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Novo estudo demonstra forte relação entre parto prematuro e risco de autismo

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Dados suecos de nascimento e saúde1 de mais de quarenta anos demonstraram uma forte relação entre parto prematuro e risco de autismo, de acordo com uma nova análise.

Entre mais de 4 milhões de nascimentos únicos de 1973 a 2013, o risco de diagnóstico2 de transtorno do espectro autista (TEA) foi de 2,1% para crianças nascidas antes de 37 semanas de gestação em comparação com 1,6% para aquelas com idade gestacional de 37-38 semanas e 1,4% para aquelas com idade gestacional de 39-41 semanas, relataram Casey Crump, MD, PhD, da Icahn School of Medicine at Mount Sinai na cidade de Nova York, e dois colegas suecos.

Além disso, os dados mostraram o que poderia ser chamado de relação dose-resposta: a idade gestacional mais precoce se correlacionou com maior prevalência3 de TEA, de acordo com o artigo publicado pelos pesquisadores no periódico científico Pediatrics:

  • 22-27 semanas: 6,1%
  • 28-33 semanas: 2,6%
  • 34-36 semanas: 1,9%
Saiba mais sobre "O que é parto prematuro", "Transtornos do espectro autista" e "Autismo: como reconhecer os sintomas4 precoces".

No artigo os pesquisadores relatam como o nascimento prematuro tem sido associado ao aumento do risco de transtorno do espectro autista (TEA); no entanto, a causalidade potencial, as diferenças específicas do sexo e a associação com o nascimento prematuro não são claras.

No estudo em questão, eles examinaram, em uma grande coorte5 de base populacional, se o nascimento prematuro e o nascimento a termo precoce estão associados ao TEA.

Um estudo de coorte6 nacional foi realizado com todos os 4.061.795 bebês7 únicos nascidos na Suécia durante 1973-2013 que sobreviveram até 1 ano de idade e que foram acompanhados para TEA identificado a partir de diagnósticos ambulatoriais e de internação em todo o país até 2015.

A regressão de Poisson foi usada para determinar razões de prevalência3 para TEA associado à idade gestacional ao nascimento, ajustando para fatores de confusão. As análises de Cosibling foram usadas para avaliar a influência de fatores familiares compartilhados não medidos (genéticos e/ou ambientais).

As prevalências de TEA por idade gestacional ao nascimento foram de 6,1% para prematuros extremos (22-27 semanas), 2,6% para muito prematuros / prematuros moderados (28-33 semanas), 1,9% para prematuros tardios (34-36 semanas), 2,1% para todos os prematuros (<37 semanas), 1,6% para os nascidos a termo precoce (37-38 semanas) e 1,4% para os nascidos a termo (39-41 semanas).

As razões de prevalência3 ajustadas comparando prematuros extremos, todos os prematuros ou a termo precoce versus a termo, respectivamente, foram 3,72 (intervalo de confiança de 95%, 3,27-4,23), 1,35 (1,30-1,40) e 1,11 (1,08-1,13) entre meninos e 4,19 (3,45-5,09), 1,53 (1,45-1,62) e 1,16 (1,12-1,20) entre as meninas (P <0,001 para cada).

Essas associações foram apenas ligeiramente atenuadas após o controle de fatores familiares compartilhados.

Assim, nesta coorte5 nacional sueca, o nascimento prematuro e a termo precoce foi associado ao aumento do risco de transtorno do espectro autista em meninos e meninas. Essas associações eram amplamente independentes de covariáveis ​​e fatores familiares compartilhados, consistentes com uma relação causal potencial.

Leia sobre "Prematuridade e os cuidados necessários com os prematuros" e "Autismo - conhecendo melhor a condição".

 

Fontes:
Pediatrics, publicação em 11 de agosto de 2021.
MedPage Today, notícia publicada em 11 de agosto de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Novo estudo demonstra forte relação entre parto prematuro e risco de autismo. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1399170/novo-estudo-demonstra-forte-relacao-entre-parto-prematuro-e-risco-de-autismo.htm>. Acesso em: 18 out. 2021.

Complementos

1 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
2 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
3 Prevalência: Número de pessoas em determinado grupo ou população que são portadores de uma doença. Número de casos novos e antigos desta doença.
4 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
5 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
6 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
7 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
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