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A apneia obstrutiva do sono é comum em crianças e pode afetar a pressão arterial e a saúde do coração

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A apneia obstrutiva do sono1, uma forma de distúrbio respiratório do sono, é comum em crianças e adolescentes e pode estar associada à elevação da pressão arterial2 e a alterações na estrutura do coração3, de acordo com uma nova declaração científica da American Heart Association, publicada no Journal of a American Heart Association. Uma declaração científica é uma análise especializada da pesquisa atual e pode informar diretrizes futuras.

“A probabilidade de as crianças apresentarem distúrbios respiratórios durante o sono e, em particular, apneia obstrutiva do sono1, pode ser devido ao aumento das amígdalas4, adenoides ou estrutura facial da criança, no entanto, é importante que os pais reconheçam que a obesidade5 também coloca as crianças em risco de apneia6 obstrutiva do sono”, disse a presidente do grupo de redação da declaração Carissa M. Baker-Smith, MD, diretora de cardiologia preventiva pediátrica do Nemours Children's Hospital em Wilmington, Delaware, e professora associada de cardiologia pediátrica do Sidney Kimmel Medical College na Thomas Jefferson University na Filadélfia. “Interrupções do sono devido à apneia6 do sono têm o potencial de aumentar a pressão arterial2 e estão relacionadas com a resistência à insulina7 e lipídios anormais, os quais podem ter um impacto adverso na saúde8 cardiovascular geral mais tarde na vida.”

A declaração aborda como a apneia obstrutiva do sono1 (AOS) é um conhecido fator de risco9 para doenças cardiovasculares10 em adultos, e está associada a hipertensão11 sistêmica incidente12, arritmia13, acidente vascular cerebral14, doença arterial coronariana e insuficiência cardíaca15.

A AOS é comum em crianças e adolescentes, mas tem havido menos enfoque na AOS como fator de risco9 primário para doenças cardiovasculares10 em crianças e adolescentes.

A declaração científica resume o que se sabe sobre o impacto dos distúrbios respiratórios do sono e, em particular, da AOS na saúde8 cardiovascular de crianças e adolescentes. A declaração destaca o que se sabe sobre o impacto da AOS no risco de hipertensão11, arritmia13, morfologia ventricular anormal, contratilidade ventricular prejudicada e pressão cardíaca direita elevada em crianças e adolescentes.

Ela também resume as melhores práticas atuais para o diagnóstico16 e avaliação de complicações da AOS relacionadas a doenças cardiovasculares10 em crianças e adolescentes com apneia6 do sono e destaca pesquisas futuras em potencial na área de distúrbios respiratórios do sono e saúde8 cardiovascular durante a infância e adolescência.

Saiba mais sobre "Apneia6 do sono", "Apneia6 do sono em bebê", "Obesidade5 infantil" e "Definição de saúde8 cardiovascular ideal na infância".

Os distúrbios respiratórios do sono são quando alguém experimenta episódios anormais de respiração difícil, ronco e sons de ronco durante o sono. Eles incluem um espectro de condições, desde ronco até apneia obstrutiva do sono1. A pesquisa revisada para a declaração revela o seguinte:

  • A apneia obstrutiva do sono1 interrompe o sono restaurador normal, o que pode afetar a saúde8 emocional, bem como os sistemas imunológico, metabólico e cardiovascular em crianças e adolescentes.
  • Estima-se que 1-6% de todas as crianças e adolescentes têm apneia obstrutiva do sono1.
  • Cerca de 30-60% dos adolescentes que preenchem os critérios de obesidade5 (IMC17 ≥ percentil 95) também têm apneia obstrutiva do sono1.

Os fatores de risco para apneia obstrutiva do sono1 em crianças podem variar com a idade; em geral, os fatores primários são obesidade5, doenças das vias aéreas superiores e inferiores, rinite18 alérgica, baixo tônus ​​muscular, aumento das amígdalas4 e adenoides, malformações19 craniofaciais e distúrbios neuromusculares.

A doença falciforme também foi relatada como um fator de risco9 independente para AOS.

Crianças que nasceram prematuras (antes de 37 semanas de gestação) podem ter risco aumentado de distúrbios respiratórios do sono, em parte devido ao atraso no desenvolvimento do controle respiratório e ao menor tamanho das vias aéreas superiores. No entanto, esse risco parece diminuir à medida que as crianças que nascem prematuras envelhecem e crescem.

