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Resultados da redução intensiva da pressão arterial sistólica em pacientes com hemorragia intracerebral e pressão arterial sistólica inicial excessivamente alta

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A segurança e eficácia da redução intensiva da pressão arterial sistólica1 em pacientes com hemorragia2 intracerebral que apresentam pressão arterial sistólica1 superior a 220 mmHg parecem ser desconhecidas.

O objetivo desse estudo, publicado pelo JAMA Neurology, foi avaliar os resultados diferenciais da redução da pressão arterial3 sistólica intensiva (objetivo, 110-139 mmHg) vs padrão (objetivo, 140-179 mmHg) em pacientes com hemorragia2 intracerebral e pressão arterial sistólica1 inicial de 220 mmHg ou mais vs menos de 220 mmHg.

Saiba mais sobre "Hemorragia2 cerebral", "O que vem a ser pressão arterial3" e "Hipertensão arterial4".

Esta análise post hoc do ensaio de Tratamento Anti-hipertensivo de Hemorragia2 Cerebral Aguda II foi realizada em novembro de 2019 com base em dados do ensaio clínico multicêntrico randomizado5, realizado entre maio de 2011 a setembro de 2015. Pacientes com hemorragia2 intracerebral e pressão arterial sistólica1 inicial de 180 mmHg ou mais, randomizados dentro de 4,5 horas após o início dos sintomas6, foram incluídos.

A intervenção do estudo consistiu em infusão intravenosa de nicardipina ajustada aos objetivos.

Os principais resultados e medidas foram deterioração neurológica e expansão do hematoma7 em 24 horas, e morte ou incapacidade grave em 90 dias, além de eventos adversos renais e eventos adversos graves até o dia 7 ou alta hospitalar.

Um total de 8.532 pacientes foram selecionados e 999 indivíduos (idade média [DP], 62,0 [13,1] anos; 620 homens [62,0%]) foram submetidos à randomização e tinham um valor inicial de PAS.

Entre 228 participantes com pressão arterial3 sistólica inicial de 220 mmHg ou mais, a taxa de deterioração neurológica em 24 horas foi maior naqueles que se submeteram à redução intensiva da pressão arterial sistólica1 (vs padrão) (15,5% vs 6,8%; risco relativo, 2,28 [IC de 95%, 1,03-5,07]; P = 0,04).

A taxa de morte e incapacidade grave (39,0% vs 38,4%; risco relativo, 1,02 [IC 95%, 0,73-1,78]; P = 0,92) não foi significativamente diferente entre os 2 grupos.

Houve uma taxa significativamente maior de eventos adversos renais em participantes randomizados para redução da pressão arterial sistólica1 intensiva (13,6% vs 4,2%; risco relativo, 3,22 [IC 95%, 1,21-8,56]; P = 0,01), mas nenhuma diferença foi observada na taxa de eventos adversos graves nos rins8.

A maior taxa de deterioração neurológica em 24 horas associada ao tratamento intensivo em pacientes com hemorragia2 intracerebral e pressão arterial sistólica1 inicial de 220 mmHg ou mais, sem qualquer benefício na redução da expansão do hematoma7 em 24 horas ou redução de morte ou incapacidade grave aos 90 dias, justifica cautela contra generalização de recomendações para redução intensiva da pressão arterial sistólica1.

Leia sobre "Crises hipertensivas", "Acidente vascular cerebral9" e "Mecanismos de ação dos anti-hipertensivos".

 

Fonte: JAMA Neurology, publicação em 8 de setembro de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Resultados da redução intensiva da pressão arterial sistólica em pacientes com hemorragia intracerebral e pressão arterial sistólica inicial excessivamente alta. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1378718/resultados-da-reducao-intensiva-da-pressao-arterial-sistolica-em-pacientes-com-hemorragia-intracerebral-e-pressao-arterial-sistolica-inicial-excessivamente-alta.htm>. Acesso em: 25 set. 2020.

Complementos

1 Pressão arterial sistólica: É a pressão mais elevada (pico) verificada nas artérias durante a fase de sístole do ciclo cardíaco, é também chamada de pressão máxima.
2 Hemorragia: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
3 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
4 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
5 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
6 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
7 Hematoma: Acúmulo de sangue em um órgão ou tecido após uma hemorragia.
8 Rins: Órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
9 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
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