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Crescimento neonatal e infantil após tratamento com metformina versus insulina para diabetes gestacional: revisão sistemática publicada pelo PLOS Medicine

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O diabetes gestacional1 é uma complicação comum da gravidez2, afetando cerca de 1 em cada 7 gestações em todo o mundo, e pode estar associada a resultados adversos para mães e bebês3.

A metformina4 tem sido cada vez mais usada como uma alternativa aceitável e econômica à insulina5 para o tratamento do diabetes mellitus6 gestacional (DMG) em muitos países. No entanto, o impacto do tratamento materno com metformina4 na trajetória de crescimento fetal e infantil é desconhecido.

Saiba mais sobre "Diabetes gestacional1" e "Diabetes mellitus6".

PubMed, Ovid Embase, Medline, Web of Science, ClinicalTrials.gov e o banco de dados Cochrane foram sistematicamente pesquisados (desde o início do banco de dados até 26 de fevereiro de 2019). Resultados com gestações afetadas por DMG randomizados para tratamento com metformina4 versus insulina5 foram incluídos (ensaios clínicos7 randomizados e estudos prospectivos randomizados controlados) de coortes incluindo mulheres europeias, americanas, asiáticas, australianas e africanas.

Estudos incluindo mulheres grávidas com diabetes8 pré-existente ou não-diabéticas foram excluídos, assim como estudos comparando o tratamento com metformina4 com agentes orais para baixar a glicose9, exceto a insulina5.

Dois revisores avaliaram independentemente os artigos quanto à elegibilidade e risco de viés, e os conflitos foram resolvidos por um terceiro revisor. As medidas de resultado foram parâmetros de crescimento fetal e infantil, incluindo peso, altura, índice de massa corporal10 (IMC11) e composição corporal. No total, 28 estudos (n = 3.976 participantes) preencheram os critérios de elegibilidade e foram incluídos na metanálise. Nenhum estudo relatou parâmetros de crescimento fetal; 19 estudos (n = 3.723 neonatos12) relataram medidas de crescimento neonatal.

Os neonatos12 nascidos de mães tratadas com metformina4 apresentaram menores pesos ao nascer (diferença média -107,7g, IC 95% -182,3 a -32,7, I2 = 83%, p = 0,005) e menores índices ponderais (diferença média -0,13 kg/m³, IC 95 % ‐0,26 a 0,00, I2 = 0%, p = 0,04) do que os neonatos12 de mães tratadas com insulina5.

As chances de macrossomia13 (odds ratio [OR] 0,59, IC 95% 0,46 a 0,77, p <0,001) e grandes para a idade gestacional (OR 0,78, IC 95% 0,62 a 0,99, p = 0,04) foram menores após o tratamento materno com metformina4 comparado com insulina5. Não houve diferença no comprimento neonatal ou incidência14 de pequeno para a idade gestacional entre os grupos.

Dois estudos (n = 411 bebês3) relataram medidas de crescimento infantil15 (18 a 24 meses de idade). Em contraste com a fase neonatal, os bebês3 expostos à metformina4 foram significativamente mais pesados do que os do grupo exposto à insulina5 (diferença média de 440g, IC 95% 50 a 830, I2 = 4%, p = 0,03).

Três estudos (n = 520 crianças) relataram parâmetros de crescimento na metade da infância (5-9 anos). No meio da infância, o IMC11 foi significativamente maior (diferença média 0,78 kg/m², IC 95% 0,23 a 1,33, I2 = 7%, p = 0,005) após a exposição à metformina4 do que após a exposição à insulina5, apesar da diferença em pesos absolutos entre os grupos não ter sido significativamente diferente (p = 0,09).

Evidências limitadas (1 estudo com dados tratados como 2 coortes) sugeriram que os índices de adiposidade (volumes de gorduras abdominais [p = 0,02] e viscerais [p = 0,03]) podem ser maiores em crianças nascidas de mães tratadas com metformina4 em comparação com mães tratadas com insulina5. As limitações do estudo incluem heterogeneidade na dosagem de metformina4, heterogeneidade nos critérios de diagnóstico16 para DMG e escassez de relatos de resultados na infância.