A AOS pode estar presente em crianças com os seguintes sintomas20:

  • ronco habitual, mais de 3 noites por semana;
  • suspiros ou ruídos bufantes durante o sono;
  • respiração difícil durante o sono;
  • dormir sentado ou com o pescoço21 hiperextendido;
  • sonolência diurna;
  • dor de cabeça22 ao acordar; ou
  • sinais23 de obstrução das vias aéreas superiores.

A declaração reitera a recomendação da Academia Americana de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça22 e Pescoço21 de que um estudo do sono, chamado polissonografia24, é o melhor teste para diagnosticar os distúrbios respiratórios do sono.

Eles recomendam um estudo do sono antes de uma amigdalectomia em crianças com distúrbios respiratórios do sono que apresentam condições que aumentam o risco de complicações durante a cirurgia, como obesidade5, síndrome de Down25, anormalidades craniofaciais (por exemplo, fenda palatina), distúrbios neuromusculares (por exemplo, distrofia26 muscular) ou doença falciforme.

Crianças com essas condições e AOS são consideradas de alto risco para complicações respiratórias durante qualquer cirurgia. Os medicamentos anestésicos devem ser cuidadosamente considerados e a respiração deve ser monitorizada de perto após a cirurgia.

Leia sobre "Como é feita a polissonografia24", "Amígdalas4 hipertrofiadas" e "Hipertrofia27 de adenoides".

Crianças e adolescentes com AOS também podem ter pressão arterial2 elevada. A declaração detalha a pressão arterial2 elevada durante o sono, que normalmente é mais de 10% mais baixa do que o nível de pressão arterial2 de uma pessoa quando acordada. A pesquisa mostra que crianças e jovens com AOS têm uma queda menor na pressão arterial2 durante o sono, o que pode indicar regulação anormal da pressão arterial2. Em estudos com adultos, essa menor queda está associada a um maior risco de eventos cardiovasculares.

A declaração sugere que crianças e adolescentes com AOS tenham sua pressão arterial2 medida ao longo de um período completo de 24 horas para capturar as medições de vigília e sono, dada a probabilidade de aumento da pressão arterial2 noturna.

A síndrome metabólica28 é outra preocupação para crianças mesmo com AOS leve (apenas 2 episódios de pausas respiratórias por hora). Essa síndrome29 inclui um conjunto de fatores como níveis elevados de insulina30 e triglicerídeos, pressão arterial2 elevada e níveis baixos de lipoproteína de alta densidade (HDL31, o colesterol32 “bom”).

A pressão positiva contínua nas vias aéreas (PPCVA, ou CPAP na sigla em inglês), um tratamento para AOS, pode reduzir significativamente os níveis de triglicerídeos e melhorar os níveis de HDL31. O tratamento da AOS também pode melhorar os fatores da síndrome metabólica28, pelo menos a curto prazo. No entanto, o status de obesidade5 pode ser a principal razão para alguns fatores metabólicos, como o controle insatisfatório da insulina30.

“A obesidade5 é um fator de risco9 significativo para distúrbios do sono e apneia obstrutiva do sono1, e a gravidade da apneia6 do sono pode ser melhorada por intervenções de perda de peso, o que melhora os fatores da síndrome metabólica28, como a sensibilidade à insulina30”, disse Baker-Smith. “Precisamos aumentar a conscientização sobre como o aumento da prevalência33 de obesidade5 pode estar afetando a qualidade do sono em crianças e reconhecer os distúrbios respiratórios do sono como algo que pode contribuir para os riscos de hipertensão11 e doenças cardiovasculares10 posteriores.”

A declaração também descreve pesquisas que sugerem um risco de hipertensão11 pulmonar em crianças e adolescentes com AOS grave de longo prazo.

O comitê de redação também identifica a necessidade de estudos adicionais de risco de doenças cardiovasculares10 associados à AOS na infância, que incorporem monitoramento da pressão arterial2 por 24 horas e medidas de fatores da síndrome metabólica28.

Veja também sobre "Hipertensão arterial34 na infância", "Síndrome metabólica28" e "Doenças cardiovasculares10".

 

Fontes:
Journal of the American Heart Association, publicação em 18 de agosto de 2021.
EurekAlert!, notícia publicada em 18 de agosto de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. A apneia obstrutiva do sono é comum em crianças e pode afetar a pressão arterial e a saúde do coração. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/1399860/a-apneia-obstrutiva-do-sono-e-comum-em-criancas-e-pode-afetar-a-pressao-arterial-e-a-saude-do-coracao.htm>. Acesso em: 18 out. 2021.

