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NEJM: anticoncepção hormonal aumenta risco de câncer de mama

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Pesquisadores do Departamento de Ginecologia da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, avaliaram as associações entre o uso da contracepção1 hormonal e o risco de câncer2 de mama3 invasivo em um estudo de coorte4 prospectivo5, a nível nacional, envolvendo todas as mulheres na Dinamarca, entre 15 e 49 anos de idade, que não tinham câncer2 ou tromboembolismo6 venoso e que não receberam tratamento para a infertilidade7.

Os registros dinamarqueses forneceram informações atualizadas individualmente sobre o uso de contracepção1 hormonal, diagnósticos de câncer2 de mama3 e potenciais fatores de confusão.

Saiba mais sobre "Câncer2 de mama3", "Pílulas anticoncepcionais", "Trombose8 venosa" e "Infertilidade7".

Entre 1,8 milhão de mulheres que foram seguidas em média por 10,9 anos (um total de 19,6 milhões de pessoas-ano), ocorreram 11.517 casos de câncer2 de mama3. Em comparação com as mulheres que nunca usaram contracepção1 hormonal, o risco relativo de câncer2 de mama3 entre todas as usuárias atuais e recentes de contracepção1 hormonal foi de 1,20 (intervalo de confiança de 95% [IC 95%] de 1,14 a 1,26). Esse risco aumentou de 1,09 (IC 95% 0,96 a 1,23) com menos de um ano de uso para 1,38 (IC 95% 1,26 a 1,51) com mais de 10 anos de uso (P=0,002).

Após a interrupção da contracepção1 hormonal, o risco de câncer2 de mama3 ainda era maior entre as mulheres que usaram anticoncepcionais hormonais por 5 anos ou mais do que entre as mulheres que não utilizaram anticoncepcionais hormonais. As estimativas de risco associadas ao uso atual ou recente de vários contraceptivos de combinação oral (estrogênio-progestágeno) variaram entre 1,0 e 1,6. As mulheres que atualmente ou recentemente usaram o sistema intrauterino apenas com progestágeno também apresentaram maior risco de câncer2 de mama3 do que as mulheres que nunca usaram anticoncepcionais hormonais (risco relativo 1,21; IC 95% 1,11 a 1,33).

Leia sobre "Dispositivo intrauterino (DIU)", "Métodos anticoncepcionais" e "Dia da ovulação9".

O aumento absoluto global dos cânceres de mama3 diagnosticados entre as usuárias atuais e recentes de qualquer contraceptivo hormonal foi de 13 (IC 95%, 10 a 16) por 100.000 pessoas-ano ou aproximadamente um caso extra de câncer2 de mama3 por cada 7.690 mulheres que usaram contracepção1 hormonal por um ano.

Concluiu-se que o risco de câncer2 de mama3 foi maior entre as mulheres que atualmente ou recentemente usavam anticoncepcionais hormonais contemporâneos do que entre as mulheres que nunca usaram anticoncepcionais hormonais, e esse risco aumentou com o uso mais prolongado deste tipo de medicação. No entanto, os aumentos absolutos de risco foram pequenos.

Veja também sobre "Prevenção do câncer2" e "Câncer2 de mama3: como se preparar para a consulta médica".

 

Fonte: The New England Journal of Medicine (NEJM), de 7 de dezembro de 2017

 

NEWS.MED.BR, 2017. NEJM: anticoncepção hormonal aumenta risco de câncer de mama. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/1308378/nejm-anticoncepcao-hormonal-aumenta-risco-de-cancer-de-mama.htm>. Acesso em: 18 out. 2019.

Complementos

1 Contracepção: Qualquer processo que evite a fertilização do óvulo ou a implantação do ovo. Os métodos de contracepção podem ser classificados de acordo com o seu objetivo em barreiras mecânicas ou químicas, impeditivas de nidação e contracepção hormonal.
2 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
3 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
4 Estudo de coorte: Um estudo de coorte é realizado para verificar se indivíduos expostos a um determinado fator apresentam, em relação aos indivíduos não expostos, uma maior propensão a desenvolver uma determinada doença. Um estudo de coorte é constituído, em seu início, de um grupo de indivíduos, denominada coorte, em que todos estão livres da doença sob investigação. Os indivíduos dessa coorte são classificados em expostos e não-expostos ao fator de interesse, obtendo-se assim dois grupos (ou duas coortes de comparação). Essas coortes serão observadas por um período de tempo, verificando-se quais indivíduos desenvolvem a doença em questão. Os indivíduos expostos e não-expostos devem ser comparáveis, ou seja, semelhantes quanto aos demais fatores, que não o de interesse, para que as conclusões obtidas sejam confiáveis.
5 Prospectivo: 1. Relativo ao futuro. 2. Suposto, possível; esperado. 3. Relativo à preparação e/ou à previsão do futuro quanto à economia, à tecnologia, ao plano social etc. 4. Em geologia, é relativo à prospecção.
6 Tromboembolismo: Doença produzida pela impactação de um fragmento de um trombo. É produzida quando este se desprende de seu lugar de origem, e é levado pela corrente sangüínea até produzir a oclusão de uma artéria distante do local de origem do trombo. Esta oclusão pode ter diversas conseqüências, desde leves até fatais, dependendo do tamanho do vaso ocluído e do tipo de circulação do órgão onde se deu a oclusão.
7 Infertilidade: Capacidade diminuída ou ausente de gerar uma prole. O termo não implica a completa inabilidade para ter filhos e não deve ser confundido com esterilidade. Os clínicos introduziram elementos físicos e temporais na definição. Infertilidade é, portanto, freqüentemente diagnosticada quando, após um ano de relações sexuais não protegidas, não ocorre a concepção.
8 Trombose: Formação de trombos no interior de um vaso sanguíneo. Pode ser venosa ou arterial e produz diferentes sintomas segundo os territórios afetados. A trombose de uma artéria coronariana pode produzir um infarto do miocárdio.
9 Ovulação: Ovocitação, oocitação ou ovulação nos seres humanos, bem como na maioria dos mamíferos, é o processo que libera o ovócito II em metáfase II do ovário. (Em outras espécies em vez desta célula é liberado o óvulo.) Nos dias anteriores à ovocitação, o folículo secundário cresce rapidamente, sob a influência do FSH e do LH. Ao mesmo tempo que há o desenvolvimento final do folículo, há um aumento abrupto de LH, fazendo com que o ovócito I no seu interior complete a meiose I, e o folículo passe ao estágio de pré-ovocitação. A meiose II também é iniciada, mas é interrompida em metáfase II aproximadamente 3 horas antes da ovocitação, caracterizando a formação do ovócito II. A elevada concentração de LH provoca a digestão das fibras colágenas em torno do folículo, e os níveis mais altos de prostaglandinas causam contrações na parede ovariana, que provocam a extrusão do ovócito II.
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