Gostou do artigo? Compartilhe!

Combinação de exercícios e terapia com liraglutida se mostrou capaz de promover a manutenção saudável da perda de peso

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie esta notícia

A recuperação de peso após a perda de peso é um grande problema no tratamento de pessoas com obesidade1.

Em um ensaio clínico randomizado2, frente a frente (head-to-head) e controlado por placebo3, publicado no The New England Journal of Medicine, foram inscritos adultos com obesidade1 (índice de massa corporal4 de 32 a 43) que não tinham diabetes5.

Leia sobre "Atitudes para perder peso e manter o peso alcançado", "Obesidade1" e "Tratando a obesidade1".

Após uma dieta hipocalórica6 de 8 semanas, os participantes foram aleatoriamente designados por 1 ano para uma das quatro estratégias:

  1. um programa de exercícios de intensidade moderada a vigorosa mais placebo3 (grupo de exercícios);
  2. tratamento com liraglutida (3,0 mg por dia) mais atividade habitual (grupo liraglutida);
  3. programa de exercícios mais terapia com liraglutida (grupo de combinação);
  4. placebo3 mais atividade usual (grupo placebo3).

Os desfechos com hipóteses pré-especificadas foram a mudança no peso corporal (desfecho primário) e a mudança no percentual de gordura7 corporal (desfecho secundário) a partir da randomização ao final do período de tratamento na população com intenção de tratar. Os desfechos relacionados à saúde8 metabólica pré-especificados e a segurança também foram avaliados.

Após a dieta de baixa caloria9 de 8 semanas, 195 participantes tiveram uma redução média no peso corporal de 13,1 kg.

Em 1 ano, todas as estratégias de tratamento ativo levaram a maior perda de peso do que o placebo3:

  • diferença no grupo de exercícios, -4,1 kg (intervalo de confiança [IC] de 95%, -7,8 a -0,4; P = 0,03);
  • diferença no grupo liraglutida, -6,8 kg (IC 95%, -10,4 a -3,1; P <0,001);
  • diferença no grupo de combinação, -9,5 kg (IC 95%, -13,1 a -5,9; P <0,001).

A estratégia de combinação levou a uma maior perda de peso do que exercício (diferença, -5,4 kg; IC 95%, -9,0 a -1,7; P = 0,004), mas não que liraglutida (-2,7 kg; IC 95%, -6,3 a 0,8; P = 0,13).

A estratégia de combinação diminuiu o percentual de gordura7 corporal em 3,9 pontos percentuais, o que foi aproximadamente duas vezes a redução no grupo de exercícios (-1,7 pontos percentuais; IC 95%, -3,2 a -0,2; P = 0,02) e no grupo de liraglutida (-1,9 pontos percentuais; IC 95%, -3,3 a -0,5; P = 0,009).

Apenas a estratégia de combinação foi associada a melhorias no nível de hemoglobina glicada10, sensibilidade à insulina11 e aptidão cardiorrespiratória. Aumento da frequência cardíaca e colelitíase12 foram observados com mais frequência no grupo liraglutida do que no grupo de combinação.

O estudo concluiu que uma estratégia que combina exercícios e terapia com liraglutida melhorou a manutenção saudável da perda de peso mais do que qualquer um dos tratamentos isoladamente.

Veja também sobre "Peso ideal e como calculá-lo", "O perigo dos remédios para emagrecer" e "Dietas para emagrecer".

 

Fonte: The New England Journal of Medicine, publicação em 06 de maio de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Combinação de exercícios e terapia com liraglutida se mostrou capaz de promover a manutenção saudável da perda de peso. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1394110/combinacao-de-exercicios-e-terapia-com-liraglutida-se-mostrou-capaz-de-promover-a-manutencao-saudavel-da-perda-de-peso.htm>. Acesso em: 16 jun. 2021.

Complementos

1 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
2 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
3 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
4 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
5 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
6 Hipocalórica: Que é pouco calórica.
7 Gordura: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Os alimentos que fornecem gordura são: manteiga, margarina, óleos, nozes, carnes vermelhas, peixes, frango e alguns derivados do leite. O excesso de calorias é estocado no organismo na forma de gordura, fornecendo uma reserva de energia ao organismo.
8 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
9 Caloria: Dizemos que um alimento tem “x“ calorias, para nos referirmos à quantidade de energia que ele pode fornecer ao organismo, ou seja, à energia que será utilizada para o corpo realizar suas funções de respiração, digestão, prática de atividades físicas, etc. Carboidratos, proteínas, gorduras e álcool fornecem calorias na dieta. Carboidratos e proteínas têm 4 calorias em cada grama, gorduras têm 9 calorias por grama e álcool têm 7 calorias por grama.
10 Hemoglobina glicada: Hemoglobina glicada, hemoglobina glicosilada, glico-hemoglobina ou HbA1C e, mais recentemente, apenas como A1C é uma ferramenta de diagnóstico na avaliação do controle glicêmico em pacientes diabéticos. Atualmente, a manutenção do nível de A1C abaixo de 7% é considerada um dos principais objetivos do controle glicêmico de pacientes diabéticos. Algumas sociedades médicas adotam metas terapêuticas mais rígidas de 6,5% para os valores de A1C.
11 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
12 Colelitíase: Formação de cálculos no interior da vesícula biliar.
Gostou do artigo? Compartilhe!