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Estudo descobre que 5 porções diárias de frutas e vegetais são "ideais" para a saúde

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Um estudo recente, de pesquisadores da Harvard Medical School e do Brigham and Women’s Hospital, publicado no jornal Circulation, sugere ter determinado a ingestão diária ideal de frutas e vegetais.

A análise de dados de mais de 2,8 milhões de pessoas-ano sugere que uma mistura de 2 porções de frutas e 3 porções de vegetais por dia foi a ingestão "ideal" e forneceu a maior longevidade.

Os investigadores observaram que grandes quantidades de inconsistência nas orientações dietéticas podem muitas vezes causar confusão entre os pacientes, e descobriram que o consumo dessas 5 porções, o que representa 2 porções de frutas e 3 porções de vegetais por dia, estava relacionado à maior longevidade geral e a uma redução de 12% no risco de morte por doenças cardiovasculares1.

“Enquanto grupos como a American Heart Association recomendam de quatro a cinco porções de frutas e vegetais diariamente, os consumidores provavelmente recebem mensagens inconsistentes sobre o que define a ingestão diária ideal de frutas e vegetais, como a quantidade recomendada e quais alimentos incluir e evitar,” disse o autor do estudo Dong D. Wang, MD, epidemiologista, nutricionista2 e membro do corpo docente da Harvard Medical School e do Brigham and Women's Hospital, em um comunicado.

Leia sobre "O que é uma alimentação saudável", "Dicas para melhorar a alimentação", "Longevidade - o que é" e "As frutas que você mais come".

Assim, considerando que os níveis ideais de ingestão de frutas e vegetais para manter a saúde3 a longo prazo são incertos, os pesquisadores investigaram a relação entre o consumo de frutas e vegetais e a mortalidade4 em 2 estudos de coorte5 prospectivos de homens e mulheres nos EUA e uma metanálise de 26 estudos de coorte5.

Eles acompanharam 66.719 mulheres do Nurses ’Health Study (1984–2014) e 42.016 homens do Health Professionals Follow-up Study (1986–2014) que estavam livres de doenças cardiovasculares1 (DCV), câncer6 e diabetes7 no início do estudo.

A dieta foi avaliada por meio de um questionário de frequência alimentar semiquantitativo validado no início do estudo e atualizado a cada 2 a 4 anos. Os pesquisadores também conduziram uma metanálise de dose-resposta, incluindo resultados das 2 coortes e 24 outros estudos de coorte5 prospectivos.

Foram documentadas 33.898 mortes durante o acompanhamento. Após o ajuste para variáveis ​​de confusão conhecidas e suspeitas e fatores de risco, observou-se associações inversas não lineares de ingestão de frutas e vegetais com mortalidade4 total e mortalidade4 por causa específica atribuível a câncer6, DCV e doença respiratória (todos P não lineares <0,001).

A ingestão de ≈5 porções por dia de frutas e vegetais, ou 2 porções de frutas e 3 porções de vegetais, foi associada à mortalidade4 mais baixa e, acima desse nível, maior ingestão não foi associada à redução de risco adicional.

Em comparação com o nível de referência (2 porções/dia), a ingestão diária de 5 porções de frutas e vegetais foi associada a taxas de risco (IC 95%) de 0,87 (0,85-0,90) para a mortalidade4 total, 0,88 (0,83-0,94) para mortalidade4 por DCV, 0,90 (0,86-0,95) para mortalidade4 por câncer6 e 0,65 (0,59- 0,72) para mortalidade4 por doenças respiratórias.

A metanálise dose-resposta que incluiu 145.015 mortes acumuladas em 1.892.885 participantes produziu resultados semelhantes (razão de risco resumida de mortalidade4 para 5 porções/dia = 0,87 [IC de 95%, 0,85-0,88]; P não linear <0,001).

O maior consumo da maioria dos subgrupos de frutas e vegetais foi associado a menor mortalidade4, com exceção de vegetais ricos em amido, como ervilhas e milho. A ingestão de sucos de frutas e batatas não foi associada à mortalidade4 total e por causa específica.

O estudo concluiu que maior consumo de frutas e vegetais foi associado a menor mortalidade4; a redução do risco atingiu um platô em 5 porções de frutas e vegetais por dia. Essas descobertas apoiam as recomendações dietéticas atuais para aumentar a ingestão de frutas e vegetais, mas não de sucos de frutas e batatas.

“Esta quantidade provavelmente oferece o maior benefício em termos de prevenção das principais doenças crônicas e é uma ingestão relativamente alcançável para o público em geral”, acrescentou Wang. “Também descobrimos que nem todas as frutas e vegetais oferecem o mesmo grau de benefício, embora as recomendações dietéticas atuais geralmente tratem todos os tipos de frutas e vegetais, incluindo vegetais ricos em amido, sucos de frutas e batatas, da mesma forma.”

Veja também sobre "Os perigos dos sucos em caixinhas", "Alimentos ricos em fibras" e "Restrição calórica e longevidade".

 

Fontes:
Circulation, publicação em 01 de março de 2021.
Practical Cardiology, notícia publicada em 02 de março de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Estudo descobre que 5 porções diárias de frutas e vegetais são "ideais" para a saúde. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1390185/estudo-descobre-que-5-porcoes-diarias-de-frutas-e-vegetais-sao-quot-ideais-quot-para-a-saude.htm>. Acesso em: 23 out. 2021.

Complementos

1 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
2 Nutricionista: Especialista em nutricionismo, ou seja, especialista no estudo das necessidades alimentares dos seres humanos e animais, e dos problemas relativos à nutrição.
3 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
4 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
5 Estudos de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
6 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
7 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
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