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Resultados de um tratamento de 6 semanas com 10 mg de prednisolona em pacientes com osteoartrite da mão

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A osteoartrite1 da mão2 é uma condição articular predominante que apresenta um alto ônus da doença e uma necessidade médica não atendida de opções terapêuticas eficazes.

Como a inflamação3 local é reconhecida como contribuinte para as queixas osteoartríticas, o estudo Eficácia da Prednisolona na Osteoartrite1 da Mão2 (HOPE, do inglês Hand Osteoarthritis Prednisolone Efficacy) teve como objetivo investigar a eficácia e a segurança da prednisolona a curto prazo em pacientes com osteoartrite1 dolorosa das mãos4 e inflamação3 sinovial.

Saiba mais sobre "Osteoartrite1", "Diferenças entre inflamação3 e infecção5" e "Sinovite6".

O estudo HOPE é um estudo duplo-cego7, randomizado8, controlado por placebo9, que foi publicado no The Lancet. Foram recrutados adultos elegíveis em ambulatórios de reumatologia em dois locais na Holanda. Os pacientes eram considerados elegíveis se apresentassem osteoartrite1 sintomática10 da mão2 e sinais11 de inflamação3 nas articulações12 interfalângicas distais13 e proximais14 (DIP/PIP).

Para inclusão, os pacientes foram solicitados a ter quatro ou mais articulações12 DIP/PIP com nós osteoartríticos; pelo menos uma articulação15 DIP/PIP com inchaço16 suave ou eritema17; pelo menos uma articulação15 DIP/PIP com sinal18 Doppler de potência positiva ou espessamento sinovial de pelo menos grau 2 na ultrassonografia19; e dor no dedo de pelo menos 30 mm em uma escala visual analógica (EVA) de 100 mm que teve um surto (definido como piora da dor no dedo em pelo menos 20 mm na EVA) durante uma lavagem de 48 horas com anti-inflamatórios não esteróides (AINEs).

Os pacientes elegíveis foram designados aleatoriamente (1:1) para receber 10 mg de prednisolona ou placebo9 por via oral, uma vez ao dia, por 6 semanas, seguidos por um esquema de redução gradual de 2 semanas e acompanhamento de 6 semanas sem medicação em estudo.

Os pacientes e a equipe do estudo foram mascarados para a atribuição do tratamento. O resultado primário foi a dor no dedo, avaliada em uma EVA, às 6 semanas em participantes que foram aleatoriamente designados para os grupos e participaram da visita inicial.

Os pacientes foram triados para inscrição entre 3 de dezembro de 2015 e 31 de maio de 2018. Os pacientes concluíram as visitas de base e iniciaram o tratamento entre 14 de dezembro de 2015 e 2 de julho de 2018, e a última visita do estudo do último paciente foi em 4 de outubro de 2018.

Dos 149 pacientes avaliados quanto à elegibilidade, 57 (38%) pacientes foram excluídos (predominantemente por não atenderem a um ou vários critérios de inclusão, na maioria das vezes devido à ausência de inflamação3 sinovial ou de surtos após lavagem com AINEs) e 92 (62%) pacientes eram elegíveis para inclusão.

Atribuiu-se aleatoriamente 46 (50%) pacientes para receber prednisolona e 46 (50%) pacientes para receber placebo9, todos incluídos na análise modificada da intenção de tratar do resultado primário. Quarenta e dois pacientes (91%) no grupo da prednisolona e 42 (91%) no grupo do placebo9 completaram o estudo de 14 semanas.

A alteração média entre a linha de base e a semana 6 na dor no dedo relatada pela EVA foi de –21,5 (DP 21,7) no grupo de prednisolona e de –5,2 (24,3) no grupo placebo9, com uma diferença média entre os grupos (de prednisolona vs placebo9) de -16,5 (IC 95% -26,1 a -6,9; p = 0,0007).

O número de eventos adversos não graves foi semelhante entre os grupos. Cinco eventos adversos graves foram relatados durante o estudo: um evento adverso grave no grupo da prednisolona (um infarto do miocárdio20) e quatro eventos adversos graves no grupo do placebo9 (um hematoma21 traumático da perna infectado que exigiu cirurgia, cirurgia intestinal, fibrilação atrial que requeria implante22 de marcapasso23 e miomas uterinos sintomáticos que exigiam histerectomia24).

Quatro (4%) pacientes interromperam o estudo devido a um evento adverso: um (2%) paciente que recebeu prednisolona (por infarto do miocárdio20) e três (7%) pacientes que receberam placebo9 (por cirurgia do intestino, por hematoma21 da perna infectado e para artrite25 do joelho por doença de Lyme).

O estudo concluiu que o tratamento com 10 mg de prednisolona por 6 semanas é eficaz e seguro para o tratamento de pacientes com osteoartrite1 dolorosa das mãos4 e sinais11 de inflamação3. Os resultados fornecem aos médicos uma nova opção de tratamento a curto prazo para pacientes26 com osteoartrite1 da mão2 que relatam um surto de sua doença.

Leia sobre "Artrose27" e "Dor articular".

 

Fonte: The Lancet, vol. 394, nº 10213, publicado online em 11 de novembro de 2019.

 

NEWS.MED.BR, 2019. Resultados de um tratamento de 6 semanas com 10 mg de prednisolona em pacientes com osteoartrite da mão. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1353253/resultados-de-um-tratamento-de-6-semanas-com-10-mg-de-prednisolona-em-pacientes-com-osteoartrite-da-mao.htm>. Acesso em: 7 dez. 2019.

