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Detecção sérica de não adesão ao tamoxifeno adjuvante e risco de recorrência do câncer de mama

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A não adesão a tratamentos de longo prazo geralmente é sub-reconhecida pelos médicos e não existe um padrão-ouro para sua avaliação. No câncer1 de mama2, a não adesão à terapia com tamoxifeno após a cirurgia constitui um grande obstáculo para os resultados ideais.

Neste estudo publicado pelo Journal of Clinical Oncology, pesquisadores procuraram avaliar a taxa de não adesão bioquímica ao tamoxifeno adjuvante usando a avaliação sérica e examinar seus efeitos a curto prazo na sobrevivência3 livre de doença distante (SLDD).

Foram estudadas 1.177 mulheres na pré-menopausa4 matriculadas em um grande estudo prospectivo5 (CANTO). A definição de não adesão bioquímica foi baseada no nível sérico de tamoxifeno <60 ng/mL, avaliado 1 ano após a prescrição. A não adesão autorreferida à terapia com tamoxifeno foi coletada ao mesmo tempo por meio de entrevistas semiestruturadas.

As análises de sobrevivência3 foram conduzidas usando um modelo de riscos proporcionais de Cox ponderado com probabilidade inversa, usando um escore de propensão baseado em idade, estadiamento, cirurgia, quimioterapia6 e tamanho do centro.

A avaliação sérica do tamoxifeno identificou 16,0% das pacientes (n = 188) abaixo do limiar de adesão estabelecido. A taxa de não adesão relatada pelo paciente foi menor (12,3%). Das 188 pacientes que não aderiram à prescrição de tamoxifeno, 55% relataram adesão ao tamoxifeno.

Após um acompanhamento médio de 24,2 meses desde a avaliação sérica do tamoxifeno, as pacientes que eram bioquimicamente não aderentes tiveram SLDD significativamente mais curta (para recorrência7 distante ou morte, taxa de risco ajustada, 2,31; IC 95%, 1,05 a 5,06; P = 0,036), com 89,5% das pacientes vivas sem recidiva8 distante aos 3 anos na coorte9 não aderente versus 95,4% na coorte9 aderente.

O monitoramento terapêutico de medicamentos pode ser um método útil para identificar prontamente pacientes que não tomam tamoxifeno adjuvante conforme prescrito e correm risco de obter resultados piores. Intervenções direcionadas que facilitam a adesão do paciente são necessárias e têm potencial para melhorar os resultados de curto prazo do câncer1 de mama2.

Saiba mais sobre "Câncer1 de mama2" e "Recomendações do INCA para tratamento do câncer1 de mama2".

 

Fonte: Journal of Clinical Oncology, publicação em 22 de junho de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Detecção sérica de não adesão ao tamoxifeno adjuvante e risco de recorrência do câncer de mama. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1373868/deteccao-serica-de-nao-adesao-ao-tamoxifeno-adjuvante-e-risco-de-recorrencia-do-cancer-de-mama.htm>. Acesso em: 5 ago. 2020.

Complementos

1 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
2 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
3 Sobrevivência: 1. Ato ou efeito de sobreviver, de continuar a viver ou a existir. 2. Característica, condição ou virtude daquele ou daquilo que subsiste a um outro. Condição ou qualidade de quem ainda vive após a morte de outra pessoa. 3. Sequência ininterrupta de algo; o que subsiste de (alguma coisa remota no tempo); continuidade, persistência, duração.
4 Menopausa: Estado fisiológico caracterizado pela interrupção dos ciclos menstruais normais, acompanhada de alterações hormonais em mulheres após os 45 anos.
5 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
6 Quimioterapia: Método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica.
7 Recorrência: 1. Retorno, repetição. 2. Em medicina, é o reaparecimento dos sintomas característicos de uma doença, após a sua completa remissão. 3. Em informática, é a repetição continuada da mesma operação ou grupo de operações. 4. Em psicologia, é a volta à memória.
8 Recidiva: 1. Em medicina, é o reaparecimento de uma doença ou de um sintoma, após período de cura mais ou menos longo; recorrência. 2. Em direito penal, significa recaída na mesma falta, no mesmo crime; reincidência.
9 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
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