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OMS lança o World Cancer Report 2014: a batalha contra o câncer não será vencida apenas com o tratamento

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A Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer1 (International Agency for Research on Cancer1), a agência especializada da OMS para estudos sobre o câncer1, lançou o "World Cancer1 Report 2014”. Este relatório revela como o câncer1 está crescendo a um ritmo alarmante e enfatiza a necessidade de implementação urgente de estratégias de prevenção eficazes para conter a doença. Em 2012, os novos casos de câncer1 por ano eram cerca de 14 milhões, um número que deve subir para 22 milhões por ano nas próximas duas décadas.

Os principais fatos relatados pelo World Cancer1 Report 2014 são:

  • O câncer1 está entre as principais causas de morte no mundo, sendo responsável por 8,2 milhões de mortes em 2012.
  • Os tumores de pulmão2, fígado3, estômago4, colorretal, mama5 e câncer1 de esôfago6 são os tipos que causam mais mortes por câncer1 a cada ano.
  • Os tipos mais frequentes de câncer1 diferem entre homens e mulheres.
  • Cerca de 30% das mortes por câncer1 são decorrentes de cinco principais riscos comportamentais e dietéticos: índice de massa corporal7 elevado, baixa ingestão de frutas e legumes, falta de atividade física, tabagismo e uso de álcool.
  • O cigarro é o fator de risco8 mais importante para o câncer1, causando mais de 20% das mortes globais por câncer1 e cerca de 70% das mortes globais por câncer1 de pulmão2.
  • Os cânceres causados por infecções9 virais, como HBV (vírus10 da hepatite11 B), HCV (vírus10 da hepatite11 C) e HPV (papilomavírus humano) são responsáveis por até 20% das mortes por câncer1 em países de rendas baixa e média.
  • Mais de 60% do total de casos novos anuais do mundo ocorrem na África, Ásia e América Central e do Sul. Estas regiões são responsáveis por 70% das mortes por câncer1 no mundo.
  • Espera-se que os casos anuais de câncer1 aumentarão de 14 milhões em 2012 para 22 milhões nas próximas duas décadas.

Câncer1 é um termo genérico para um grande grupo de doenças que podem afetar qualquer parte do corpo. Outros termos utilizados são tumores malignos e neoplasias12. Uma característica marcante do câncer1 é a criação rápida de células13 anormais que crescem além de seus limites habituais, e que podem, em seguida, invadir partes adjacentes do corpo e se espalhar para outros órgãos. Este processo é conhecido como metástase14. As metástases15 são a principal causa de morte por câncer1.

O que causa o câncer1?

O câncer1 surge de uma única célula16. A transformação de uma célula16 normal numa célula16 tumoral é um processo que engloba várias etapas, geralmente começando pela progressão de uma lesão17 pré-cancerosa. Essas mudanças são o resultado da interação entre fatores genéticos individuais e três categorias de agentes externos, incluindo:

  • Carcinógenos físicos, tais como a radiação ultravioleta e ionizante.
  • Produtos químicos cancerígenos, como amianto, componentes da fumaça do tabaco, a aflatoxina (um contaminante de alimentos) e arsênico (um contaminante de água potável).
  • Carcinógenos biológicos, tais como infecções9 por certos vírus10, bactérias ou parasitas.

O envelhecimento é outro fator fundamental para o desenvolvimento de câncer1. A incidência18 de câncer1 aumenta drasticamente com a idade, provavelmente devido a uma acumulação de riscos específicos para o câncer1. Esta acumulação do risco está combinada à uma tendência de diminuição da eficácia de mecanismos de reparação celular que ocorre com o envelhecimento.

São fatores de risco para câncer1: cigarro, consumo de álcool, alimentação inadequada e sedentarismo19 são os principais fatores de risco para o câncer1 em todo o mundo. Infecções9 crônicas de hepatite11 B (HBV), o vírus10 da hepatite11 C (HCV) e alguns tipos de vírus10 do papiloma humano (HPV) estão entre os fatores de risco para o câncer1 em países de rendas baixa e média. O câncer1 do colo do útero20, que é causado pelo HPV, é uma das principais causas de morte por câncer1 entre as mulheres nos países de baixa renda.

Como a incidência18 do câncer1 pode ser reduzida?

