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Mudanças no estilo de vida podem ser mais importantes do que medicamentos para hipertensão leve: publicação do JAMA

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A consideração de fatores de risco mais amplos pode ser importante no tratamento de adultos com hipertensão1 leve de baixo risco. Evidências para apoiar o início do tratamento farmacológico nesses pacientes são inconclusivas, com estudos prévios sem poder demonstrar benefício. Diretrizes clínicas em todo o mundo são contraditórias.

Um grande estudo de coorte2 longitudinal do Reino Unido, financiado pelo National Institute for Health Research (NIHR) e publicado pelo JAMA Internal Medicine, analisou registros de prontuários eletrônicos de 38.286 pacientes de baixo risco com hipertensão1 leve para examinar se o tratamento anti-hipertensivo está associado a um baixo risco de mortalidade3 e doença cardiovascular (DCV).

Saiba mais sobre "Hipertensão arterial4" e "Doenças cardiovasculares5".

Os dados foram extraídos do DataLink Research Clinical Practice, de 1 de janeiro de 1998 a 30 de setembro de 2015, para pacientes6 com idade entre 18 e 74 anos que tinham hipertensão1 leve (pressão arterial7 não tratada de 140/90-159/99 mm Hg) e sem tratamento prévio. Qualquer pessoa com histórico de fatores de risco para DCV ou DCV foi excluída. Os pacientes saíram da coorte8 se os registros de acompanhamento se tornaram indisponíveis ou se tiveram um desfecho de interesse.

Escores de propensão para probabilidade de tratamento foram construídos usando um modelo de regressão logística. Indivíduos tratados dentro de 12 meses do diagnóstico9 foram pareados com pacientes não tratados pelo escore de propensão usando o método do vizinho mais próximo.

Os principais resultados e medidas foram as taxas de mortalidade3, DCV e eventos adversos entre os pacientes prescritos ao tratamento anti-hipertensivo no início do estudo, em comparação com aqueles aos quais não foi prescrito tal tratamento, utilizando a regressão de riscos proporcionais de Cox.

Um total de 19.143 pacientes tratados (média [DP] idade, 54,7 [11,8] anos; 10.705 [55,9%] mulheres; 10.629 [55,5%] brancos) foram pareados com 19.143 pacientes não tratados (média [DP] idade, 54,9 [12,2] anos, 10.631 [55,5%] mulheres; 10.654 [55,7%] brancos).

Durante um período médio de acompanhamento de 5,8 anos (intervalo interquartílico, 2,6-9,0 anos), não foi encontrada evidência de associação entre o tratamento anti-hipertensivo e a mortalidade3 (razão de risco [HR], 1,02; IC 95% 0,88-1,17) ou entre tratamento anti-hipertensivo e DCV (HR, 1,09; IC 95%, 0,95-1,25).

O tratamento foi associado com um risco aumentado de eventos adversos, incluindo hipotensão10 (HR, 1,69; IC 95%, 1,30-2,20; número necessário para causar dano aos 10 anos [NNH10], 41), síncope11 (HR, 1,28; IC 95%, 1,10-1,50; NNH10, 35), anormalidades eletrolíticas (HR, 1,72; IC 95%, 1,12-2,65; NNH10, 111) e lesão12 renal13 aguda (HR, 1,37; IC95%, 1,00-1,88; NNH10, 91) .

Não foram encontradas evidências para apoiar o início do tratamento medicamentoso para adultos com baixo risco cardiovascular com hipertensão1 leve. Houve evidência de um aumento do risco de eventos adversos, o que sugere que os médicos devem ter cautela ao seguir as diretrizes que generalizam os resultados de estudos conduzidos em indivíduos de alto risco para aqueles com menor risco, particularmente porque essa abordagem pode afetar milhões de indivíduos com pouca evidência de benefício.

Isso está de acordo com as diretrizes atuais do National Institute for Health and Care Excellence (NICE), que sugerem oferecer conselhos sobre estilo de vida em várias ocasiões antes de procurar tratamento farmacológico na hipertensão1 leve.

Há um debate em andamento sobre os limiares de tratamento para a hipertensão1 leve, mas, no geral, considerar o risco cardiovascular e abordar os hábitos de vida pouco saudáveis ​​pode ser mais importante do que lidar com a pressão sanguínea elevada sozinha. Este estudo é uma contribuição útil para um debate mais amplo sobre como evitar o tratamento excessivo e mostra o valor de grandes conjuntos de dados de pacientes para tratar das incertezas.

Leia também sobre "Sintomas14 da hipertensão1", "Dieta que reduz a pressão arterial7" e "Atividade física".

 

Fontes:

JAMA Internal Medicine, em dezembro de 2018.
NIHR, publicação de 22 de janeiro de 2019.

 

NEWS.MED.BR, 2019. Mudanças no estilo de vida podem ser mais importantes do que medicamentos para hipertensão leve: publicação do JAMA. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1334263/mudancas-no-estilo-de-vida-podem-ser-mais-importantes-do-que-medicamentos-para-hipertensao-leve-publicacao-do-jama.htm>. Acesso em: 23 set. 2019.

Complementos

1 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
2 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
3 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
4 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
5 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
6 Para pacientes: Você pode utilizar este texto livremente com seus pacientes, inclusive alterando-o, de acordo com a sua prática e experiência. Conheça todos os materiais Para Pacientes disponíveis para auxiliar, educar e esclarecer seus pacientes, colaborando para a melhoria da relação médico-paciente, reunidos no canal Para Pacientes . As informações contidas neste texto são baseadas em uma compilação feita pela equipe médica da Centralx. Você deve checar e confirmar as informações e divulgá-las para seus pacientes de acordo com seus conhecimentos médicos.
7 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
8 Coorte: Grupo de indivíduos que têm algo em comum ao serem reunidos e que são observados por um determinado período de tempo para que se possa avaliar o que ocorre com eles. É importante que todos os indivíduos sejam observados por todo o período de seguimento, já que informações de uma coorte incompleta podem distorcer o verdadeiro estado das coisas. Por outro lado, o período de tempo em que os indivíduos serão observados deve ser significativo na história natural da doença em questão, para que haja tempo suficiente do risco se manifestar.
9 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
10 Hipotensão: Pressão sanguínea baixa ou queda repentina na pressão sanguínea. A hipotensão pode ocorrer quando uma pessoa muda rapidamente de uma posição sentada ou deitada para a posição de pé, causando vertigem ou desmaio.
11 Síncope: Perda breve e repentina da consciência, geralmente com rápida recuperação. Comum em pessoas idosas. Suas causas são múltiplas: doença cerebrovascular, convulsões, arritmias, doença cardíaca, embolia pulmonar, hipertensão pulmonar, hipoglicemia, intoxicações, hipotensão postural, síncope situacional ou vasopressora, infecções, causas psicogênicas e desconhecidas.
12 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
13 Renal: Relacionado aos rins. Uma doença renal é uma doença dos rins. Insuficiência renal significa que os rins pararam de funcionar.
14 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
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