Concluiu-se após esta revisão sistemática que após a exposição intrauterina à metformina4 para o tratamento da DMG, os neonatos12 são significativamente menores (pesam menos) do que os neonatos12 cujas mães foram tratadas com insulina5 durante a gravidez2. Apesar do menor peso médio ao nascer, as crianças expostas à metformina4 parecem experimentar um crescimento pós-natal acelerado, resultando em bebês3 mais pesados e com maior IMC11 na metade da infância, em comparação com as crianças cujas mães foram tratadas com insulina5.

Sabe-se que as crianças que nascem pequenas e depois passam por um "crescimento acelerado" após o nascimento têm maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares17 e diabetes8 tipo 2 mais tarde na vida. É importante entender se esse risco aumentado se aplica a crianças cujas mães foram tratadas com metformina4 durante a gravidez2.

Considerando que tais padrões de baixo peso ao nascer e crescimento pós-natal foram relatados como associados a resultados cardiometabólicos adversos a longo prazo, isso sugere a necessidade de mais estudos examinando18 os resultados longitudinais perinatais e da infância após a exposição intrauterina à metformina4.

Leia sobre "Gravidez2 de risco", "Crescimento infantil15" e "O papel da insulina5 no corpo".

 

Fonte: PLOS Medicine, publicação em 06 de agosto de 2019.

 

NEWS.MED.BR, 2019. Crescimento neonatal e infantil após tratamento com metformina versus insulina para diabetes gestacional: revisão sistemática publicada pelo PLOS Medicine. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1344473/crescimento-neonatal-e-infantil-apos-tratamento-com-metformina-versus-insulina-para-diabetes-gestacional-revisao-sistematica-publicada-pelo-plos-medicine.htm>. Acesso em: 12 nov. 2019.

Complementos

1 Diabetes gestacional: Tipo de diabetes melito que se desenvolve durante a gravidez e habitualmente desaparece após o parto, mas aumenta o risco da mãe desenvolver diabetes no futuro. O diabetes gestacional é controlado com planejamento das refeições, atividade física e, em alguns casos, com o uso de insulina.
2 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
3 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
4 Metformina: Medicamento para uso oral no tratamento do diabetes tipo 2. Reduz a glicemia por reduzir a quantidade de glicose produzida pelo fígado e ajudando o corpo a responder melhor à insulina produzida pelo pâncreas. Pertence à classe das biguanidas.
5 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
6 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
7 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
8 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
9 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
10 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
11 IMC: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
12 Neonatos: Refere-se a bebês nos seus primeiros 28 dias (mês) de vida. O termo “recentemente-nascido“ refere-se especificamente aos primeiros minutos ou horas que se seguem ao nascimento. Esse termo é utilizado para enfocar os conhecimentos e treinamento da ressuscitação imediatamente após o nascimento e durante as primeiras horas de vida.
13 Macrossomia: Refere-se de forma imprecisa aos bebês com peso igual ou superior a 4 quilos. Mães diabéticas podem ter filhos macrossômicos.
14 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
15 Crescimento Infantil: Aumento na estrutura do corpo, tendo em vista a multiplicação e o aumento do tamanho das células. Controla-se principalmente o peso corporal, a estatura e o perímetro cefálico, com o objetivo de saber o quanto a criança ganhou ou perdeu em determinados intervalos de tempo e tendo por base um acompanhamento a longo prazo, através de anotações em gráficos ou curvas de crescimento. O pediatra precisa conhecer e analisar vários fatores referentes à criança e a sua família, como o peso e a altura dos pais, o padrão de crescimento deles, os dados da gestação, o peso e a estatura ao nascimento e a alimentação do bebê para avaliar a situação do crescimento de determinada criança. Não é simplesmente consultar gráficos. Somente o médico da criança pode avaliar seu crescimento. Uma criança pode estar fora da “faixa mais comum de referência“ e, ainda assim, ter um crescimento normal.
16 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
17 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
18 Examinando: 1. O que será ou está sendo examinado. 2. Candidato que se apresenta para ser examinado com o fim de obter grau, licença, etc., caso seja aprovado no exame.
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