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Nova forma de diálise hepática pode ajudar pessoas com falha na recuperação do órgão

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Pessoas com insuficiência hepática1 podem, no futuro, ser capazes de se recuperar conectando-se a um equipamento de diálise2 para limpar o sangue3 de toxinas4.

A ideia é semelhante à diálise2 renal5, quando as pessoas com insuficiência renal6 vão regularmente a uma clínica ou hospital para limpar o sangue3 dos resíduos normalmente removidos pelos rins7.

Um novo dispositivo de diálise2 do fígado8 para pacientes9 com insuficiência hepática1 aguda sobre crônica (IHAC), também conhecida como insuficiência hepática1 crônica agudizada, se mostrou seguro em comparação com o tratamento padrão, de acordo com os resultados de um pequeno estudo randomizado10, apresentado no Congresso Internacional do Fígado8 de 2021, com resumo publicado no Journal of Hepatology.

Leia sobre "Insuficiência hepática1" e "Hemodiálise11 - como funciona".

No estudo multicêntrico europeu com 32 pacientes, eventos adversos graves ocorreram em 11 pacientes tratados com o dispositivo de assistência extracorpórea do fígado8 DIALIVE em comparação a oito pacientes que receberam tratamento padrão. As mortes em ambos os grupos também foram comparáveis (quatro e três, respectivamente).

Embora a eficácia não fosse o objetivo do estudo, os dados deste pequeno grupo também descobriram que a intervenção foi associada a melhorias na função do órgão e sobrevida12 livre de insuficiência hepática1 aguda sobre crônica em comparação com o tratamento padrão.

O tratamento da IHAC é uma necessidade não atendida. O DIALIVE é um novo dispositivo de diálise2 do fígado8, que substitui a albumina13 disfuncional14 e remove patógenos e padrões moleculares associados a danos.

Este estudo randomizado10 testa a hipótese de que o DIALIVE irá melhorar significativamente o prognóstico15 dos pacientes com IHAC. O desfecho primário foi segurança; desempenho do dispositivo; efeitos clínicos e fisiopatológicos.

Pacientes com IHAC graus 1-3a foram randomizados e os principais desfechos foram avaliados no 10º dia. Foram necessárias no mínimo 3 sessões de DIALIVE (no máximo 5) para que o paciente pudesse ser avaliado. Nenhuma hipótese específica foi avaliada estatisticamente.

Foram definidas 2 populações. (1) População de segurança: pacientes com pelo menos 1 tratamento com DIALIVE. (2) Conjunto de segurança modificado (SM): pacientes avaliáveis.

Uma análise de modelos mistos inferenciais post-hoc para medições repetidas foi realizada para avaliar as diferenças estatisticamente significativas entre os grupos nos dias 5 e 10. Testes de log-rank e teste de Wald foram realizados para avaliar a resolução de IHAC.

32 pacientes com IHAC com cirrose16 alcoólica foram randomizados para DIALIVE (n = 17; idade: 49 [12,4]) ou tratamento padrão (n = 15; idade: 49,1 [10,2]).

A terapia DIALIVE foi administrada por uma mediana de 3 sessões (intervalo de 1-5) nos primeiros 3 dias (intervalo de 1-6) por uma mediana de 8 horas (horas 7-12) cada.

5 pacientes morreram no grupo DIALIVE; 4 no grupo de tratamento padrão. Eventos adversos graves foram observados em 64,7% no DIALIVE e 53,3% no grupo de tratamento padrão.

A análise de eficácia demonstrou melhora significativa nos subescores do Fígado8 (p = 0,045) e do Cérebro17 (p <0,001) no DIALIVE; e deterioração do subescore de Pulmão18 (p = 0,002) no grupo de tratamento padrão (Dia 10). Isso resultou em um efeito global significativo do tratamento.

Aos 28 dias, 10 de 15 pacientes avaliáveis (66%) no grupo DIALIVE permaneceram vivos com resolução completa da IHAC em comparação com 5 de 15 (33%) no grupo de controle.

O estudo concluiu, portanto, que o DIALIVE é seguro e aumenta significativamente a proporção de pacientes com resolução da insuficiência hepática1 crônica agudizada enquanto reduz o tempo de resolução. Os dados justificam o início dos ensaios clínicos19 de fase tardia.

Veja também sobre "Cirrose16 hepática20 - tem cura?" e "Conhecendo melhor a Cirrose16 Hepática20".

 

Fontes:
Journal of Hepatology, Vol. 75, em 2021.
MedPage Today, notícia publicada em 29 de junho de 2021.
New Scientist, notícia publicada em 29 de junho de 2021.