O conhecimento sobre as causas do câncer1 e sobre as intervenções para prevenção e controle da doença é extenso. O câncer1 pode ser reduzido e controlado através da implementação de estratégias baseadas em evidências para a prevenção, detecção precoce do câncer1 e tratamento de pacientes com a doença. Muitos tipos de câncer1 têm uma alta chance de cura se detectados precocemente e tratados adequadamente.

Como modificar e evitar fatores de risco que podem levar ao câncer1?

Mais de 30% das mortes por câncer1 poderiam ser evitadas modificando ou evitando fatores de risco importantes, incluindo:

  • Uso do tabaco.
  • Excesso de peso ou obesidade21.
  • Dieta pouco saudável, com baixa ingestão de frutas e vegetais.
  • Sedentarismo19.
  • Uso de álcool
  • Infecção22 por HPV, uma infecção22 sexualmente transmissível.
  • Poluição do ar urbano.
  • Uso de combustíveis sólidos domésticos, como por exemplo a combustão de lenha ou carvão.

Quais são as estratégias de prevenção?

  • Evitar os fatores de risco listados acima.
  • Vacinar contra o vírus10 do papiloma humano (HPV) e vírus10 da hepatite11 B (VHB).
  • Controlar os riscos ocupacionais.
  • Reduzir a exposição à luz solar.

Como fazer a detecção precoce dos tumores?

A mortalidade23 por câncer1 pode ser reduzida se os casos forem detectados e tratados precocemente. Existem dois componentes importantes para a detecção precoce:

Diagnóstico24 precoce

O conhecimento dos sinais25 e sintomas26 iniciais (para tipos de câncer1, como os de colo do útero20, mama5, boca27 e tumores colorretais) a fim de diagnosticá-los e tratá-los precocemente, antes que a doença se torne avançada. Programas de diagnóstico24 precoce são particularmente relevantes em ambientes de baixa renda, no quais a maioria dos pacientes é diagnosticada em estágios tardios e onde não há triagem (screening).

Screening ou rastreio

Rastreio é definido como a aplicação sistemática de um exame numa população assintomática. Destina-se a identificar os indivíduos com alterações sugestivas de um câncer1 específico ou de lesões28 pré-cancerosas e encaminhá-los imediatamente para diagnóstico24 e tratamento.

Exemplos de métodos de rastreio são:

  • Inspeção29 visual do colo do útero20 com ácido acético para o rastreio do câncer1 do colo do útero20 em locais com poucos recursos.
  • Papanicolau30 para o câncer1 do colo do útero20 em ambientes de média e alta rendas.
  • Mamografia31 para câncer1 de mama5 em ambientes de alta renda.

E sobre o tratamento do câncer1?

O tratamento do câncer1 requer uma cuidadosa seleção de uma ou mais intervenções, tais como cirurgia, radioterapia32, quimioterapia33 e hormonioterapia. O objetivo é curar a doença ou prolongar consideravelmente a vida do paciente, melhorando a sua qualidade de vida. O diagnóstico24 e o tratamento do câncer1 devem ser complementados pelo apoio psicológico ao paciente e a seus familiares.

Os cuidados paliativos34 são tratamentos para aliviar, ao invés de curar, os sintomas26 causados pelo câncer1. Os cuidados paliativos34 podem ajudar as pessoas a viver mais confortavelmente. É uma necessidade humanitária urgente para as pessoas com câncer1 e outras doenças crônicas fatais em todo o mundo. É particularmente necessário em lugares com uma alta proporção de pacientes em estágios avançados, quando há pouca chance de cura.

Alívio de problemas físicos, psicossociais e espirituais pode ser alcançado em mais de 90% dos pacientes com câncer1 avançado através de cuidados paliativos34.

Estratégias de saúde35 pública eficazes, compreensão da comunidade e os cuidados domiciliários são essenciais para proporcionar alívio da dor e cuidados paliativos34 para pacientes36 e suas famílias em ambientes de baixa renda.

A melhoria do acesso à morfina oral é fundamental para o tratamento da dor de intensidade moderada a grave causada pelo câncer1 e sofrida por mais de 80% dos pacientes com câncer1 em fase terminal.

