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Aumento de 10% no consumo de alimentos ultraprocessados foi associado a um risco 14% maior de mortalidade por todas as causas, publicado pelo JAMA

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Evidências crescentes indicam que a maior ingestão de alimentos ultraprocessados está associada à maior incidência1 de doenças não transmissíveis e consequente risco global de mortalidade2 mais elevado. No entanto, até o momento, a associação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e o risco de mortalidade2 nunca foi investigada.

Com o objetivo de avaliar esta associação, foi realizado um estudo de coorte3 prospectivo4 observacional, publicado pelo periódico JAMA Internal Medicine. Esta pesquisa selecionou adultos com 45 anos ou mais, do estudo francês "French NutriNet-Santé Study", um estudo de coorte3 em andamento que foi lançado em 11 de maio de 2009 e realizou um acompanhamento até 15 de dezembro de 2017 (uma mediana de 7,1 anos).

Os participantes foram selecionados se completaram pelo menos um conjunto de 3 registros dietéticos de 24 horas na web durante os primeiros 2 anos de acompanhamento. Dados autorrelatados foram coletados no início do estudo, incluindo dados sociodemográficos, de estilo de vida, atividade física, peso corporal, altura e antropometria.

O grupo de alimentos ultraprocessados (do sistema de classificação de alimentos NOVA) é caracterizado por formulações prontas para consumo ou semiprontas que só precisam de aquecimento para serem consumidas, feitas principalmente a partir de ingredientes geralmente combinados com aditivos. A proporção (em peso) de alimentos ultraprocessados na dieta foi calculada para cada participante.

A associação entre proporção de alimentos ultraprocessados e mortalidade2 geral foi o principal desfecho. As ingestões dietéticas médias de todos os registros alimentares de 24 horas disponíveis durante os primeiros 2 anos de acompanhamento foram calculadas e consideradas como a ingestão usual de comida e bebida básica. A mortalidade2 foi avaliada usando o CépiDC, o registro nacional francês de causas específicas de mortalidade2. Taxas de risco (HRs) e intervalos de confiança de 95% (IC 95%) foram determinados para mortalidade2 por todas as causas, usando modelos de regressão de riscos proporcionais multivariados de Cox, com a idade como a métrica de tempo subjacente.

Um total de 44.551 participantes foram incluídos, dos quais 32.549 (73,1%) eram mulheres, com uma idade média (DP) no início do estudo de 56,7 (7,5) anos. Os alimentos ultraprocessados representaram uma proporção média (DP) de 14,4% (7,6%) do peso do total de alimentos consumidos, correspondendo a uma proporção média (DP) de 29,1% (10,9%) do consumo total de energia.

O consumo de alimentos ultraprocessados foi associado à idade mais jovem (45-64 anos, média de proporção de alimentos em peso, 14,50% [0,04%]; P<0,001), menor renda (<€ 1200/mês, 15,58% [0,11 %]; P<0,001), nível educacional mais baixo (sem diploma ou escola primária, 15,50% [0,16%]; P<0,001), vivendo sozinho (15,02% [0,07%]; P<0,001), maior índice de massa corporal5 (calculado como peso em quilogramas dividido pela altura em metros ao quadrado; ≥30, 15,98% [0,11%]; P<0,001), e menor nível de atividade física (15,56% [0,08%]; P<0,001).

Um total de 602 mortes (1,4%) ocorreu durante o acompanhamento. Após o ajuste para uma série de fatores de confusão, um aumento na proporção de alimentos ultraprocessados foi associado a um maior risco de mortalidade2 por todas as causas (HR por 10% de incremento, 1,14; IC 95% 1,04-1,27; P=0,008).

Um aumento no consumo de alimentos ultraprocessados parece estar associado a um risco de mortalidade2 geral maior entre essa população adulta. Mais estudos prospectivos são necessários para confirmar esses achados e desvendar os vários mecanismos pelos quais os alimentos ultraprocessados podem afetar a saúde6.

Leia mais sobre dietas saudáveis: "Alimentos orgânicos", "Alimentação saudável", "Dieta vegana" e "Dieta mediterrânea7".

 

Fonte: JAMA Internal Medicine, publicação online, em 11 de fevereiro de 2019.

 

NEWS.MED.BR, 2019. Aumento de 10% no consumo de alimentos ultraprocessados foi associado a um risco 14% maior de mortalidade por todas as causas, publicado pelo JAMA. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1333868/aumento-de-10-no-consumo-de-alimentos-ultraprocessados-foi-associado-a-um-risco-14-maior-de-mortalidade-por-todas-as-causas-publicado-pelo-jama.htm>. Acesso em: 20 nov. 2019.

Complementos

1 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
2 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
3 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
4 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
5 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
6 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
7 Dieta Mediterrânea: Alimentação rica em carboidratos, fibras, elevado consumo de verduras, legumes e frutas (frescas e secas) e pobre em ácidos graxos saturados. É recomendada uma ingestão maior de gordura monoinsaturada em decorrência da grande utilização do azeite de oliva. Além de vinho.
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