 

NEWS.MED.BR, 2021. Nova forma de diálise hepática pode ajudar pessoas com falha na recuperação do órgão. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/1398285/nova-forma-de-dialise-hepatica-pode-ajudar-pessoas-com-falha-na-recuperacao-do-orgao.htm>. Acesso em: 27 out. 2021.

Complementos

1 Insuficiência hepática: Deterioração grave da função hepática. Pode ser decorrente de hepatite viral, cirrose e hepatopatia alcoólica (lesão hepática devido ao consumo de álcool) ou medicamentosa (causada por medicamentos como, por exemplo, o acetaminofeno). Para que uma insuficiência hepática ocorra, deve haver uma lesão de grande porção do fígado.
2 Diálise: Quando os rins estão muito doentes, eles deixam de realizar suas funções, o que pode levar a risco de vida. Nesta situação, é preciso substituir as funções dos rins de alguma maneira, o que pode ser feito realizando-se um transplante renal, ou através da diálise. A diálise é um tipo de tratamento que visa repor as funções dos rins, retirando as substâncias tóxicas e o excesso de água e sais minerais do organismo, estabelecendo assim uma nova situação de equilíbrio. Existem dois tipos de diálise: a hemodiálise e a diálise peritoneal.
3 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
4 Toxinas: Substâncias tóxicas, especialmente uma proteína, produzidas durante o metabolismo e o crescimento de certos microrganismos, animais e plantas, capazes de provocar a formação de anticorpos ou antitoxinas.
5 Renal: Relacionado aos rins. Uma doença renal é uma doença dos rins. Insuficiência renal significa que os rins pararam de funcionar.
6 Insuficiência renal: Condição crônica na qual o corpo retém líquido e excretas pois os rins não são mais capazes de trabalhar apropriadamente. Uma pessoa com insuficiência renal necessita de diálise ou transplante renal.
7 Rins: Órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
8 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
9 Para pacientes: Você pode utilizar este texto livremente com seus pacientes, inclusive alterando-o, de acordo com a sua prática e experiência. Conheça todos os materiais Para Pacientes disponíveis para auxiliar, educar e esclarecer seus pacientes, colaborando para a melhoria da relação médico-paciente, reunidos no canal Para Pacientes . As informações contidas neste texto são baseadas em uma compilação feita pela equipe médica da Centralx. Você deve checar e confirmar as informações e divulgá-las para seus pacientes de acordo com seus conhecimentos médicos.
10 Estudo randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle - o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
11 Hemodiálise: Tipo de diálise que vai promover a retirada das substâncias tóxicas, água e sais minerais do organismo através da passagem do sangue por um filtro. A hemodiálise, em geral, é realizada 3 vezes por semana, em sessões com duração média de 3 a 4 horas, com o auxílio de uma máquina, dentro de clínicas especializadas neste tratamento. Para que o sangue passe pela máquina, é necessária a colocação de um catéter ou a confecção de uma fístula, que é um procedimento realizado mais comumente nas veias do braço, para permitir que estas fiquem mais calibrosas e, desta forma, forneçam o fluxo de sangue adequado para ser filtrado.
12 Sobrevida: Prolongamento da vida além de certo limite; prolongamento da existência além da morte, vida futura.
13 Albumina: Proteína encontrada no plasma, com importantes funções, como equilíbrio osmótico, transporte de substâncias, etc.
14 Disfuncional: 1. Funcionamento anormal ou prejudicado. 2. Em patologia, distúrbio da função de um órgão.
15 Prognóstico: 1. Juízo médico, baseado no diagnóstico e nas possibilidades terapêuticas, em relação à duração, à evolução e ao termo de uma doença. Em medicina, predição do curso ou do resultado provável de uma doença; prognose. 2. Predição, presságio, profecia relativos a qualquer assunto. 3. Relativo a prognose. 4. Que traça o provável desenvolvimento futuro ou o resultado de um processo. 5. Que pode indicar acontecimentos futuros (diz-se de sinal, sintoma, indício, etc.). 6. No uso pejorativo, pernóstico, doutoral, professoral; prognóstico.
16 Cirrose: Substituição do tecido normal de um órgão (freqüentemente do fígado) por um tecido cicatricial fibroso. Deve-se a uma agressão persistente, infecciosa, tóxica ou metabólica, que produz perda progressiva das células funcionalmente ativas. Leva progressivamente à perda funcional do órgão.
17 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
18 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
19 Ensaios clínicos: Há três fases diferentes em um ensaio clínico. A Fase 1 é o primeiro teste de um tratamento em seres humanos para determinar se ele é seguro. A Fase 2 concentra-se em saber se um tratamento é eficaz. E a Fase 3 é o teste final antes da aprovação para determinar se o tratamento tem vantagens sobre os tratamentos padrões disponíveis.
20 Hepática: Relativa a ou que forma, constitui ou faz parte do fígado.
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