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The New England Journal of Medicine: principais causas de morte em crianças e adolescentes nos Estados Unidos

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Em 2016, crianças e adolescentes (1 a 19 anos de idade) representavam um quarto da população total estimada dos EUA; refletindo relativamente boa saúde1, eles representaram menos de 2% de todas as mortes neste país. Os declínios nas mortes por doenças infecciosas ou câncer2, deram lugar a um aumento nas mortes por causas relacionadas a lesões3, incluindo acidentes de carro, ferimentos por arma de fogo e o problema emergente de casos de overdoses causadas por opioides. Embora as mortes por ferimentos tenham sido tradicionalmente vistas como “acidentes”, a ciência de prevenção de lesões3 que evoluiu durante a segunda metade do século XX mostra cada vez mais que tais mortes são evitáveis com abordagens baseadas em evidências.

Neste relatório, foram resumidas as principais causas de morte em crianças e adolescentes nos Estados Unidos. A menos que indicado de outra forma, os dados sobre óbitos foram obtidos do sistema Wide-ranging Online Data for Epidemiologic Research (WONDER), do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, conhecido como CDC WONDER.

Em 2016, houve 20.360 mortes entre crianças e adolescentes nos Estados Unidos. Mais de 60% resultaram de causas relacionadas a lesões3, que incluíram 6 das 10 principais causas de morte. As lesões3 foram classificadas de acordo com o mecanismo subjacente (por exemplo, acidente com veículo automotor ou lesão4 por arma de fogo) e intenção (por exemplo, suicídio, homicídio, não intencional ou indeterminado), ambas classificações críticas para a compreensão de fatores de risco e proteção e para o desenvolvimento de estratégias de prevenção efetivas.

Quando examinadas todas as mortes entre crianças e adolescentes de acordo com a intenção, as lesões3 não intencionais foram a causa mais comum de morte por lesões3 (57%; 7.047 de 12.336 mortes) e entre as lesões3 intencionais, o suicídio foi ligeiramente mais comum (21%; 2.560 de 12.336) do que o homicídio (20%; 2.469 de 12.336).

Saiba mais sobre "Acidentes de trânsito", "Ferimentos por arma de fogo" e "Suicídio".

Os acidentes automobilísticos foram a principal causa de morte de crianças e adolescentes, representando 20% de todas as mortes; ferimentos por armas de fogo foram a segunda principal causa de morte, responsável por 15% das mortes. Entre as mortes por armas de fogo, 59% eram homicídios, 35% eram suicídios e 4% eram lesões3 não intencionais (por exemplo, descarga acidental). (A intenção era indeterminada em 2% das mortes por arma de fogo). Em contraste, entre os adultos dos EUA (≥20 anos de idade), 62% das mortes por armas de fogo foram por suicídio e 37% por homicídio. Além disso, embora as mortes não intencionais por armas de fogo tenham sido responsáveis por menos de 2% de todas as mortes por armas de fogo nos EUA, 26% ocorreram entre crianças e adolescentes.

Apesar das melhorias no tratamento do câncer2 pediátrico, as neoplasias5 malignas foram a terceira principal causa de morte, representando 9% do total de mortes entre crianças e adolescentes. A quarta principal causa de morte foi o sufocamento, responsável por 7% de todas as mortes. O sufocamento (por exemplo, devido a roupa de cama, sacos plásticos, obstrução da via aérea, enforcamento ou estrangulamento) varia com relação à intenção (por exemplo, homicídio, suicídio ou não intencional). As seis principais causas de morte restantes representaram menos de 25% da contribuição total para as mortes de crianças e adolescentes em 2016.

As principais causas de morte variaram entre crianças mais jovens e mais velhas. Entre as crianças de 1 a 4 anos de idade, o afogamento foi a causa mais comum de morte, seguida por anomalias congênitas6 e acidentes de trânsito. As crianças geralmente se afogam em piscinas artificiais para nadar (de 1 a 4 anos de idade) e em piscinas naturais, rios e lagos (≥ 5 anos de idade). Entre as crianças mais velhas em idade escolar (5 a 9 anos de idade), a morte foi relativamente rara, representando apenas 12% de todas as mortes em crianças e adolescentes. Nessa faixa etária, a neoplasia7 maligna foi a principal causa de morte, seguida por colisões de veículos e anomalias congênitas6. Diferentemente das crianças de 1 a 4 anos de idade, o afogamento foi apenas a quarta causa mais comum de morte entre os 5 e 9 anos de idade, o que potencialmente reflete o treinamento difundido de natação entre crianças em idade escolar.