Complementos

1 Apnéia obstrutiva do sono: Pausas na respiração durante o sono.
2 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
3 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
4 Amígdalas: Designação comum a vários agregados de tecido linfoide, especialmente o que se situa à entrada da garganta; tonsila.
5 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
6 Apnéia: É uma parada respiratória provocada pelo colabamento total das paredes da faringe que ocorre principalmente enquanto a pessoa está dormindo e roncando. No adulto, considera-se apnéia após 10 segundos de parada respiratória. Como a criança tem uma reserva menor, às vezes, depois de dois ou três segundos, o sangue já se empobrece de oxigênio.
7 Resistência à insulina: Inabilidade do corpo para responder e usar a insulina produzida. A resistência à insulina pode estar relacionada à obesidade, hipertensão e altos níveis de colesterol no sangue.
8 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
9 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
10 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
11 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
12 Incidente: 1. Que incide, que sobrevém ou que tem caráter secundário; incidental. 2. Acontecimento imprevisível que modifica o desenrolar normal de uma ação. 3. Dificuldade passageira que não modifica o desenrolar de uma operação, de uma linha de conduta.
13 Arritmia: Arritmia cardíaca é o nome dado a diversas perturbações que alteram a frequência ou o ritmo dos batimentos cardíacos.
14 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
15 Insuficiência Cardíaca: É uma condição na qual a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto (débito cardíaco) é insuficiente para suprir as demandas normais de oxigênio e de nutrientes do organismo. Refere-se à diminuição da capacidade do coração suportar a carga de trabalho.
16 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
17 IMC: Medida usada para avaliar se uma pessoa está abaixo do peso, com peso normal, com sobrepeso ou obesa. É a medida mais usada na prática para saber se você é considerado obeso ou não. Também conhecido como IMC. É calculado dividindo-se o peso corporal em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. Existe uma tabela da Organização Mundial de Saúde que classifica as medidas de acordo com o resultado encontrado.
18 Rinite: Inflamação da mucosa nasal, produzida por uma infecção viral ou reação alérgica. Manifesta-se por secreção aquosa e obstrução das fossas nasais.
19 Malformações: 1. Defeito na forma ou na formação; anomalia, aberração, deformação. 2. Em patologia, é vício de conformação de uma parte do corpo, de origem congênita ou hereditária, geralmente curável por cirurgia. Ela é diferente da deformação (que é adquirida) e da monstruosidade (que é incurável).
20 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
21 Pescoço:
22 Cabeça:
23 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
24 Polissonografia: Exame utilizado na avaliação de algumas das causas de insônia.
25 Síndrome de Down: Distúrbio genético causado pela presença de um cromossomo 21 a mais, por isso é também conhecida como “trissomia do 21”. Os portadores desta condição podem apresentar retardo mental, alterações físicas como prega palmar transversa (uma única prega na palma da mão, em vez de duas), pregas nas pálpebras, membros pequenos, tônus muscular pobre e língua protrusa.
26 Distrofia: 1. Acúmulo de grande quantidade de matéria orgânica, mas poucos nutrientes, em corpos de água, como brejos e pântanos. 2. Na medicina, é qualquer problema de nutrição e o estado de saúde daí decorrente.
27 Hipertrofia: 1. Desenvolvimento ou crescimento excessivo de um órgão ou de parte dele devido a um aumento do tamanho de suas células constituintes. 2. Desenvolvimento ou crescimento excessivo, em tamanho ou em complexidade (de alguma coisa). 3. Em medicina, é aumento do tamanho (mas não da quantidade) de células que compõem um tecido. Pode ser acompanhada pelo aumento do tamanho do órgão do qual faz parte.
28 Síndrome metabólica: Tendência de várias doenças ocorrerem ao mesmo tempo. Incluindo obesidade, resistência insulínica, diabetes ou pré-diabetes, hipertensão e hiperlipidemia.
29 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
30 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
31 HDL: Abreviatura utilizada para denominar um tipo de proteína encarregada de transportar o colesterol sanguíneo, que se relaciona com menor risco cardiovascular. Também é conhecido como “Bom Colesterol”. Seus valores normais são de 35-50mg/dl.
32 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
33 Prevalência: Número de pessoas em determinado grupo ou população que são portadores de uma doença. Número de casos novos e antigos desta doença.
34 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
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