Gostou do artigo? Compartilhe!

Amamentação associada a menor risco de depressão pós-parto, segundo pesquisa da Universidade de Cambridge

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie esta notícia

Um novo estudo com mais de 10.000 mães mostrou que as mulheres que amamentaram seus bebês1 estavam em risco significativamente menor de depressão pós-parto do que aquelas que não o fizeram.

O estudo, realizado por pesquisadores do Reino Unido e da Espanha, publicado na revista Maternal and Child Health, mostra que as mães que planejaram amamentar e que de fato amamentaram tinham cerca de 50% menos chance de ficarem deprimidas do que as mães que não tinham planejado e que não amamentaram. As mães que planejaram amamentar, mas que não amamentaram, tinham chance mais de duas vezes maior de ficarem deprimidas do que as mães que não tinha planejado e que não amamentaram.

A relação entre amamentação2 e depressão foi mais pronunciada quando os bebês1 tinham oito semanas de vida, mas muito menor quando os bebês1 tinham oito meses de idade ou mais.

A pesquisa, financiada pelo Economic and Social Research Council, utilizou dados extraídos do Avon Longitudinal Survey of Parents and Children (ALSPAC), um estudo de 13.998 nascimentos na área de Bristol no início de 1990. A depressão materna foi medida por meio da escala Edinburgh Postnatal Depression Scale quando os bebês1 tinham oito semanas e 8, 21 e 33 meses de idade. A depressão também foi avaliada em dois momentos durante a gravidez3, permitindo que os pesquisadores levassem em consideração as condições de saúde4 mental pré-existentes das mães.

Este é um dos maiores estudos desse tipo, além de ser um dos poucos estudos que levaram em consideração a saúde4 mental pregressa das mães, fatores socioeconômicos como renda e status de relacionamento e outros potenciais fatores de confusão, tais como foi o parto e se os bebês1 eram prematuros.

"O aleitamento materno5 tem benefícios bem estabelecidos para os bebês1 em termos de saúde4 física e desenvolvimento cognitivo6; o presente estudo mostra que beneficia também a saúde4 mental das mães", diz a Dra. Maria Iacovou, da University of Cambridge’s Department of Sociology. "Na verdade, os efeitos sobre a saúde4 mental das mães relatados neste estudo também são susceptíveis a ter um impacto sobre os bebês1, uma vez que a depressão materna pode ter efeitos negativos sobre muitos aspectos do desenvolvimento infantil."

A Dra. Iacovou acredita que as autoridades de saúde4 não só devem encorajar as mulheres a amamentar, como também devem fornecer suporte para ajudar as mães que querem amamentar a obterem sucesso. Algumas mães amamentam com facilidade, outras precisam de treinamento e ajuda. Há mães que querem amamentar e não conseguem, essas precisam de muita compreensão e apoio. Não há atualmente quase nenhuma ajuda especializada para essas mães e isso é algo que os provedores de saúde4 devem pensar.

Cerca de uma em 12 mulheres na amostra estudada apresentaram sintomas7 depressivos durante a gravidez3, enquanto uma em cada oito teve depressão em um ou mais dos quatro pontos de acompanhamento após o parto.

De acordo com dados do Departamento de Saúde4 do Reino Unido, quase três quartos das mães iniciaram a amamentação2 em 2012/13. No momento da verificação, na sexta a oitava semanas, apenas 47% dos bebês1 estavam sendo amamentados. Este é um dos mais baixos índices de aleitamento materno5 na Europa.

O estudo foi realizado em colaboração com o Dr. Almudena Sevilla da Queen Mary University of London e Cristina Borra da Universidad de Sevilla, na Espanha.

Fonte: University of Cambridge

NEWS.MED.BR, 2014. Amamentação associada a menor risco de depressão pós-parto, segundo pesquisa da Universidade de Cambridge. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/572492/amamentacao-associada-a-menor-risco-de-depressao-pos-parto-segundo-pesquisa-da-universidade-de-cambridge.htm>. Acesso em: 15 nov. 2019.

Complementos

1 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
2 Amamentação: Ato da nutriz dar o peito e o lactente mamá-lo diretamente. É um fenômeno psico-sócio-cultural. Dar de mamar a; criar ao peito; aleitar; lactar... A amamentação é uma forma de aleitamento, mas há outras formas.
3 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
4 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
5 Aleitamento Materno: Compreende todas as formas do lactente receber leite humano ou materno e o movimento social para a promoção, proteção e apoio à esta cultura. Toda mulher após o parto tem produção de leite - lactação; mas, infelizmente nem todas amamentam.
6 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
7 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
Gostou do artigo? Compartilhe!