A maioria (68%) dos jovens que morreram foi durante a adolescência. Entre esses jovens adolescentes (10 a 19 anos de idade), as mortes por acidentes de trânsito, armas de fogo e sufocamento foram as três principais causas de morte; esses achados refletem fatores sociais e de desenvolvimento associados à adolescência, incluindo aumento do comportamento de risco, influência diferencial dos amigos e dos pais e início do uso de drogas.

Também houve diferenças na intenção de causas de morte relacionadas a lesões3 entre crianças e adolescentes. Embora as lesões3 não intencionais tenham sido a intenção mais comum de morte por lesão4 em crianças, as causas intencionais (isto é, homicídio e suicídio) foram cada vez mais comuns com as mortes por lesões3 durante a adolescência. Por exemplo, embora as causas não intencionais compreendessem 26% de todas as mortes por arma de fogo entre crianças (1 a 9 anos de idade), elas representavam 3% das mortes por arma de fogo entre adolescentes (10 a 19 anos de idade). Da mesma forma, as causas não intencionais representaram 78% de todos os óbitos por sufocamento entre as crianças, ao passo que representaram 7% das mortes por sufocamento entre os adolescentes.

Finalmente, embora as causas intencionais de morte tenham sido um fator cada vez mais importante durante a adolescência, a intenção subjacente variou de acordo com o mecanismo. Por exemplo, entre os adolescentes, 61% das mortes por armas de fogo intencionais (1.733 de 2.835) resultaram de homicídio e 98% das mortes por asfixia8 intencional (1.103 de 1.128) resultaram de suicídio. Essas variações destacam a necessidade de implementar estratégias de saúde1 pública que sejam adaptadas de acordo com a idade, fatores subjacentes de desenvolvimento e intenção relacionada à lesão4.

Leia também sobre "Câncer2 infantil", "Afogamento" e "Asfixia8".

A mortalidade9 na infância e adolescência permanece predominantemente relacionada a causas de morte relacionadas a lesões3 evitáveis. O progresso em direção à redução das mortes entre crianças e adolescentes exigirá uma mudança nas percepções do público para que as mortes por lesões3 sejam vistas não como “acidentes”, mas sim como fenômenos ecológicos sociais passíveis de prevenção. A aplicação sólida de rigorosos métodos científicos de saúde1 pública resultou em considerável sucesso em algumas áreas de lesão4, notadamente mortes na infância devido a acidentes com veículos motorizados, afogamento e incêndios residenciais. Ampliar as abordagens de saúde1 pública para abranger todas as principais causas de morte poderia reduzir substancialmente a mortalidade infantil10 e juvenil, bem como as disparidades observadas.

 

Fonte: The New England Journal of Medicine (NEJM), em 20 de dezembro de 2018.

 

NEWS.MED.BR, 2018. The New England Journal of Medicine: principais causas de morte em crianças e adolescentes nos Estados Unidos. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/saude/1331193/the-new-england-journal-of-medicine-principais-causas-de-morte-em-criancas-e-adolescentes-nos-estados-unidos.htm>. Acesso em: 20 mar. 2019.

Complementos

1 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
2 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
3 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
4 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
5 Neoplasias: Termo que denomina um conjunto de doenças caracterizadas pelo crescimento anormal e em certas situações pela invasão de órgãos à distância (metástases). As neoplasias mais frequentes são as de mama, cólon, pele e pulmões.
6 Congênitas: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
7 Neoplasia: Termo que denomina um conjunto de doenças caracterizadas pelo crescimento anormal e em certas situações pela invasão de órgãos à distância (metástases). As neoplasias mais frequentes são as de mama, cólon, pele e pulmões.
8 Asfixia: 1. Dificuldade ou impossibilidade de respirar, que pode levar à anóxia. Ela pode ser causada por estrangulamento, afogamento, inalação de gases tóxicos, obstruções mecânicas ou infecciosas das vias aéreas superiores, etc. 2. No sentido figurado, significa sujeição à tirania; opressão e/ou cobrança de posições morais ou sociais que dão origem à privação de certas liberdades.
9 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
10 Mortalidade Infantil: A taxa de mortalidade infantil é o quociente entre os óbitos de menores de um ano ocorridos em uma determinada unidade geográfica e período de tempo, e os nascidos vivos da mesma unidade nesse período, segundo a fórmula: Taxa de Mortalidade Infantil = (Óbitos de Menores de 1 ano / Nascidos Vivos) x 1.000
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