

quinta-feira, 30 de setembro de 2021
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Terapia de RNA mensageiro contra o câncer está em testes em humanos após reduzir tumores em camundongos

Um tratamento de câncer que usa RNA mensageiro para lançar um ataque imunológico às células cancerosas pode reduzir completamente os tumores em camundongos e agora está sendo testado em pessoas.

RNAs mensageiros – ou RNAms – são moléculas que instruem as células a produzir proteínas. Eles alcançaram a fama com o lançamento das vacinas de RNAm contra a covid-19. A BioNTech, empresa alemã que desenvolveu a vacina de RNAm contra a covid-19 da Pfizer, agora está testando se os RNAms podem ser usados para tratar o câncer, estimulando as células a produzir proteínas que combatem o tumor.

Em um estudo publicado na revista Science Translational Medicine, a empresa relata dados promissores sobre um coquetel de RNAm em modelos de camundongos de câncer de cólon e melanoma. Segundo o estudo, a entrega local de citocinas codificadas por RNAm promove a imunidade antitumoral e a erradicação do tumor em vários modelos pré-clínicos de tumor.

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A empresa fez uma mistura de quatro RNAms que instruem as células a produzir quatro proteínas chamadas citocinas, que são liberadas naturalmente pelas células do sistema imunológico para atacar as células cancerosas.

Quando eles injetaram esses RNAms diretamente em melanomas em 20 camundongos, as células do sistema imunológico dentro dos tumores começaram a produzir grandes quantidades das citocinas desejadas. Isso produziu uma resposta imune que fez com que os tumores de pele desaparecessem completamente em todos os camundongos, exceto em um, em menos de 40 dias. O tratamento funcionou ainda melhor quando combinado com a inibição de checkpoint.

No artigo publicado, os pesquisadores contextualizam que a imunoterapia local estimula de maneira ideal as respostas imunes contra tumores, evitando toxicidades associadas à administração sistêmica. As estratégias atuais para entrega baseada em genes e direcionada a tumor, no entanto, são limitadas por efeitos adversos, como imunidade anti-vetor ou fora de direcionamento.

Assim, tratamentos para câncer baseados em citocinas têm sido prejudicados tanto pela toxicidade fora do alvo quanto pela dificuldade em alcançar a entrega local.

Neste estudo investigou-se a administração intratumoral de RNA mensageiro (m) formulado com solução salina que codifica quatro citocinas que foram identificadas como mediadoras da regressão do tumor em diferentes modelos de tumor: interleucina-12 (IL-12) de cadeia única, interferon-α (IFN-α), fator estimulador de colônias de granulócitos-macrófagos e IL-15 sushi.

A atividade antitumoral eficaz dessas citocinas baseou-se em múltiplas populações de células imunes e foi acompanhada por indução intratumoral de IFN-γ, expansão sistêmica de células T específicas para o antígeno, aumento da infiltração de células T de granzima B+ e formação de memória imune.

A atividade antitumoral estendeu-se para além das lesões tratadas e inibiu o crescimento de tumores distantes e tumores disseminados.

Combinar os RNAms com anticorpos imunomoduladores aumentou as respostas antitumorais em tumores injetados e não injetados, melhorando assim a sobrevivência e a regressão do tumor. Desse modo, a combinação levou a respostas imunes antitumorais robustas e regressão tumoral em vários modelos de camundongos, incluindo modelos com mais de um tumor.

Juntos, esses dados apoiam o desenvolvimento de RNAms que codificam citocinas como um tratamento para o câncer.

Consequentemente, os testes clínicos desta mistura de RNAms que codificam citocinas estão em andamento.

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Fontes:
Science Translational Medicine, Vol. 13, Nº 610, em 08 de setembro de 2021.
New Scientist, notícia publicada em 08 de setembro de 2021.
Fierce Biotech, notícia publicada em 08 de setembro de 2021

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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