Complementos

1 Osteoartrite: Termo geral que se emprega para referir-se ao processo degenerativo da cartilagem articular, manifestado por dor ao movimento, derrame articular, etc. Também denominado artrose.
2 Mão: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
3 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
4 Mãos: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
5 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
6 Sinovite: Inflamação da membrana sinovial, uma fina camada de tecido conjuntivo que reveste estruturas como tendões musculares, cápsulas articulares e bolsas sinoviais.
7 Estudo duplo-cego: Denominamos um estudo clínico “duplo cego” quando tanto voluntários quanto pesquisadores desconhecem a qual grupo de tratamento do estudo os voluntários foram designados. Denominamos um estudo clínico de “simples cego” quando apenas os voluntários desconhecem o grupo ao qual pertencem no estudo.
8 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
9 Placebo: Preparação neutra quanto a efeitos farmacológicos, ministrada em substituição a um medicamento, com a finalidade de suscitar ou controlar as reações, geralmente de natureza psicológica, que acompanham tal procedimento terapêutico.
10 Sintomática: 1. Relativo a ou que constitui sintoma. 2. Que é efeito de alguma doença. 3. Por extensão de sentido, é o que indica um particular estado de coisas, de espírito; revelador, significativo.
11 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
12 Articulações:
13 Distais: 1. Que se localiza longe do centro, do ponto de origem ou do ponto de união. 2. Espacialmente distante; remoto. 3. Em anatomia geral, é o mais afastado do tronco (diz-se de membro) ou do ponto de origem (diz-se de vasos ou nervos). Ou também o que é voltado para a direção oposta à cabeça. 4. Em odontologia, é o mais distante do ponto médio do arco dental.
14 Proximais: 1. Que se localiza próximo do centro, do ponto de origem ou do ponto de união. 2. Em anatomia geral, significa o mais próximo do tronco (no caso dos membros) ou do ponto de origem (no caso de vasos e nervos). Ou também o que fica voltado para a cabeça (diz-se de qualquer formação). 3. Em botânica, o que fica próximo ao ponto de origem ou à base. 4. Em odontologia, é o mais próximo do ponto médio do arco dental.
15 Articulação: 1. Ponto de contato, de junção de duas partes do corpo ou de dois ou mais ossos. 2. Ponto de conexão entre dois órgãos ou segmentos de um mesmo órgão ou estrutura, que geralmente dá flexibilidade e facilita a separação das partes. 3. Ato ou efeito de articular-se. 4. Conjunto dos movimentos dos órgãos fonadores (articuladores) para a produção dos sons da linguagem.
16 Inchaço: Inchação, edema.
17 Eritema: Vermelhidão da pele, difusa ou salpicada, que desaparece à pressão.
18 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
19 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
20 Infarto do miocárdio: Interrupção do suprimento sangüíneo para o coração por estreitamento dos vasos ou bloqueio do fluxo. Também conhecido por ataque cardíaco.
21 Hematoma: Acúmulo de sangue em um órgão ou tecido após uma hemorragia.
22 Implante: 1. Em cirurgia e odontologia é o material retirado do próprio indivíduo, de outrem ou artificialmente elaborado que é inserido ou enxertado em uma estrutura orgânica, de modo a fazer parte integrante dela. 2. Na medicina, é qualquer material natural ou artificial inserido ou enxertado no organismo. 3. Em patologia, é uma célula ou fragmento de tecido, especialmente de tumores, que migra para outro local do organismo, com subsequente crescimento.
23 Marcapasso: Dispositivo eletrônico utilizado para proporcionar um estímulo elétrico periódico para excitar o músculo cardíaco em algumas arritmias do coração. Em geral são implantados sob a pele do tórax.
24 Histerectomia: Cirurgia através da qual se extrai o útero. Pode ser realizada mediante a presença de tumores ou hemorragias incontroláveis por outras formas. Quando se acrescenta à retirada dos ovários e trompas de Falópio (tubas uterinas) a esta cirurgia, denomina-se anexo-histerectomia.
25 Artrite: Inflamação de uma articulação, caracterizada por dor, aumento da temperatura, dificuldade de movimentação, inchaço e vermelhidão da área afetada.
26 Para pacientes: Você pode utilizar este texto livremente com seus pacientes, inclusive alterando-o, de acordo com a sua prática e experiência. Conheça todos os materiais Para Pacientes disponíveis para auxiliar, educar e esclarecer seus pacientes, colaborando para a melhoria da relação médico-paciente, reunidos no canal Para Pacientes . As informações contidas neste texto são baseadas em uma compilação feita pela equipe médica da Centralx. Você deve checar e confirmar as informações e divulgá-las para seus pacientes de acordo com seus conhecimentos médicos.
27 Artrose: Também chamada de osteoartrose ou processo degenerativo articular, resulta de um processo anormal entre a destruição cartilaginosa e a reparação da mesma. Entende-se por cartilagem articular, um tipo especial de tecido que reveste a extremidade de dois ossos justapostos que possuem algum grau de movimentação entre eles, sua função básica é a de diminuir o atrito entre duas superfícies ósseas quando estas executam qualquer tipo de movimento, funcionando como mecanismo de absorção de choque. O estado de hidratação da cartilagem e a integridade da mesma, é fator preponderante para o não desenvolvimento da artrose.
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