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Ácido tranexâmico para a prevenção da hemorragia após cesariana resultou em menor incidência de perda de sangue do que o placebo

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A administração profilática de ácido tranexâmico foi associada à redução da hemorragia1 pós-parto após cesariana em vários pequenos ensaios, mas as evidências de seu benefício neste contexto clínico permanecem inconclusivas.

Em um estudo multicêntrico, duplo-cego, randomizado2 e controlado, publicado no The New England Journal of Medicine, designou-se mulheres submetidas a parto cesáreo antes ou durante o trabalho de parto com 34 ou mais semanas de gestação para receber um agente uterotônico profilático administrado por via intravenosa e ácido tranexâmico (1 g) ou placebo3.

O desfecho primário foi hemorragia1 pós-parto, definida como perda de sangue4 estimada calculada maior que 1000 ml ou recebimento de uma transfusão5 de hemácias6 dentro de 2 dias após o parto. Os desfechos secundários incluíram perda de sangue4 estimada gravimetricamente, hemorragia1 pós-parto clinicamente significativa avaliada pelo provedor, uso de agentes uterotônicos adicionais e transfusão5 de sangue4 pós-parto.

Das 4.551 mulheres que foram submetidas à randomização, 4.431 foram submetidas a parto cesáreo, 4.153 (93,7%) das quais tinham dados de desfecho primário disponíveis.

O desfecho primário ocorreu em 556 de 2.086 mulheres (26,7%) no grupo de ácido tranexâmico e em 653 de 2.067 (31,6%) no grupo de placebo3 (razão de risco ajustada, 0,84; intervalo de confiança [IC] de 95%, 0,75 a 0,94; P = 0,003).

Não houve diferenças significativas entre os grupos na perda média de sangue4 estimada gravimetricamente ou na porcentagem de mulheres com hemorragia1 pós-parto clinicamente significativa avaliada pelo provedor, uso de agentes uterotônicos adicionais ou transfusão5 de sangue4 pós-parto.

Eventos tromboembólicos nos 3 meses após o parto ocorreram em 0,4% das mulheres (8 de 2.049) que receberam ácido tranexâmico e em 0,1% das mulheres (2 de 2.056) que receberam placebo3 (razão de risco ajustada, 4,01; IC de 95%, 0,85 a 18,92; P = 0,08).

O estudo concluiu que, entre as mulheres que realizaram parto cesáreo e receberam agentes uterotônicos profiláticos, o tratamento com ácido tranexâmico resultou em uma incidência7 significativamente menor de perda de sangue4 estimada calculada maior que 1000 ml ou transfusão5 de hemácias6 dentro de 2 dias do que o placebo3, mas não resultou em uma incidência7 menor de desfechos clínicos secundários relacionados à hemorragia1.

Saiba mais sobre "Como é a cesárea", "Hemorragia1 pós-parto", "Hemorragia1 grave" e "Quantas cesarianas uma mulher pode fazer com segurança".

 

Fonte: NEJM, publicação em 29 de abril de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Ácido tranexâmico para a prevenção da hemorragia após cesariana resultou em menor incidência de perda de sangue do que o placebo. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1393975/acido-tranexamico-para-a-prevencao-da-hemorragia-apos-cesariana-resultou-em-menor-incidencia-de-perda-de-sangue-do-que-o-placebo.htm>. Acesso em: 20 set. 2021.

Complementos

1 Hemorragia: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
2 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
3 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
4 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
5 Transfusão: Introdução na corrente sangüínea de sangue ou algum de seus componentes. Podem ser transfundidos separadamente glóbulos vermelhos, plaquetas, plasma, fatores de coagulação, etc.
6 Hemácias: Também chamadas de glóbulos vermelhos, eritrócitos ou células vermelhas. São produzidas no interior dos ossos a partir de células da medula óssea vermelha e estão presentes no sangue em número de cerca de 4,5 a 6,5 milhões por milímetro cúbico, em condições normais.
7 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
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