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Por que o glioblastoma pode ser tão difícil de tratar? Estudo publicado pelo periódico Cell sugere o motivo da dificuldade

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O glioblastoma é um câncer1 cerebral incurável que mata a maioria dos pacientes em menos de dois anos após o diagnóstico2. A doença é difícil de tratar, em grande parte, porque os tumores contêm vários tipos de células3. O câncer1 agressivo cerebral pode também diferir vastamente entre pacientes, tanto que os investigadores debatem se o glioblastoma deve ser considerado uma doença única. Um estudo novo, publicado pelo periódico Cell, pode ajudar a esclarecer esta heterogeneidade que faz o glioblastoma ser assim tão mortal.

Saiba mais sobre "Tumores cerebrais".

Os investigadores perfilaram a expressão do gene em mais de 24.000 células3 tumorais de 20 adultos e 8 pacientes pediátricos com glioblastoma e analisaram também modelos de glioblastoma em laboratório. Eles encontraram quatro estados celulares no glioblastoma, em que cada um tem um programa original de expressão do gene e juntos ajudam a esclarecer a grande variação na doença. Os cientistas usaram então os dados de célula4 única do The Cancer1 Genome Atlas5 (TCGA) para reanalisar o glioblastoma e identificaram alterações genéticas associadas a cada um dos quatro estados celulares.

Para compreender melhor os estados do glioblastoma no nível celular, os investigadores examinaram células3 usando sequenciamento do RNA de célula4 única, um conjunto de técnicas genômicas que revelam perfis da expressão do gene das células3 individuais.

Eles observaram que células3 malignas em glioblastomas existem em quatro estados celulares principais que recapitulam tipos distintos de células3 neurais, sendo influenciadas pelo microambiente do tumor6 e exibindo plasticidade. A frequência relativa de células3 em cada estado varia entre amostras de glioblastoma e é influenciada pelas amplificações do número de cópias dos loci CDK4, EGFR e PDGFRA e por mutações no locus NF1, cada uma favorecendo um estado definido.

Os resultados mostram também que as células3 são notavelmente flexíveis ou plásticas — isto é, podem comutar entre os quatro estados. Esta habilidade de mudar de forma poderia ajudar a explicar porque estas células3 do câncer1 são tão difíceis de matar com medicamentos, e a esclarecer sobre o desenvolvimento de melhores terapias para o glioblastoma.

"Se você compreender que esta é uma doença com múltiplos estados que a dirigem, cada um com um gene favorito do câncer1 correspondente, você compreende melhor porque tomar como alvo um gene, em um dado momento, falha mais adiante, e você pode dissecar os mecanismos da adaptação e da resistência às terapias," disse Mario Suvà, membro do Broad's Epigenomics Program, um patologista7 molecular do departamento de patologia8 do Massachusetts General Hospital (MGH) e membro do centro para a pesquisa do câncer1 no MGH. Ele acrescentou que este estudo é o maior no sequenciamento de células3 individuais para o glioblastoma até o momento.

A pesquisa foi liderada pelos co-primeiros autores Cyril Neftel, do Departamento de Patologia8 do Massachusetts General Hospital (MGH) e Broad Institute; Julie Laffy, Weizmann Institute of Science; Mariella Filbin, Departamento de Patologia8 do MGH, Broad Institute e Dana-Farber Institute; Toshiro Hara, Salk Institute for Biological Studies; e co-autores seniores Itay Tirosh, Weizmann Institute of Science, e Mario Suvà, do Departamento de Patologia8 do MGH e Broad Institute.

Os pesquisadores agora planejam estudar como as terapias atuais afetam cada um dos quatro estados celulares e buscar novas formas de atingir cada um deles.

O financiamento para este estudo foi fornecido em parte pela Sontag Foundation, a Howard Goodman Fellowship do MGH, o Merkin Institute Fellowship do Broad Institute, do MIT e de Harvard, o Wang Family Fund, a Smith Family Foundation, a Chan-Zuckerberg Initiative, a Swiss National Science Foundation Sinergia Gran, a Alex's Lemonade Stand, a V Foundation for Cancer1 Research, o Zuckerman STEM Leadership Program, o Human Frontiers Science Program e a start-up do MGH Department of Pathology e Weizmann Institute of Science.

Veja também sobre "Prevenção do câncer1" e "Dor de cabeça9 - a maioria não é sinal10 de doenças graves".

 

Fonte: Cell, em 18 de julho de 2019.

 

NEWS.MED.BR, 2019. Por que o glioblastoma pode ser tão difícil de tratar? Estudo publicado pelo periódico Cell sugere o motivo da dificuldade. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1341653/por-que-o-glioblastoma-pode-ser-tao-dificil-de-tratar-estudo-publicado-pelo-periodico-cell-sugere-o-motivo-da-dificuldade.htm>. Acesso em: 10 dez. 2019.

Complementos

1 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
2 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
3 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
4 Célula: Unidade funcional básica de todo tecido, capaz de se duplicar (porém algumas células muito especializadas, como os neurônios, não conseguem se duplicar), trocar substâncias com o meio externo à célula, etc. Possui subestruturas (organelas) distintas como núcleo, parede celular, membrana celular, mitocôndrias, etc. que são as responsáveis pela sobrevivência da mesma.
5 Atlas:
6 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
7 Patologista: Estudioso ou especialista em patologia, que é a especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo.
8 Patologia: 1. Especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo. 2. Qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico, em relação à normalidade, que constitua uma doença ou caracterize determinada doença. 3. Por extensão de sentido, é o desvio em relação ao que é próprio ou adequado ou em relação ao que é considerado como o estado normal de uma coisa inanimada ou imaterial.
9 Cabeça:
10 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
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