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Taxas anuais de acidentes vasculares cerebrais e de mortes por AVC aumentaram substancialmente nos últimos 30 anos

quarta-feira, 29 de setembro de 2021
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Taxas anuais de acidentes vasculares cerebrais e de mortes por AVC aumentaram substancialmente nos últimos 30 anos

Dados regularmente atualizados sobre acidente vascular cerebral (AVC) e seus tipos patológicos, incluindo dados sobre sua incidência, prevalência, mortalidade, incapacidade, fatores de risco e tendências epidemiológicas, são importantes para o planejamento de cuidados do AVC com base em evidências e alocação de recursos.

O Estudo sobre a Carga Global de Doenças, Lesões e Fatores de Risco (GBD, do inglês Global Burden of Diseases, Injuries, and Risk Factors Study) visa fornecer uma medição padronizada e abrangente dessas métricas em nível global, regional e nacional.

Nesta análise sistemática, publicada no The Lancet Neurology, aplicou-se as ferramentas analíticas do GBD 2019 para calcular a incidência de AVC, sua prevalência, mortalidade, anos de vida ajustados por incapacidade (AVAIs) e a fração atribuível da população (FAP) de AVAIs (com intervalos de incerteza [UIs] de 95% correspondentes) associados a 19 fatores de riscos, para 204 países e territórios de 1990 a 2019.

Essas estimativas foram fornecidas para acidente vascular cerebral isquêmico, hemorragia intracerebral, hemorragia subaracnoide e todos os acidentes vasculares cerebrais combinados e estratificados por sexo, faixa etária e nível de renda do país de acordo com o Banco Mundial.

Leia sobre "AVC ou Derrame Cerebral", "Hemorragia cerebral" e "Doenças cerebrovasculares".

Em 2019, houve 12,2 milhões (UI 95% 11,0-13,6) de casos incidentes de AVC, 101 milhões (93,2-111) de casos prevalentes de AVC, 143 milhões (133-153) de AVAIs devido a AVC e 6,55 milhões (6,00-7,02) de mortes por AVC.

Globalmente, o AVC permaneceu como a segunda principal causa de morte (11,6% [10,8-12,2] do total de mortes) e a terceira principal causa de morte e incapacidade combinadas (5,7% [5,1-6,2] do total de AVAIs) em 2019.

De 1990 a 2019, o número absoluto de acidentes vasculares cerebrais aumentou 70,0% (67,0-73,0), os AVCs prevalentes aumentaram 85,0% (83,0-88,0), as mortes por AVC aumentaram 43,0% (31,0-55,0) e os AVAIs devido a AVC aumentaram 32,0% (22,0-42,0).

Durante o mesmo período, as taxas padronizadas por idade de incidência de AVC diminuíram 17,0% (15,0-18,0), a mortalidade diminuiu 36,0% (31,0-42,0), a prevalência diminuiu 6,0% (5,0-7,0) e os AVAIs diminuíram 36,0% (31,0-42,0).

No entanto, entre pessoas com menos de 70 anos, as taxas de prevalência aumentaram 22,0% (21,0–24,0) e as taxas de incidência aumentaram 15,0% (12,0-18,0).

Em 2019, a taxa de mortalidade relacionada ao AVC padronizada por idade foi 3,6 (3,5-3,8) vezes maior no grupo de baixa renda do Banco Mundial do que no grupo de alta renda do Banco Mundial, e a taxa de AVAIs relacionados ao AVC padronizada por idade foi 3,7 (3,5-3,9) vezes maior no grupo de baixa renda do que no grupo de alta renda.

O AVC isquêmico constituiu 62,4% de todos os acidentes vasculares cerebrais em 2019 (7,63 milhões [6,57-8,96]), enquanto a hemorragia intracerebral constituiu 27,9% (3,41 milhões [2,97-3,91]) e a hemorragia subaracnoide constituiu 9,7% (1,18 milhão [1,01-1,39]).

Em 2019, os cinco principais fatores de risco para acidente vascular cerebral foram hipertensão arterial sistólica (contribuindo para 79,6 milhões [67,7-90,8] de AVAIs ou 55,5% [48,2-62,0] do total de AVAIs do AVC), alto índice de massa corporal (34,9 milhões [22,3-48,6] de AVAIs ou 24,3% [15,7-33,2]), glicose plasmática em jejum alta (28,9 milhões [19,8-41,5] de AVAIs ou 20,2% [13,8-29,1]), poluição do ambiente por matéria particulada (28,7 milhões [23,4-33,4] de AVAIs ou 20,1% [16,6-23,0]) e tabagismo (25,3 milhões [22,6-28,2] de AVAIs ou 17,6% [16,4-19,0]).

O estudo concluiu que o número anual de acidentes vasculares cerebrais e mortes devido a acidentes vasculares cerebrais aumentou substancialmente de 1990 a 2019, apesar das reduções substanciais nas taxas padronizadas por idade, particularmente entre pessoas com mais de 70 anos.

As maiores taxas de mortalidade e anos de vida ajustados por incapacidade padronizadas por idade relacionadas ao AVC ocorreram no grupo de baixa renda do Banco Mundial.

O fator de risco de crescimento mais rápido para AVC entre 1990 e 2019 foi o alto índice de massa corporal.

Sem a implementação urgente de estratégias eficazes de prevenção primária, a carga de AVC provavelmente continuará a crescer em todo o mundo, particularmente em países de baixa renda.

Veja também sobre "Acidente vascular cerebral em jovens", "Doenças cardiovasculares", "Hipertensão Arterial" e "Doenças que mais matam no mundo e no Brasil".

 

Fonte: The Lancet Neurology, publicação em 03 de setembro de 2021.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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