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JAMA: hospitalizações seguidas de intervenções para abandono do cigarro após alta podem ser oportunidade de cessação do tabagismo entre adultos hospitalizados

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Os sistemas de saúde1 precisam de modelos eficazes para controlar doenças crônicas como a dependência ao tabaco. Intervenções após alta hospitalar podem oferecer oportunidades para os fumantes abandonarem o vício, mas pesquisas sugerem que as intervenções hospitalares são eficazes apenas se o tratamento continuar após a alta.

Com o objetivo de determinar se uma intervenção sustentada, para tratamento da dependência ao tabaco após alta hospitalar aumenta as taxas de cessação do tabagismo em comparação com o tratamento padrão, foi publicado um ensaio clínico randomizado2 pelo The Journal of the American Medical Association (JAMA).

O estudo comparou o cuidado sustentado com o tratamento padrão em 397 hospitalizados e fumantes (idade média de 53 anos; 48% eram do sexo masculino; 81% eram brancos não-hispânicos) que queriam parar de fumar após a alta e tinham recebido uma intervenção para a dependência ao tabaco no hospital; 92% dos pacientes elegíveis e 44% dos pacientes triados foram inscritos na pesquisa. O estudo foi realizado de agosto de 2010 a novembro de 2012 no Massachusetts General Hospital.

Os participantes do grupo que recebeu o cuidado sustentado recebiam telefonemas automatizados e interativos e as suas escolhas de medicação para parar de fumar de forma gratuita (qualquer tipo aprovado pela Food and Drug Administration dos EUA) para até 90 dias. As chamadas telefônicas automatizadas promoviam desde a cessação do hábito de fumar até a gestão dos medicamentos e a triagem dos fumantes para aconselhamento adicional. Os participantes que receberam o tratamento padrão recebiam recomendações para farmacoterapia pós-alta e aconselhamento.

O resultado primário foi confirmado bioquimicamente passados sete dias de abstinência de tabaco em seis meses de acompanhamento após a alta hospitalar; desfechos secundários incluíram o auto-relato de abstinência do tabaco.

Fumantes aleatoriamente designados para os cuidados sustentados (n=198) usavam mais o aconselhamento e a farmacoterapia a cada avaliação de seguimento do que os atribuídos ao tratamento padrão (n=199). A confirmação bioquímica de sete dias de abstinência de tabaco aos seis meses de acompanhamento foi maior com o grupo que recebeu cuidado sustentado (26%) do que com o do tratamento padrão (15%) (p=0,009). O grupo dos cuidados sustentados também resultou em taxas de abstinência contínua maior auto-relatada seis meses após a alta hospitalar (27% vs 16% para o tratamento padrão (p=0,007).

As conclusões mostraram que entre fumantes adultos hospitalizados que querem parar de fumar após a alta hospitalar, uma intervenção pós-alta ofertada com chamadas telefônicas automatizadas e medicação gratuita resultou em maiores taxas de cessação do tabagismo em seis meses de acompanhamento, em comparação com uma recomendação padrão para usar aconselhamento e medicação após a alta. Estes resultados, se replicados, sugerem que uma abordagem sustentada para ajudar a alcançar a cessação do tabagismo após uma internação hospitalar é benéfica.

Fonte: JAMA, volume 312, número 7, de 20 de agosto de 2014

NEWS.MED.BR, 2014. JAMA: hospitalizações seguidas de intervenções para abandono do cigarro após alta podem ser oportunidade de cessação do tabagismo entre adultos hospitalizados. Disponível em: <https://www.news.med.br/p/medical-journal/563587/jama-hospitalizacoes-seguidas-de-intervencoes-para-abandono-do-cigarro-apos-alta-podem-ser-oportunidade-de-cessacao-do-tabagismo-entre-adultos-hospitalizados.htm>. Acesso em: 16 dez. 2019.

Complementos

1 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
2 Randomizado: Ensaios clínicos comparativos randomizados são considerados o melhor delineamento experimental para avaliar questões relacionadas a tratamento e prevenção. Classicamente, são definidos como experimentos médicos projetados para determinar qual de duas ou mais intervenções é a mais eficaz mediante a alocação aleatória, isto é, randomizada, dos pacientes aos diferentes grupos de estudo. Em geral, um dos grupos é considerado controle – o que algumas vezes pode ser ausência de tratamento, placebo, ou mais frequentemente, um tratamento de eficácia reconhecida. Recursos estatísticos são disponíveis para validar conclusões e maximizar a chance de identificar o melhor tratamento. Esses modelos são chamados de estudos de superioridade, cujo objetivo é determinar se um tratamento em investigação é superior ao agente comparativo.
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