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Tanto o tratamento com agonistas alfa-2 adrenérgicos quanto com estimulantes melhoraram os sintomas em crianças em idade pré-escolar com TDAH

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O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é diagnosticado em aproximadamente 2,4% das crianças em idade pré-escolar. Os estimulantes são recomendados como tratamento medicamentoso de primeira linha. No entanto, até 25% das crianças em idade pré-escolar com TDAH são tratadas com medicamentos agonistas α2-adrenérgicos1, apesar das evidências mínimas sobre sua eficácia ou efeitos adversos nessa faixa etária.

Essa nova pesquisa científica, publicada no JAMA, buscou determinar a frequência de melhora relatada nos sintomas2 de TDAH e efeitos adversos associados a agonistas α2-adrenérgicos1 e medicação estimulante para o tratamento medicamentoso inicial para TDAH em crianças em idade pré-escolar.

Leia sobre "TDAH: o que é e quais as causas e os sintomas2" e "Desenvolvimento infantil".

Foi realizada uma revisão retrospectiva dos registros eletrônicos de saúde3. Os dados foram obtidos a partir de registros de saúde3 de crianças atendidas em 7 clínicas pediátricas ambulatoriais de desenvolvimento comportamental na Rede de Pesquisa de Pediatria do Desenvolvimento Comportamental nos Estados Unidos.

Os dados foram resumidos para 497 crianças consecutivas com menos de 72 meses quando o tratamento com um agonista4 α2-adrenérgico5 ou medicação estimulante foi iniciado por um pediatra de desenvolvimento comportamental para TDAH e foram tratadas entre 1º de janeiro de 2013 e 1º de julho de 2017. O acompanhamento foi concluído em 27 de fevereiro de 2019.

Os principais desfechos e medidas do estudo foram a melhoria relatada nos sintomas2 de TDAH e os efeitos adversos.

Os dados foram extraídos de registros eletrônicos de saúde3 de 497 crianças em idade pré-escolar com TDAH recebendo agonistas α2-adrenérgicos1 ou estimulantes. A idade média das crianças era de 62 meses no início da medicação para TDAH, e 409 crianças (82%) eram do sexo masculino.

Para o tratamento medicamentoso inicial para TDAH, agonistas α2-adrenérgicos1 foram prescritos para 175 crianças (35%; duração média do uso de agonistas α2-adrenérgicos1, 136 dias) e estimulantes foram prescritos para 322 crianças (65%; duração média de uso de estimulantes, 133 dias).

A melhora foi relatada em 66% (IC 95%, 57,5% - 73,9%) das crianças que iniciaram agonistas α2-adrenérgicos1 e 78% (IC 95%, 72,4% - 83,4%) das crianças que iniciaram estimulantes.

Apenas a sonolência diurna foi mais comum para aqueles que receberam agonistas α2-adrenérgicos1 vs estimulantes (38% vs 3%); vários efeitos adversos foram relatados mais comumente para aqueles que receberam estimulantes vs agonistas α2-adrenérgicos1, incluindo mau humor / irritabilidade (50% vs 29%), supressão do apetite (38% vs 7%) e dificuldade para dormir (21% vs 11%).

Nesta revisão retrospectiva dos registros de saúde3 de crianças em idade pré-escolar com TDAH tratadas em clínicas pediátricas de desenvolvimento comportamental, a melhora foi observada na maioria das crianças que receberam agonistas α2-adrenérgicos1 ou estimulantes, com perfis de efeitos adversos diferentes entre as classes de medicamentos. Mais pesquisas, incluindo ensaios clínicos6 randomizados, são necessárias para avaliar a eficácia comparativa de agonistas α2-adrenérgicos1 versus estimulantes.

Veja também sobre "Transtorno de oposição desafiante", "Transtorno de conduta" e "Saúde3 mental".

 

Fonte: JAMA, publicação em 04 de maio de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Tanto o tratamento com agonistas alfa-2 adrenérgicos quanto com estimulantes melhoraram os sintomas em crianças em idade pré-escolar com TDAH. Disponvel em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1394415/tanto-o-tratamento-com-agonistas-alfa-2-adrenergicos-quanto-com-estimulantes-melhoraram-os-sintomas-em-criancas-em-idade-pre-escolar-com-tdah.htm>. Acesso em: 2 dez. 2021.

Complementos

1 Adrenérgicos: Que agem sobre certos receptores específicos do sistema simpático, como o faz a adrenalina.
2 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
3 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
4 Agonista: 1. Em farmacologia, agonista refere-se às ações ou aos estímulos provocados por uma resposta, referente ao aumento (ativação) ou diminuição (inibição) da atividade celular. Sendo uma droga receptiva. 2. Lutador. Na Grécia antiga, pessoa que se dedicava à ginástica para fortalecer o físico ou como preparação para o serviço militar.
5 Adrenérgico: Que age sobre certos receptores específicos do sistema simpático, como o faz a adrenalina.
6 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
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