Artrite Reumatóide é fator de risco independente para derrame cerebral

Pacientes com artrite reumatóide (AR) têm risco maior de sofrer um acidente vascular cerebral (derrame) do que a população geral, revela novo estudo apresentado na 71° reunião científica anual do Colégio Americano de Reumatologia (American College of Rheumatology 71st Annual Scientific Meeting).
Dr. Endean e colaboradores da Southampton University Hospital no Reino Unido estudaram dados do UK General Practice Research Database contendo registros médicos de aproximadamente 5% da população do Reino Unido. Os pesquisadores extraíram dados de 33.191 adultos com artrite reumatóide e 99.570 adultos sem artrite reumatóide entre 1987 e 2002.
Levou-se em consideração no estudo os acidentes vasculares cerebrais (AVCs) identificados pelo código internacional de doenças (CID-9), os fatores de risco estabelecidos para AVCs e o tratamento com medicamentos para infarto do miocárdio, hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca, insuficiência renal, antihipertensivos, uso de medicações para reduzir o colesterol e o tratamento com medicamentos para artrite reumatóide.
A incidência média de AVC foi maior em pacientes com AR comparados ao grupo controle.
Aproximadamente 50% dos pacientes com AR estavam recebendo tratamento com sulfassalazina, 20% com metotrexato e 40% prednisolona. A porcentagem de pacientes usando metotraxato é pequena pelo ano em que os dados foram coletados, época em que não era comum o uso deste medicamento no Reino Unido.
Em pacientes que usavam prednisolona como monoterapia o risco de doença cardiovacular foi maior, mas não houve diferenças significativas de risco para AVC em pacientes recebendo metotrexato sozinho ou sulfassalazina.
Allan Gelber, da Johns Hopkins University, em Baltimore – Maryland, comentou que a associação entre AR e o maior risco de AVC é uma novidade. Segundo ele, este estudo enfatiza que, quando os médicos pensarem no risco potencialmente aumentado para doenças cardiovasculares em pacientes com artrite reumatóide, devem pensar no coração, mas não esquecerem do cérebro.
Fonte: American College of Rheumatology 71st Annual Scientific Meeting - Abstract 684
