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Pesquisadores de Stanford aliviam depressão em 90% dos participantes de um pequeno estudo com novo tratamento

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Novos tratamentos antidepressivos eficazes, de rápida ação, seguros e toleráveis são necessários. A estimulação intermitente1 theta-burst (iTBS) é um tratamento não invasivo de estimulação cerebral que foi aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para uso na depressão resistente ao tratamento.

Avanços metodológicos recentes sugerem que o atual protocolo iTBS pode ser aprimorado através de 1) tratamento de pacientes com várias sessões por dia em intervalos idealmente espaçados, 2) aplicação de uma dose geral de estimulação por pulso mais alta e 3) direcionamento preciso do córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo (DLPFC) para o circuito subgenual do córtex cingulado anterior (sgACC).

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Nesse estudo publicado pelo The American Journal of Psychiatry, os autores examinaram a viabilidade, tolerabilidade e eficácia preliminar da Terapia de Neuromodulação Inteligente Acelerada Stanford (SAINT – do inglês Stanford Accelerated Intelligent Neuromodulation Therapy), um protocolo iTBS de ressonância magnética2 de conectividade funcional (fcMRI) em estado de repouso, acelerado e com altas doses, para depressão resistente ao tratamento.

Vinte e dois participantes com depressão resistente ao tratamento receberam SAINT de rótulo aberto. A fcMRI foi usada para atingir individualmente a região do DLPFC esquerdo mais anticorrelacionado com o sgACC em cada participante.

Cinquenta sessões de iTBS (1.800 pulsos por sessão, intervalo de 50 minutos entre sessões) foram entregues como 10 sessões diárias, em 5 dias consecutivos, com um limiar motor em repouso de 90% (ajustado para a profundidade cortical). O teste neuropsicológico foi realizado antes e depois do SAINT.

Um participante retirou-se do estudo, deixando um tamanho de amostra de 21. Dezenove dos 21 participantes (90,5%) atenderam aos critérios de remissão (definidos como uma pontuação <11 na Escala de Classificação de Depressão de Montgomery-Åsberg).

Na análise de intenção de tratar, 19 dos 22 participantes (86,4%) preencheram os critérios de remissão. Os testes neuropsicológicos não demonstraram efeitos colaterais3 cognitivos4 negativos.

O SAINT, um protocolo iTBS acelerado, de alta dose e com direcionamento guiado por fcMRI, foi bem tolerado e seguro para tratar a depressão. São necessários ensaios clínicos5 controlados e simulados em dupla ocultação para confirmar a taxa de remissão observada neste estudo inicial.

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Fonte: The American Journal of Psychiatry, publicação em 7 de abril de 2020.

 

NEWS.MED.BR, 2020. Pesquisadores de Stanford aliviam depressão em 90% dos participantes de um pequeno estudo com novo tratamento. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1364793/pesquisadores-de-stanford-aliviam-depressao-em-90-dos-participantes-de-um-pequeno-estudo-com-novo-tratamento.htm>. Acesso em: 18 set. 2020.

Complementos

1 Intermitente: Nos quais ou em que ocorrem interrupções; que cessa e recomeça por intervalos; intervalado, descontínuo. Em medicina, diz-se de episódios de febre alta que se alternam com intervalos de temperatura normal ou cujas pulsações têm intervalos desiguais entre si.
2 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
3 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
4 Cognitivos: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
5 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
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