Fonte: World Health Organization (WHO) 

NEWS.MED.BR, 2014. OMS lança o World Cancer Report 2014: a batalha contra o câncer não será vencida apenas com o tratamento. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/520472/oms-lanca-o-world-cancer-report-2014-a-batalha-contra-o-cancer-nao-sera-vencida-apenas-com-o-tratamento.htm>. Acesso em: 28 fev. 2020.

Complementos

1 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
2 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
3 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
4 Estômago: Órgão da digestão, localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o final do ESÔFAGO e o início do DUODENO.
5 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
6 Esôfago: Segmento muscular membranoso (entre a FARINGE e o ESTÔMAGO), no TRATO GASTRINTESTINAL SUPERIOR.
7 Índice de massa corporal: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
8 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
9 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
10 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
11 Hepatite: Inflamação do fígado, caracterizada por coloração amarela da pele e mucosas (icterícia), dor na região superior direita do abdome, cansaço generalizado, aumento do tamanho do fígado, etc. Pode ser produzida por múltiplas causas como infecções virais, toxicidade por drogas, doenças imunológicas, etc.
12 Neoplasias: Termo que denomina um conjunto de doenças caracterizadas pelo crescimento anormal e em certas situações pela invasão de órgãos à distância (metástases). As neoplasias mais frequentes são as de mama, cólon, pele e pulmões.
13 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
14 Metástase: Formação de tecido tumoral, localizada em um lugar distante do sítio de origem. Por exemplo, pode se formar uma metástase no cérebro originário de um câncer no pulmão. Sua gravidade depende da localização e da resposta ao tratamento instaurado.
15 Metástases: Formação de tecido tumoral, localizada em um lugar distante do sítio de origem. Por exemplo, pode se formar uma metástase no cérebro originário de um câncer no pulmão. Sua gravidade depende da localização e da resposta ao tratamento instaurado.
16 Célula: Unidade funcional básica de todo tecido, capaz de se duplicar (porém algumas células muito especializadas, como os neurônios, não conseguem se duplicar), trocar substâncias com o meio externo à célula, etc. Possui subestruturas (organelas) distintas como núcleo, parede celular, membrana celular, mitocôndrias, etc. que são as responsáveis pela sobrevivência da mesma.
17 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
18 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
19 Sedentarismo: Qualidade de quem ou do que é sedentário, ou de quem tem vida e/ou hábitos sedentários. Sedentário é aquele que se exercita pouco, que não se movimenta muito.
20 Colo do útero: Porção compreendendo o pescoço do ÚTERO (entre o ístmo inferior e a VAGINA), que forma o canal cervical.
21 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
22 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
23 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
24 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
25 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
26 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
27 Boca: Cavidade oral ovalada (localizada no ápice do trato digestivo) composta de duas partes
28 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
29 Inspeção: 1. Ato ou efeito de inspecionar; exame, vistoria, inspecionamento. 2. Ato ou efeito de fiscalizar; fiscalização, supervisão, observação. 3. Exame feito por inspetor (es).
30 Papanicolau: Método de coloração para amostras de tecido, particularmente difundido por sua utilização na detecção precoce do câncer de colo uterino.
31 Mamografia: Estudo radiológico que utiliza uma técnica especial para avaliar o tecido mamário. Permite diagnosticar tumores benignos e malignos em fase inicial na mama. É um exame que deve ser realizado por mulheres, como prevenção ao câncer.
32 Radioterapia: Método que utiliza diversos tipos de radiação ionizante para tratamento de doenças oncológicas.
33 Quimioterapia: Método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica.
34 Paliativos: 1. Que ou o que tem a qualidade de acalmar, de abrandar temporariamente um mal (diz-se de medicamento ou tratamento); anódino. 2. Que serve para atenuar um mal ou protelar uma crise (diz-se de meio, iniciativa etc.).
35 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
36 Para pacientes: Você pode utilizar este texto livremente com seus pacientes, inclusive alterando-o, de acordo com a sua prática e experiência. Conheça todos os materiais Para Pacientes disponíveis para auxiliar, educar e esclarecer seus pacientes, colaborando para a melhoria da relação médico-paciente, reunidos no canal Para Pacientes . As informações contidas neste texto são baseadas em uma compilação feita pela equipe médica da Centralx. Você deve checar e confirmar as informações e divulgá-las para seus pacientes de acordo com seus conhecimentos médicos.
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