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Características e resultados de crianças com infecção por COVID-19 admitidas em unidades de terapia intensiva pediátrica

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A pandemia1 recente e em curso da doença do coronavírus 2019 (COVID-19) causou um impacto sem precedentes em adultos gravemente doentes com infecção2 por COVID-19. Embora existam evidências de que o ônus da infecção2 por COVID-19 em crianças hospitalizadas seja menor do que em seus homólogos adultos, até o momento existem apenas relatos limitados descrevendo a COVID-19 em unidades de terapia intensiva3 pediátrica (UTIP).

O objetivo desse estudo, publicado pelo JAMA Pediatrics, foi fornecer uma descrição e caracterização precoces da infecção2 por COVID-19 nas UTIP norte-americanas, com foco no modo de apresentação, presença de comorbidades4, gravidade da doença, intervenções terapêuticas, trajetória clínica e resultados iniciais.

Este estudo transversal incluiu crianças positivas para COVID-19 internadas em 46 UTIP norte-americanas entre 14 de março e 3 de abril de 2020, com seguimento até 10 de abril de 2020.

Os principais resultados foram características pré-hospitalares, trajetória clínica e resultados hospitalares de crianças internadas em UTIP com infecção2 confirmada por COVID-19.

Das 48 crianças com COVID-19 admitidas em UTIP participantes, 25 (52%) eram do sexo masculino e a mediana (faixa) de idade foi de 13 (4,2-16,6) anos. Quarenta pacientes (83%) apresentaram comorbidades4 pré-existentes significativas; 35 (73%) apresentaram sintomas5 respiratórios e 18 (38%) necessitaram de ventilação6 invasiva.

Onze pacientes (23%) apresentaram falha de 2 ou mais sistemas orgânicos. Foi necessária oxigenação por membrana extracorpórea em 1 paciente (2%). As terapias direcionadas foram usadas em 28 pacientes (61%), sendo a hidroxicloroquina o agente mais comumente usado isoladamente (11 pacientes) ou em combinação (10 pacientes).

Ao final do período de acompanhamento, 2 pacientes (4%) haviam morrido e 15 (31%) ainda estavam hospitalizados, com 3 ainda necessitando de suporte ventilatório e 1 recebendo oxigenação extracorpórea por membrana. As medianas (intervalo) de tempo de permanência em UTIP e no hospital para aqueles que receberam alta foram de 5 (3-9) dias e 7 (4-13) dias, respectivamente.

Este relatório inicial descreve o ônus da infecção2 por COVID-19 nas UTIP norte-americanas e confirma que a doença grave em crianças é significativa, mas muito menos frequente do que em adultos. As comorbidades4 pré-hospitalares parecem ser um fator importante em crianças. Essas observações preliminares fornecem uma plataforma importante para estudos maiores e mais extensos de crianças com infecção2 por COVID-19.

Leia sobre "Infecção2 por SARS-CoV-2 em crianças e adolescentes", "COVID-19 e doença de Kawasaki" e "Saturação de oxigênio".

 

Fonte: JAMA Pediatrics, publicação em 11 de maio de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Características e resultados de crianças com infecção por COVID-19 admitidas em unidades de terapia intensiva pediátrica. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1367243/caracteristicas-e-resultados-de-criancas-com-infeccao-por-covid-19-admitidas-em-unidades-de-terapia-intensiva-pediatrica.htm>. Acesso em: 28 mai. 2020.

Complementos

1 Pandemia: É uma epidemia de doença infecciosa que se espalha por um ou mais continentes ou por todo o mundo, causando inúmeras mortes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a pandemia pode se iniciar com o aparecimento de uma nova doença na população, quando o agente infecta os humanos, causando doença séria ou quando o agente dissemina facilmente e sustentavelmente entre humanos. Epidemia global.
2 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
3 Terapia intensiva: Tratamento para diabetes no qual os níveis de glicose são mantidos o mais próximo do normal possível através de injeções freqüentes ou uso de bomba de insulina, planejamento das refeições, ajuste em medicamentos hipoglicemiantes e exercícios baseados nos resultados de testes de glicose além de contatos freqüentes entre o diabético e o profissional de saúde.
4 Comorbidades: Coexistência de transtornos ou doenças.
5 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
6 Ventilação: 1. Ação ou efeito de ventilar, passagem contínua de ar fresco e renovado, num espaço ou recinto. 2. Agitação ou movimentação do ar, natural ou provocada para estabelecer sua circulação dentro de um ambiente. 3. Em fisiologia, é o movimento de ar nos pulmões. Perfusão Em medicina, é a introdução de substância líquida nos tecidos por meio de injeção em vasos sanguíneos.
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