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Risco de câncer de mama pelo uso da terapia de reposição hormonal pode ser o dobro do que se pensava anteriormente, como confirma pesquisa publicada pelo The Lancet

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Os resultados publicados, até o momento, sobre o risco de câncer1 de mama2 associado a diferentes tipos de terapia hormonal da menopausa3 são inconsistentes e com informações limitadas em relação aos efeitos a longo prazo.

Por isso, as evidências epidemiológicas foram reunidas e revisadas, avaliando o tipo e o tempo de uso da terapia de reposição hormonal (TRH) na menopausa3 e risco de câncer1 de mama2, em uma metanálise individual de dados de participantes da evidência epidemiológica mundial, com estudos prospectivos elegíveis que buscaram informações completas sobre o assunto.

Saiba mais sobre "Terapia de Reposição Hormonal", "Câncer1 de mama2" e "Menopausa3".

Os estudos foram identificados pesquisando muitas fontes formais e informais regularmente de 1º de janeiro de 1992 a 1º de janeiro de 2018. As usuárias atuais foram incluídas até 5 anos (média de 1,4 anos) após o último uso relatado da TRH. A regressão logística produziu taxas de risco ajustadas (RRs) comparando grupos específicos de usuárias de TRH versus nunca usuárias.

Durante o acompanhamento prospectivo4, 108.647 mulheres na pós-menopausa3 desenvolveram câncer1 de mama2 com idade média de 65 anos (DP 7); 55.575 (51%) usaram TRH. Entre as mulheres com informações completas, a duração média da TRH foi de 10 anos (DP 6) em usuárias atuais e 7 anos (DP 6) em usuárias anteriores, e a idade média foi de 50 anos (DP 5) na menopausa3 e 50 anos (DP 6) no início do uso da TRH.

Todos os tipos de TRH, exceto os estrogênios vaginais, foram associados a riscos excessivos de câncer1 de mama2, que aumentaram constantemente com a duração do tratamento e foram maiores para preparações com estrogênio-progestágeno do que para preparações que continham apenas estrogênio. Entre as usuárias atuais, esses riscos excessivos foram definidos mesmo durante os anos 1–4 (estrogênio-progestágeno RR 1,60; IC 95% 1,52–1,69; apenas estrogênio RR 1,17; 1,10–1,26) e foram duas vezes maiores nos anos 5–14 (estrogênio-progestágeno RR 2,08; 2,02–2,15; apenas estrogênio RR 1,33; 1,28–1,37).

Os riscos de estrogênio-progestágeno durante os anos 5–14 foram maiores com o uso diário do que com menos frequência de uso de progestágeno (RR 2,30; 2,21–2,40 vs 1,93; 1,84–2,01; heterogeneidade p<0 0001).

Para uma dada preparação, as RRs durante os anos 5–14 do uso atual foram muito maiores para tumores positivos para receptores de estrogênio do que para tumores negativos para receptores de estrogênio; foram semelhantes para mulheres que iniciaram TRH nas idades de 40 a 44, 45 a 49, 50 a 54 e 55 a 59 anos; e foram atenuados quando a TRH era iniciada após os 60 anos ou por adiposidade (com pouco risco da TRH somente com estrogênio em mulheres obesas).

Após cessar a TRH, algum risco em excesso persistiu por mais de 10 anos; sua magnitude dependia da duração do uso prévio, com pouco excesso após menos de 1 ano de uso da TRH.

Se essas associações são amplamente causais, então para mulheres com peso médio e de países desenvolvidos, 5 anos de TRH, a partir dos 50 anos, aumentariam a incidência5 de câncer1 de mama2 entre 50 e 69 anos em cerca de uma em cada 50 usuárias de preparações de estrogênio-progestágeno de uso diário; uma em cada 70 usuárias de estrogênio mais preparações intermitentes6 de progestágeno; e uma em cada 200 usuárias de preparações contendo somente estrogênio. Os excessos correspondentes de 10 anos de TRH seriam cerca de duas vezes maiores.

Este estudo foi financiado pela Cancer1 Research UK e pelo Medical Research Council.

Leia também sobre "Informações e cuidados sobre o câncer1 de mama2 [EBOOK]" e "Climatério7 e menopausa3".

 

Fonte: The Lancet, 29 de agosto de 2019.

 

NEWS.MED.BR, 2019. Risco de câncer de mama pelo uso da terapia de reposição hormonal pode ser o dobro do que se pensava anteriormente, como confirma pesquisa publicada pelo The Lancet. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1345493/risco-de-cancer-de-mama-pelo-uso-da-terapia-de-reposicao-hormonal-pode-ser-o-dobro-do-que-se-pensava-anteriormente-como-confirma-pesquisa-publicada-pelo-the-lancet.htm>. Acesso em: 17 out. 2019.

Complementos

1 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
2 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
3 Menopausa: Estado fisiológico caracterizado pela interrupção dos ciclos menstruais normais, acompanhada de alterações hormonais em mulheres após os 45 anos.
4 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
5 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
6 Intermitentes: Nos quais ou em que ocorrem interrupções; que cessa e recomeça por intervalos; intervalado, descontínuo. Em medicina, diz-se de episódios de febre alta que se alternam com intervalos de temperatura normal ou cujas pulsações têm intervalos desiguais entre si.
7 Climatério: Conjunto de mudanças adaptativas que são produzidas na mulher como conseqüência do declínio da função ovariana na menopausa. Consiste em aumento de peso, “calores” freqüentes, alterações da distribuição dos pêlos corporais, dispareunia.
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